Perdas da Indústria Brasileira com o Mercado Ilícito
A pesquisa intitulada Sondagem Especial Brasil Legal, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revelou que o setor industrial no Brasil enfrenta uma perda significativa, estimada em pelo menos R$ 107 bilhões anualmente, devido ao mercado ilícito e a crimes diversos.
Impacto nas Empresas do Setor Industrial
De acordo com a consulta realizada em novembro do ano anterior, aproximadamente um terço das empresas do setor industrial experimentou efeitos adversos resultantes de práticas ilegais, resultando em uma perda de receita líquida de vendas de R$ 39 bilhões. O levantamento coletou informações de 1.398 empresas, abrangendo 32 setores industriais de diferentes portes em todo o país.
Para 50% das empresas afetadas, a perda de receita bruta foi identificada como a principal consequência negativa. A perda de participação de mercado seguiu em segundo lugar, apontada por 30% dos entrevistados, enquanto 28% mencionaram um aumento nos custos com segurança.
Além dessa diminuição na lucratividade, a indústria sofre ainda com custos adicionais relacionados à prevenção de atos ilícitos, que superam as perdas diretas causadas por tais práticas. Segundo a CNI, os gastos com segurança, incluindo proteção patrimonial e cibernética, correspondem a 1,1% da receita líquida das empresas, resultando em um impacto total de R$ 68,5 bilhões.
Fabrício Silveira, superintendente de Política Industrial da CNI, destacou que o investimento em segurança digital ainda é insuficiente. Ele afirmou: "Ainda que as ameaças estejam se tornando progressivamente mais sofisticadas, o nível de investimento das empresas permanece limitado. A sondagem especial demonstra que cerca de 77,1% das empresas brasileiras alocam apenas 1% ou menos de seu orçamento para medidas de cibersegurança. É fundamental que a segurança cibernética passe a ter um papel mais estratégico no combate às ilegalidades."
Impacto sobre Pequenas e Médias Empresas
Cerca de 31% das empresas que participaram da pesquisa relataram que suas atividades foram prejudicadas. Esse impacto é mais evidente entre médias e grandes empresas, que apresentam percentuais de 32% e 33%, respectivamente, em comparação a 25% das pequenas empresas.
Fabrício Silveira concluiu que o impacto negativo médio verificado nas pequenas empresas corresponde a 0,6% da receita líquida anual. Para as médias empresas, o percentual sobe para 0,8%, enquanto nas grandes o impacto é menor, 0,4%. Esses dados indicam uma maior vulnerabilidade ao risco econômico decorrente de atividades ilícitas entre as pequenas e médias empresas.
Roubo de Carga: O Crime Mais Comum
Segundo os resultados da pesquisa, o roubo de carga se destaca como o crime mais frequente enfrentado pelas grandes indústrias, afetando 32% delas diretamente. No estado do Rio de Janeiro, a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) estimou, no ano passado, um prejuízo de R$ 314 milhões, com uma média de oito caminhões sendo atacados diariamente.
Demandas por Aumento de Fiscalização
A Sondagem também investigou quais medidas poderiam ser implementadas para atenuar os danos perpetrados pelo crime no setor industrial. Uma maioria significativa, 77%, apontou o aumento da fiscalização e do controle como a principal estratégia para combater os efeitos das ilegalidades. Além disso, 46% dos entrevistados acreditam que o investimento em ações de inteligência poderia ser eficaz, enquanto 36% sustentam que um endurecimento da legislação seria benéfico.
Adicionalmente, 41% das empresas destacaram a necessidade de fortalecimento dos órgãos de segurança pública estaduais, como as polícias Civil e Militar, uma vez que o crime costuma atuar em mercados locais físicos e nas rotas de transporte. Logo em seguida, 38% dos entrevistados indicaram a Polícia Federal como um órgão que necessitaria de atenção, e 36% mencionaram a Receita Federal, ressaltando a importância do fortalecimento do combate a esquemas estruturados e a defesa de portos, aeroportos e fronteiras.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br