Crise do petróleo não deve desencadear mercado em baixa, afirma Sam Stovall da CFRA.

Aumento nos Preços do Petróleo e Suas Implicações no Mercado de Ações dos EUA

Embora os preços do petróleo tenham subido de forma significativa após o início da guerra no Irã, a interrupção nos mercados de energia não deve resultar em uma queda acentuada nas ações dos Estados Unidos, segundo Sam Stovall, do CFRA Research. A guerra, atualmente em sua terceira semana, provocou a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história ao fechar o Estreito de Hormuz, o que fez com que os preços do petróleo ultrapassassem a marca de US$ 100 por barril.

Preocupações com a Inflação e o Crescimento Econômico

As ações sofreram vendas devido ao aumento das preocupações de que a inflação possa aumentar, levando a uma desaceleração no crescimento econômico e, consequentemente, à estagflação. Apesar desse cenário, o índice S&P 500 ainda se encontra a menos de 5% de seu recorde histórico, alcançado no final de janeiro, quando atingiu 7.002 pontos. Se o índice ultrapassar a marca de 5% nesta semana, será a primeira vez em mais de 47 dias desde que atingiu esse pico, o que não está alinhado com as tendências históricas.

Tendências Históricas do S&P 500

O S&P 500, segundo Stovall, que é o estrategista-chefe de investimentos do CFRA, normalmente leva, em média, apenas 28 dias para recuar entre 5% e 9,9%. Em casos de correção, o índice demora uma média de 80 dias para cair entre 10% e 19,9% em relação a um recente ponto alto. Para entrar em um mercado em baixa, onde a queda é de 20% ou mais, o tempo médio é de 245 dias.

"Embora a história deva ser vista como um guia e nunca como um dogma, o S&P 500 não caiu em um mercado em baixa desde a Segunda Guerra Mundial quando levou mais de 40 dias para entrar em um retrocesso, possivelmente dando aos investidores tempo suficiente para avaliar a probabilidade de que a crise atual exija tal venda", afirmou Stovall em uma comunicação enviada a seus clientes na segunda-feira.

Expectativas para o Mercado

Dessa forma, embora os investidores não devam descartar a possibilidade de uma maior queda no índice, o tempo que tem levado para o S&P 500 sequer se aproximar de um retrocesso mostra que, apesar de uma correção ser "altamente provável", um mercado em baixa não parece ser iminente, segundo Stovall.

Entretanto, a equipe de Estratégia de Energia do CFRA projeta que os preços do petróleo bruto continuarão a subir e se manterão acima da marca de US$ 100. Na segunda-feira, os futuros de petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA caíram mais de 3%, negociando em torno de US$ 95, enquanto os futuros do Brent caíram 1%, ficando perto de US$ 102.

Impacto no Federal Reserve

Embora o risco de uma inflação mais rápida, resultante do aumento nos preços do petróleo, possa prejudicar as perspectivas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve ainda neste ano, o mercado financeiro em Wall Street mantém uma visão otimista, acreditando que o aumento dos preços de energia não afetará severamente as ações.

“O comportamento dos investidores se tornou mais confortável operando em meio à incerteza, em vez de esperar que ela se dissipe”, destacou a equipe de negociação da Morgan Stanley em uma nota, acrescentando que a base fundamental do mercado sugere uma certa força. Os traders citaram o momento positivo dos lucros, o investimento contínuo em infraestrutura de inteligência artificial e uma política governamental que continua a ser “amplamente favorável”.

Considerações Finais sobre o Comportamento do Mercado

“Atualmente, o mercado parece satisfeito em fazer o que costuma fazer de melhor – digerir um ambiente complicado, peça por peça”, escreveram os traders da Morgan Stanley. “E se as últimas semanas nos ensinaram algo, é que paciência e perspectiva continuam a ser alguns dos ativos mais valiosos que os investidores podem carregar para enfrentar o que vier pela frente. Mantenham-se flexíveis!”

Fonte: www.cnbc.com

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