Crédito deve aumentar em agosto impulsionado por recursos específicos.

Crédito deve aumentar em agosto impulsionado por recursos específicos.

by Ricardo Almeida
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Saldo da Carteira de Crédito no Brasil

O saldo total da carteira de crédito no Brasil deve ter registrado um crescimento de 0,7% em agosto. Esse aumento é impulsionado, principalmente, pelas linhas de recursos direcionados, que apresentam um crescimento estimado de 0,9%. Os dados são provenientes da Pesquisa Especial de Crédito da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Apesar dessa expansão mensal, a entidade observa uma perda de intensidade no ritmo de crescimento anual, que caiu de 10,7% para 10,3%. Essa mudança indica uma desaceleração gradual no mercado de crédito.

Metodologia da Pesquisa

A pesquisa é divulgada mensalmente como uma prévia da Nota de Crédito do Banco Central e utiliza dados consolidados dos maiores bancos do país. Os números oficiais devem ser apresentados pela autoridade monetária no dia 29 de setembro.

Crescimento por Segmento

O levantamento revela que a carteira direcionada a Pessoas Jurídicas deve ter crescido 1,2% em agosto, sustentada principalmente por programas públicos e recursos disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Consequentemente, essa carteira é a única a mostrar aceleração no ritmo anual, aumentando de 16,1% para 16,3%, alcançando um patamar que é considerado elevado.

No que diz respeito ao crédito direcionado às Pessoas Físicas, espera-se que tenha avançado 0,8% neste mesmo mês, porém em um ritmo mais fraco comparado ao ano de 2024, com uma desaceleração anual que passou de 10,7% para 10%. Essa movimentação é atribuída, principalmente, à deterioração do desempenho do crédito rural, que tem enfrentado um aumento na inadimplência dentro do setor.

Tendências no Crédito Livre

No segmento do crédito livre, a tendência de moderação se mantém. O saldo total deve ter crescido apenas 0,5% em agosto. Dentro desse cenário, a carteira direcionada a Pessoas Físicas deve ter avançado 0,7%, mantendo, assim, um ritmo anual praticamente estável em 12% (quando comparado a 12,1% anteriormente). Já a carteira de Pessoas Jurídicas direcionada deve ter obtido uma alta de apenas 0,2%, com uma desaceleração mais evidente, de 5,8% para 5,0% em um período de 12 meses. Esse resultado reflexivo é influenciado tanto pela política monetária contracionista quanto pelo aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para operações corporativas, com exceção do risco sacado.

Análise de Especialistas

Rubens Sardenberg, que atua como diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, destaca que “no geral, os números de agosto devem reforçar nossa leitura de uma desaceleração mais disseminada do crédito”. Ele ressalta que o crédito livre, por ser mais sensível à política monetária, exibe uma trajetória clara de diminuição de fôlego, especialmente nas operações financeiras voltadas para empresas. Sardenberg menciona também que as empresas percebem os efeitos da recente elevação do IOF, o que impacta ainda mais o cenário.

Em relação às famílias, Sardenberg observa que o crescimento permanece elevado, mas com um aspecto que causa preocupação: “Para as famílias, o movimento é mais contido, com o ritmo de crescimento ainda elevado, mas sustentado por uma deterioração na composição da carteira, com uma maior participação de linhas de crédito de maior risco, algo que merece atenção”.

Exceções e Perspectivas

Sardenberg complementa sua análise afirmando que “a exceção permanece com o crédito direcionado às empresas, que continua sendo impulsionado por programas públicos e recursos do BNDES, alcançando níveis elevados de crescimento e ajudando a atenuar a desaceleração do crédito agregado”. No entanto, ele alerta que esses estímulos não serão suficientes para impedir que a carteira total continue perdendo fôlego ao longo do segundo semestre do ano.

Concessões de Crédito

No que diz respeito às concessões de crédito, a pesquisa estima uma retração mensal de 4,0% em agosto. Entretanto, ao considerar o ajuste pelo número de dias úteis, houve uma expansão de 5,1%. Esse crescimento foi impulsionado pelo forte aumento das operações com recursos direcionados, que cresceu 24,2%. Comparando com agosto do ano de 2024, o crédito apresentava um crescimento de 3,3%, mas caiu 1,7% em termos reais, após descontar a inflação. Assim, o ritmo de expansão anual retrocedeu de 12,3% para 11,0%, reforçando os sinais de acomodação do mercado de crédito.

Impacto no Setor Bancário

Ainda que não haja cotações específicas anexadas, os dados revelam que a desaceleração no crédito deve ter um impacto direto no desempenho das empresas do setor bancário na bolsa de valores. As expectativas sobre rentabilidade e provisões para inadimplência devem ser influenciadas por essa situação. Além disso, os movimentos no setor bancário tendem a repercutir no câmbio e nas taxas de juros, uma vez que o crédito é um dos principais motores da atividade econômica.

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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