A Crise Energética em Cuba
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, fez declarações contundentes na quarta-feira, criticando as "quase diárias" ameaças dos Estados Unidos e comprometendo-se a resistir de forma "inflexível" à tentativa da administração Trump de restringir os suprimentos de combustível da ilha. Essas afirmações surgem após a nação comunista, que possui uma população de aproximadamente 10 milhões de pessoas, ter reconectado parcialmente sua rede elétrica na noite de terça-feira, segundo informações de autoridades do setor energético, após um apagão em todo o país que durou mais de 29 horas.
Restaurando a Energia
A operadora da rede elétrica de Cuba, a UNE, informou por meio das redes sociais que estava restaurando eletricidade gradualmente em todas as províncias e cidades do país, embora não tenha fornecido detalhes sobre as causas do colapso da rede elétrica. O país, localizado a apenas 145 quilômetros da Florida, enfrenta atualmente seu maior desafio desde a queda da União Soviética.
Bloqueio de Combustíveis
Desde janeiro, os Estados Unidos impuseram um bloqueio ao óleo da ilha, logo após que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, um aliado importante e fornecedor de petróleo, foi tomado em uma ousada operação militar. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, efetivamente cortou o fornecimento de petróleo venezuelano a Cuba, descrevendo o governo cubano como uma "ameaça incomum e extraordinária" e prometendo impostos sobre qualquer nação que fornecesse petróleo à ilha.
Recentemente, Trump mencionou a possibilidade de uma "tomada amistosa" de Havana, afirmando que a Casa Branca poderia se voltar para Cuba após o conflito com o Irã. O presidente dos EUA também afirmou que poderia fazer o que quisesse com o país, alegando que teria a "honra" de "tomar Cuba".
Crítica às Ameaças dos EUA
Miguel Díaz-Canel criticou severamente as ameaças feitas pelos Estados Unidos em relação a Havana em uma postagem nas redes sociais. "Eles pretendem… anunciar planos para assumir o país, seus recursos, suas propriedades e até mesmo a economia que buscam sufocar para nos forçar à rendição", afirmou Díaz-Canel na quarta-feira em uma postagem no X, conforme tradução do Google.
O presidente cubano explicou que "essa é a única maneira de explicar a feroz guerra econômica que está sendo travada como uma punição coletiva contra todo o povo. Diante do pior cenário, #Cuba é guiada por uma certeza: qualquer agressor externo enfrentará resistência inabalável", acrescentou.
Díaz-Canel também confirmou que houve conversas entre o governo cubano e a administração Trump na semana passada, mas advertiu que qualquer possibilidade de um acordo provavelmente levaria algum tempo.
Crescimento do Descontentamento
Ademais, o governo cubano adotou medidas de racionamento de energia doméstica e busca aumentar drasticamente a geração de energia solar em meio à escassez de combustível. No entanto, analistas alertaram que a mudança de Cuba para fontes de energia renováveis pode ser um caso de "tarde demais", dado o histórico de falhas do país em diversificar sua matriz energética.
Tensões Crescentes
“Com a rede elétrica de Cuba à beira do colapso total, os eventos podem sobrepor tanto o regime quanto Washington. Embora as forças de segurança leais ainda consigam suprimir a agitação em níveis atuais, o descontentamento está aumentando”, comentou um analista.
Robert Munks, chefe de pesquisa sobre as Américas na empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft, mencionou em uma nota de pesquisa que “o plano dos Estados Unidos para Cuba é incerto e poderia ser facilmente ditado por eventos em rápida evolução em vez de uma estratégia clara”.
Apoio Internacional
A Rússia, que tem sido aliada de Cuba há décadas, procurou na terça-feira reafirmar seu compromisso em ajudar as autoridades de Havana em meio à crise econômica do país.
Fonte: www.cnbc.com


