Crédito privado se torna mais atrativo após recente turbulência, ressalta gestor da BTG Asset.

Mercado de Crédito Privado: Avaliações e Perspectivas

O mercado de crédito privado, que compreende debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e títulos bancários, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), enfrentou meses desafiadores no início de 2026. No entanto, o panorama atual parece mais promissor para novas alocações. Essa é a avaliação de Guilherme Mattioli, sócio e gestor da BTG Pactual Asset Management.

Situação Atual do Mercado

Durante sua participação no ETF Day, um evento organizado pelo banco para assessores de investimentos, Mattioli ressaltou que a instituição não observa um problema estrutural no mercado de crédito, como uma deterioração generalizada das empresas ou uma onda significativa de inadimplência.

Ajustes nos Preços e Taxas

De acordo com o gestor, os recentes ajustes nos preços e nas taxas dos títulos criaram oportunidades para um aumento nas posições em renda fixa privada. “Antes tínhamos uma posição mais líquida, mas agora há espaço para um movimento de alocação mais robusto”, disse Mattioli.

Pressões Recentes no Mercado

Nos últimos meses, o mercado enfrentou pressão devido a uma série de recuperações judiciais e extrajudiciais de empresas, bem como eventos relacionados a instituições financeiras, como o caso do Banco Master. Paralelamente, a taxa Selic em patamares elevados impulsionou a demanda por ativos de crédito privado no ano anterior, resultando na compressão dos spreads e na diminuição do prêmio pago aos investidores.

Efeitos da Compressão de Spreads

Com a compressão dos spreads, diversos papéis passaram a oferecer uma remuneração considerada abaixo do ideal, diante do risco de crédito associado aos emissores. Este cenário, somado aos eventos recentes de estresse no mercado, provocou uma onda de vendas de títulos e resgates de fundos de crédito privado.

Reabertura dos Spreads

A consequência desse movimento foi a reabertura dos spreads, o que, segundo a visão da BTG Asset, fez com que os rendimentos se tornassem mais condizentes com os riscos assumidos pelos investidores. Mattioli também destacou que o mercado de crédito privado brasileiro se tornou mais desenvolvido e líquido ao longo da última década.

Evolução do Mercado Secundário

Diferente de tempos anterior, em que os investidores mantinham os títulos até o vencimento, hoje existe um mercado secundário mais dinâmico para a negociação desses ativos. Essa mudança fez com que debêntures, CRIs, CRAs e Letras Financeiras reagissem de maneira mais rápida a fatores macroeconômicos, geopolíticos e aos resultados corporativos, aproximando o comportamento desses ativos ao observado no mercado de ações.

Volatilidade e Gestão Ativa

Na análise do gestor, essa transformação resultou em um aumento da volatilidade dos fundos de crédito, mas também fortaleceu a necessidade de uma gestão ativa dentro dessa classe de ativos. “Os investidores podem ficar um pouco inquietos, mas, de modo geral, o mercado está mais maduro. Eles estão começando a entender as razões por trás dessas oscilações”, afirmou Mattioli.

Fragilidades Empresariais

Sobre os incidentes recentes envolvendo empresas como o Grupo Pão de Açúcar, Braskem e Raízen, Mattioli apontou que muitas dessas companhias já mostravam sinais de fragilidade antes da deterioração do cenário. Ele salientou que, de forma geral, as empresas ainda se mostram relativamente preparadas para enfrentar um período prolongado de juros elevados.

DEBB11 e Vantagens dos ETFs de Crédito

O gestor aproveitou a ocasião para discutir o DEBB11, um ETF de debêntures administrado pela BTG Pactual Asset Management, que replicará um índice formado por títulos indexados ao CDI de grandes empresas. Atualmente, o fundo conta com mais de 200 ativos em sua carteira.

Benefícios dos ETFs de Crédito Privado

De acordo com Mattioli, os ETFs focados em crédito privado oferecem vantagens em relação à compra direta de debêntures ou aos fundos tradicionais, principalmente em questões de liquidez, diversificação e tributação. As cotas desses ETFs são negociadas em bolsa, o que proporciona aos investidores um acesso mais fácil e pulverizado ao mercado, com um valor de investimento relativamente baixo.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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