Crédito facilitado continua a estimular viagens, afirma FecomercioSP.

O turismo brasileiro alcançou um faturamento de R$ 143,1 bilhões durante o primeiro semestre deste ano, o que representa o maior resultado para esse período em 15 anos.

As informações são provenientes de um recente levantamento realizado pela FecomercioSP, que evidencia um desempenho significativo do setor, mesmo em um contexto econômico repleto de desafios.

Guilherme Dietze, membro do Conselho de Turismo da FecomercioSP, mencionou em entrevista ao CNN Money que a acessibilidade ao crédito tem sido um dos principais fatores que estimulam as viagens dos brasileiros.

“O crédito continua facilitado, permitindo que as famílias planejem suas férias e viagens durante o segundo semestre”, afirmou Dietze.

Crédito parcelado como motor do turismo

Dietze destacou que dados do Banco Central indicam que a concessão de crédito no cartão de crédito parcelado — um fator essencial que influencia as viagens dos brasileiros — está crescendo a uma taxa superior a 10%.

Conforme suas observações, mesmo em um cenário de juros altos, o crédito disponível tem ajudado as famílias a planejarem suas férias.

“Você se programa e, mesmo com este cenário de juros elevados, o crédito ainda está bastante disponível, e isso tem favorecido o desempenho do turismo nacional”, disse ele.

No entanto, o crescimento foi mais acentuado no primeiro trimestre do ano. No segundo trimestre, a variação foi mais modesta, com uma queda no número de passageiros registrados em junho em comparação ao mesmo mês do ano anterior.

No entanto, em julho, os dados voltaram a apresentar resultados positivos, registrando uma alta de 3% no indicador RPK (passageiro por quilômetro transportado) e um aumento de 2% no número total de passageiros.

Perspectivas para o segundo semestre

Para o restante do ano, Dietze previu um crescimento menor, mas continuando a ser positivo. “Devemos encerrar o ano com um aumento em torno de 4% em comparação ao ano anterior, alcançando também um recorde histórico”, afirmou.

Ele reconheceu que a presença de desafios, como juros altos e inadimplência, pode limitar uma expansão mais robusta, mas descartou a possibilidade de uma tendência negativa para o setor.

Com relação ao impacto do câmbio, Dietze avaliou que a estabilidade relativa do dólar — variando entre R$ 5,10 e R$ 5,20 — não representa uma preocupação significativa para o turismo internacional.

“O problema do câmbio não reside na magnitude da sua variação, mas sim na ausência de oscilações”, explicou, acrescentando que a estabilidade permite ao turista planejar seus gastos com maior previsibilidade.

Turismo nacional em ascensão e efeito eleitoral

Dietze também ressaltou o crescimento do turismo doméstico, que, segundo ele, foi impulsionado por uma mudança no comportamento dos brasileiros após a pandemia.

“As pessoas estão cada vez mais descobrindo destinos no Brasil, seja à beira-mar ou em áreas naturais, que atendem ao seu orçamento e oferecem boas experiências”, afirmou.

Ele também mencionou o fenômeno do overtourism em destinos europeus como um fator que pode beneficiar a atratividade de turistas internacionais para o Brasil.

No que diz respeito ao calendário eleitoral, Dietze afirmou que espera-se um impacto sobre o turismo corporativo, embora não seja uma novidade.

Ele observou que as empresas frequentemente reorganizam seus eventos, convenções e reuniões para novembro e para a primeira quinzena de dezembro, evitando, assim, realizar atividades no período eleitoral de outubro.

“As empresas não suspendem seus eventos, mas ajustam suas programações ao calendário”, concluiu.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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