Crescimento das Exportações da China em Agosto
O crescimento das exportações da China não atendeu às expectativas em agosto, conforme a atividade antecipada das empresas, que tinha como objetivo evitar tarifas mais altas nos Estados Unidos, perdeu força. Além disso, as importações também cresceram menos do que o esperado, evidenciando uma demanda interna ainda fraca.
De acordo com dados da alfândega divulgados na segunda-feira, as exportações aumentaram 4,4% em agosto, em termos de dólares americanos, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Este índice representa o nível mais baixo desde fevereiro e ficou aquém das estimativas de economistas consultados pela Reuters, que previam um aumento de 5,0%.
Contexto do Crescimento das Exportações
O crescimento das exportações desacelerou em relação aos dois meses anteriores, sendo esse fenômeno, em parte, resultado de um efeito estatístico gerado por uma base alta no ano passado, quando as exportações da China cresceram em seu ritmo mais rápido em quase um ano e meio.
Situação das Importações
As importações da China registraram um aumento de 1,3% no último mês em relação ao ano anterior, também não alcançando as estimativas da Reuters, que esperavam um crescimento de 3%. Essa foi a terceira alta consecutiva nas importações após um retorno ao crescimento em junho, embora o aumento ainda seja contido devido ao persistente declínio no setor imobiliário e ao aumento da insegurança no emprego, entre outros fatores.
Diversificação de Mercados
A China tem cada vez mais buscado depender de mercados alternativos, especialmente na região do Sudeste Asiático, em nações da União Europeia, na África e na América Latina. Esta mudança ocorreu em resposta à política comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pressionou as remessas destinadas ao mercado americano.
Apesar dessa diversificação, nenhum país se aproxima do volume de comércio que a China mantém com os Estados Unidos, que continua a ser o maior parceiro comercial da China em termos de país único, absorvendo US$ 283 bilhões em bens chineses até agosto deste ano. As exportações para a União Europeia atingiram US$ 541 bilhões no mesmo período.
Prorrogação da Trégua Tarifária
No dia 11 de agosto, Pequim e Washington concordaram em estender a trégua tarifária por mais 90 dias, mantendo em vigor as tarifas dos Estados Unidos de cerca de 55% sobre as importações chinesas e 30% das taxas chinesas sobre produtos dos EUA, conforme informações do Peterson Institute for International Economics.
Entretanto, as negociações bilaterais parecem estar enfrentando desafios para alcançar um avanço significativo, uma vez que a visita do principal negociador comercial da China, Li Chenggang, a Washington, no final de agosto, resultou em poucos progressos.
Táticas para Contornar Tarifas
Os exportadores chineses também têm recorrido a rotas de envio para terceiros países na tentativa de contornar as tarifas americanas. No entanto, essa tática está sob crescente escrutínio dos EUA sobre as chamadas "transmissões terceirizadas", que, segundo analistas, podem impactar negativamente as exportações chinesas nos próximos meses.
Em julho, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 40% sobre quaisquer remessas que Washington determinar como "transmitidas".
Indicadores do Setor de Exportações
Uma pesquisa privada voltada para exportações, realizada pelo RatingDog, mostrou que o índice de gerentes de compras da manufatura da China ultrapassou as expectativas em agosto, impulsionado por uma recuperação nos novos pedidos de exportação, sugerindo uma demanda externa ainda resiliente.
Expectativas para a Inflação
A China está programada para divulgar duas medidas de inflação muito observadas ao longo desta semana: o índice de preços ao consumidor e o índice de preços ao produtor.
O Goldman Sachs projeta que a inflação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) permanecerá "profundamente negativa", com uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, embora se espere que a leitura mensal se torne positiva devido às políticas de "anti-involução" de Pequim, que visam reduzir cortes excessivos de preços e aumentar recentemente os preços das matérias-primas.
Além disso, o banco de Wall Street prevê que a inflação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) será "moderadamente negativa", com uma queda de 0,2% em relação ao mês passado, comparado ao mesmo período do ano anterior.