Cosan Intensifica Desalavancagem, Ganha Apoio Bancário e Aumenta Potencial de Valorização das Ações

Venda de Ativos e Redução da Dívida da Cosan (CSAN3)

A Cosan (BOV:CSAN3) conquistou novamente a atenção de analistas do mercado ao avançar em sua estratégia para a redução do endividamento. Após um período de forte desvalorização das ações, consequência de um follow-on realizado no final de 2025 e de um primeiro trimestre que não atendeu às expectativas, o cenário começou a mostrar sinais de uma recuperação consistente da holding. Essa recuperação é impulsionada, principalmente, pela implementação de uma agenda focada na venda de ativos.

Análise do BTG Pactual

O BTG Pactual observa que a operação em andamento indica que o processo de destravamento de valor da Cosan está ganhando ritmo. Embora a redução da dívida ainda dependa da continuidade da monetização de ativos, o banco afirma que o risco financeiro da empresa se tornou mais gerenciável, e a estratégia vem sendo executada de maneira consistente.

Os analistas ressaltam que parte dos ativos da holding apresenta um elevado potencial de monetização a curto prazo, o que pode aliviar a pressão sobre o fluxo de caixa. Mesmo após a captação de aproximadamente R$ 13 bilhões com a oferta subsequente de ações e a conclusão do IPO da Compass, a empresa ainda enfrenta despesas financeiras que superam os dividendos recebidos de seus investimentos.

O BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para as ações CSAN3, mantendo um preço-alvo de R$ 8 por ação. Além disso, o Bank of America também iniciou sua cobertura com recomendação de compra, fixando um preço-alvo de R$ 5,50 para o final de 2026. Essa avaliação é sustentada pela expectativa de uma gradual redução da dívida, aumento na geração de caixa e maior distribuição de dividendos pelas subsidiárias da Cosan.

Revisão de Expectativas pelo Bradesco BBI

Por outro lado, o Bradesco BBI revisou seu preço-alvo para as ações, reduzindo de R$ 7 para R$ 4,10 por ação. Essa revisão levou em conta as novas premissas relacionadas aos juros e ao custo de capital próprio. Apesar disso, o banco acredita que a recente desvalorização já precificou uma boa parte dos riscos, e ainda percebem um potencial de valorização para os papéis da companhia.

A execução eficaz da estratégia de monetização é considerada crucial para acelerar a redução da alavancagem da Cosan. Entre os ativos que podem ser considerados para eventual desinvestimento, destacam-se a Radar, a participação na Rumo (BOV) e, em um horizonte mais longo, a Moove.

Ativos com Potencial de Geração de Caixa

De acordo com o BTG Pactual, a Radar representa uma oportunidade significativa para a geração de caixa. O banco estima que a venda de cerca de 70 mil a 80 mil hectares de terras, mesmo com a consideração de um desconto de 15% sobre o valor de avaliação, poderia melhorar o fluxo de caixa anual da Cosan em cerca de R$ 500 milhões.

Com relação à Rumo, o mercado está atento às especulações sobre uma possível alienação parcial da participação da holding. Para os analistas, essa ação é uma das opções mais rápidas para fortalecer a estrutura de capital da companhia, especialmente considerando o elevado custo da dívida enfrentada pela controladora.

Por sua vez, a Compass é percebida como o principal ativo de criação de valor da Cosan no médio e longo prazo. O Bank of America acredita que essa unidade possui uma forte capacidade de crescimento e uma elevada geração de caixa, fatores que devem ampliá-la distribuição de dividendos para a holding nos próximos anos.

Desafios e Perspectivas Finais

Apesar da recente melhoria na percepção do mercado, os bancos ressaltam que a tese de investimento da Cosan continua a depender da execução do plano de desalavancagem. A própria empresa afirmou que seu objetivo permanece a redução da dívida líquida a zero nos próximos anos.

Ao final do primeiro trimestre de 2026, a holding reportou um fluxo de caixa negativo de R$ 1,9 bilhão. O BTG Pactual prevê que os dividendos recebidos devem totalizar R$ 2,8 bilhões até 2028, o que mais do que dobraria o montante acumulado nos últimos doze meses.

Além disso, os analistas destacam que o elevado custo médio da dívida, estimado em cerca de 15,5% ao ano, permanece um desafio significativo para a companhia. Essa condição torna a venda de ativos uma ferramenta importante para acelerar a recuperação financeira.

Desempenho das Ações no Mercado

Durante o pregão da última sexta-feira (19/06), as ações da Cosan apresentaram uma alta de 0,88%, sendo cotadas a R$ 3,43 às 14h39. O papel iniciou o dia a R$ 3,41, atingindo uma máxima de R$ 3,47 e mínima de R$ 3,38, refletindo um contínuo interesse dos investidores após a melhora nas perspectivas para a empresa.

Apesar de as ações ainda acumularem uma desvalorização significativa em relação ao seu pico nas últimas 52 semanas, quando atingiram R$ 8,05, a recente mudança de percepção entre os principais bancos de investimento tem contribuído para sustentar uma recuperação gradual dos papéis na bolsa de valores.

Fonte: br.-.com

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