Correios acionam TST para mediar acordo com trabalhadores
Os Correios solicitaram o apoio do TST (Tribunal Superior do Trabalho) com o intuito de mediar um acordo entre a empresa e os empregados da categoria. A reunião foi realizada na última quinta-feira, dia 11.
Proposta apresentada aos sindicatos
Foram envolvidas na mediação as entidades sindicalistas, Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) e Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos).
Nesta semana, a estatal apresentou às representações sindicais uma proposta que diz respeito às cláusulas de benefícios. Segundo os Correios, a proposta buscava preservar a maior parte dos auxílios, incluindo creche/babá, auxílio especial e abono acompanhante.
A empresa ressaltou em comunicado que os ajustes sugeridos buscam equilibrar a "proteção aos empregados" com a "necessidade de manter a sustentabilidade financeira e condições adequadas de trabalho".
Reação da Findect
Após a reunião mediada pelo TST, a Findect emitiu um posicionamento que classificou a proposta dos Correios como "frustrante". De acordo com a entidade, a proposta da estatal incluiu a manutenção do atual Acordo Coletivo de Trabalho até 28 de fevereiro de 2026, mas não contemplou o pagamento de um ticket extra, a reposição da inflação e nenhuma previsão de reajuste salarial.
"A proposta ignora as perdas acumuladas ao longo dos últimos anos e não inclui medidas de valorização dos trabalhadores, que vêm enfrentando queda de renda e aumento do custo de vida", afirmou a Findect em comunicado.
Ainda segundo a Findect, a proposta apresentada pelos Correios não atende às demandas urgentes da categoria. Em decorrência da falta de um acordo, os sindicatos filiados à entidade mantêm a indicação de uma greve programada para o próximo dia 16 de dezembro.
Mediação pré-processual do TST
O processo de mediação pré-processual pelo TST é uma opção que permite que as partes envolvidas solicitem ao Poder Judiciário que atue na promoção de uma negociação assistida. Esse procedimento tem como objetivo facilitar a comunicação entre as partes e gerar opções que sejam construídas coletivamente, respeitando a autonomia e os interesses dos envolvidos no conflito.
Situação financeira da empresa
Nos primeiros seis meses do ano, a estatal registrou um prejuízo significativo de R$ 4,3 bilhões, valor que é três vezes maior do que o resultado obtido no mesmo período de 2022, quando o balanço já apresentava um déficit de R$ 1,3 bilhão.
Em vista de sua situação financeira, os Correios elaboraram um plano de reestruturação com o intuito de garantir a estabilidade da empresa para os próximos 12 meses. Entre as medidas previstas neste plano, estão a implementação de um programa de demissão voluntária, a remodelagem dos planos de saúde dos funcionários que permanecerem na empresa e a venda de imóveis.
Além disso, os Correios estavam projetando a obtenção de um empréstimo no valor de R$ 20 bilhões, com a intenção de reduzir o déficit até 2026 e retomar a lucratividade em 2027. Contudo, a estatal não conseguiu garantir o crédito e atualmente está em negociações com o Tesouro Nacional para obter a autorização necessária para continuar suas operações.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br