CPFL Energia Registra Aumento de Lucro no Terceiro Trimestre
A CPFL Energia (CPFE3) reportou um crescimento no lucro líquido no terceiro trimestre, mesmo enfrentando um cenário desafiador e perdas em seu segmento de geração de energia renovável. O CEO da empresa afirmou à Reuters que uma solução para o ressarcimento devido aos cortes na produção de suas usinas eólicas está em andamento.
Resultados Financeiros
Na quinta-feira, a elétrica controlada pela empresa chinesa State Grid divulgou que obteve um lucro líquido de R$ 1,38 bilhão no terceiro trimestre, representando um aumento de 3,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado ultrapassou a expectativa média de analistas, que era de R$ 1,14 bilhão, conforme dados do IBES, da LSEG.
Adicionalmente, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia cresceu 0,3% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 3,16 bilhões, também superior à previsão do mercado, que era de R$ 2,98 bilhões.
Os números trimestrais refletiram, em grande parte, o desempenho das distribuidoras de energia do grupo, impulsionados por uma diminuição na provisão para devedores duvidosos, junto com uma melhora nos indicadores de perdas e reajustes tarifários.
Impactos no Setor de Geração de Energia
A divisão de geração de energia, por sua vez, ainda está enfrentando os efeitos dos cortes determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nas usinas renováveis. Para a CPFL, o chamado "curtailment" atingiu 37% da produção dos parques eólicos no trimestre, com um impacto financeiro de R$ 219 milhões. Em comparação, durante o mesmo período do ano anterior, o índice foi de 27%, resultando em uma perda de R$ 149 milhões.
O CEO da CPFL, Gustavo Estrella, mencionou que os níveis de restrição nas usinas tendem a aumentar, uma vez que não há uma solução técnica para essa situação, que se dá por um consumo insuficiente que não consegue absorver toda a oferta de energia, além de gargalos no sistema de transmissão.
Medidas Provisórias e Expectativas Futuras
Estrella comemorou a aprovação da Medida Provisória 1.304 pelo Congresso, que estabelece diretrizes para ressarcimento aos geradores de energia. O texto aguarda sanção presidencial.
De acordo com o CEO, "Agora, conseguimos calcular o valor do ressarcimento e poderei salvar pelo menos o resultado da empresa. O caixa, no entanto, pode apresentar desafios, dependendo de como será regulamentado e como receberemos, o que pode levar um tempo maior".
Ele ainda comentou que espera contabilizar o efeito do ressarcimento já no quarto trimestre, mas que o impacto no caixa pode ser sentido apenas no início do próximo ano.
Risco Hidrológico e Expectativas Para o Período Úmido
No terceiro trimestre, a empresa também enfrentou um impacto negativo relacionado ao risco hidrológico (GSF, na sigla em inglês), que se refere à geração efetiva das usinas hidrelétricas ficando abaixo dos volumes contratados. Ao se referir ao próximo período úmido, Estrella indicou que a expectativa é de “baixa hidrologia”, o que deve manter o preço da energia no mercado de curto prazo (PLD) em níveis elevados, mesmo frente a uma pressão de queda devido a uma demanda reduzida.
Ele observou que "o que temos presenciado são chuvas intensas, mas de curta duração, que não conseguem encher os reservatórios. Portanto, o cenário é de baixa hidrologia, e a expectativa é que o PLD continue em patamares mais altos nos próximos meses."
Novos Negócios e Oportunidades
A respeito de novas oportunidades comerciais, o executivo afirmou que a CPFL estará “mais competitiva” nos próximos leilões de transmissão de energia, tendo já adquirido um dos maiores lotes no único leilão desse tipo realizado neste ano.
Estrella acrescentou que "a cada leilão que vencemos, aumentamos os investimentos, expandimos nossa escala e adquirimos mais know-how, o que também nos faz mais competitivos."
A empresa está avaliando possibilidades no segmento de armazenamento de energia, não apenas em relação a baterias, mas considerando também usinas hidrelétricas reversíveis. "Isso pode se tornar um novo modelo de negócio para nós, escalável… Estamos, obviamente, esperando que as regras (para o armazenamento de energia) sejam definidas, mas há expectativas positivas acerca de que essas normas nos permitam fazer esse tipo de investimento", concluiu o CEO.
Fonte: www.moneytimes.com.br