Relação Tensa entre os EUA e a Europa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, posam para uma foto com líderes europeus após uma reunião no Salão Oval da Casa Branca em 18 de agosto de 2025, em Washington, D.C.
Embora já seja evidente para a Europa há algum tempo que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não é um grande admirador da região, as recentes críticas do presidente às lideranças do continente provocaram reações negativas — especialmente em um momento em que o bloco busca demonstrar mais determinação e autoridade.
Trump provocou novamente a indignação entre seus aliados europeus ao descrevê-los como “fracos” e à frente de uma região “decadente” em uma entrevista ao Politico, publicada na terça-feira. Ao criticar a resposta da Europa frente à imigração e à guerra na Ucrânia, Trump afirmou: “Eu acho que eles não sabem o que fazer.”
Esse comentário será especialmente impactante para a Europa, que tem se empenhado nos últimos dias, semanas e meses para apoiar a Ucrânia, seja de forma militar, diplomática ou financeira — esforços que Trump frequentemente tem minimizado.
Em contrapartida, a Europa tem assistido à realização de diálogos entre funcionários do governo dos EUA e seus homólogos da Rússia e da Ucrânia a respeito de um esboço de plano de paz para a Ucrânia, sem ter um espaço à mesa. É importante destacar que a resolução do conflito, que já dura quase quatro anos, e a forma que isso tomará é considerada, por analistas e líderes europeus, crucial para a segurança futura da região.
De fato, os comentários de Trump surgiram apenas um dia após a visita do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy a Londres, onde se reuniu com líderes europeus para discutir esforços conjuntos para encerrar a guerra. Os líderes enfatizaram a necessidade de garantias de segurança para a Ucrânia em qualquer acordo de paz e expressaram sua oposição à exigência da Rússia para que a Ucrânia ceda território como parte de um eventual acordo.
Discussões sobre Futuro da Ucrânia
Trump tem oscilado no tema, sugerindo anteriormente que a Ucrânia deveria abrir mão de terras e, em outros momentos, afirmando que Kyiv poderia recuperar os territórios perdidos.
Na semana passada, os líderes europeus também abordaram a delicada questão do financiamento futuro para o país, um tema que tem gerado descontentamento para Trump. Os líderes afirmaram que “progresso positivo” foi alcançado em relação ao uso de ativos russos congelados para apoiar a reconstrução da Ucrânia após a guerra, embora tal movimento enfrente obstáculos e oposição de alguns países da União Europeia.
Trump parece indiferente aos esforços diplomáticos da Europa, recentemente. Quando questionado pela Politico se a Europa poderia ajudar a acabar com a guerra, ele declarou: “Eles falam, mas não produzem. E a guerra continua se arrastando.”
Mudança Sísmica em uma Aliança Antiga
Não há dúvida de que Trump tem uma relação complicada com a Europa e seus líderes, demonstrando que se dá bem com alguns — como os primeiros-ministros do Reino Unido e da Itália, Keir Starmer e Giorgia Meloni, e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte — mas não tanto com outros.
Trump mantém uma relação um tanto awkward de “inimigo íntimo” com o presidente francês Emmanuel Macron, a quem já elogiou e criticou, e não parece ter uma ligação natural com o sério chanceler alemão Friedrich Merz. Também parece ter uma relação tensa com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Desmerecer seus rivais políticos não é uma novidade para Trump, mas o que mais choca a Europa é que ele parece disposto a abrir mão de amigos de longa data e alianças testadas e validadas, que existem desde a Segunda Guerra Mundial.
A Europa já havia sido alertada na semana passada, quando a nova estratégia de segurança nacional de Trump afirmou que a região corria o risco de “apagamento civilizacional” nos próximos 20 anos e questionou se os países europeus poderiam “continuar sendo aliados confiáveis”. Em resposta, a estratégia sugeria que Washington deveria restabelecer a estabilidade estratégica com a Rússia. O Kremlin elogiou a nova estratégia, afirmando que ela se alinha em grande parte com a “visão” da Rússia.
Os analistas afirmam que essa estratégia de segurança sinaliza uma mudança significativa nas relações entre os EUA e a Europa e deveria servir como um alerta para o continente.
“A visão de Trump está clara” no novo documento de segurança nacional dos EUA, comentou Ian Bremmer, fundador e presidente do Eurasia Group, na terça-feira. “Uma Europa unida e forte é uma ameaça, não um ativo. O Kremlin chama o documento de ‘alinhado’ com os interesses russos. Isso deve fazer todas as capitais da OTAN prestarem atenção,” acrescentou em comentários na plataforma social X.
Bremmer destacou que a relação transatlântica foi a mais forte do mundo até este momento, mas isso mudou sob a administração Trump.
“O presidente Trump acredita que uma Europa forte não está nos interesses dos EUA, especialmente uma Europa coordenada. Ele não gosta da União Europeia… O problema dele é que a UE, unida, tem a capacidade de dizer a Trump coisas que ele não gosta de ouvir,” completou Bremmer.
Fonte: www.cnbc.com