Cury (CURY3) Apresenta Resultados Sólidos no 1T26
As ações da Cury (CURY3), reconhecida como uma das principais construtoras do programa Minha Casa Minha Vida, destacaram-se na quarta-feira (13) como a segunda maior alta do Ibovespa (IBOV), apresentando um crescimento superior a 6% em seu ponto máximo, após a divulgação de resultados considerados robustos pelo mercado no primeiro trimestre de 2026 (1T26).
Lucro Líquido e Fatores Impulsionadores
A construtora reportou um lucro líquido de R$ 302,9 milhões no referido período, o que representa um aumento de 41,9% em comparação ao mesmo trimestre de 2025. Essa evolução é atribuída ao incremento no volume de lançamentos e vendas de imóveis, além do aumento nos preços e à eficaz gestão dos custos. O impacto positivo de tais fatores contribuiu para um crescimento significativo da receita e a diluição das despesas.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) alcançou R$ 411,4 milhões, o que representa uma alta de 42,9% em relação ao ano anterior. A margem Ebitda situou-se em 25,5%, o que corresponde a um crescimento de 1,8 ponto percentual.
Cerca de 12h08 (horário de Brasília), as ações da CURY3 registravam um avanço de 5,82%, cotadas a R$ 32,18. Nesse mesmo horário, o Ibovespa apresentava uma leve queda de 0,04%, situando-se aos 180.268,39 pontos.
Avaliação dos Analistas
A avaliação de analistas sobre a companhia destaca o elevado retorno sobre patrimônio líquido (ROE), um fluxo de caixa livre (FCF) sólido e a divulgação de dividendos atrativos como principais fatores positivos para a Cury. As instituições BTG Pactual, XP Investimentos e Itaú BBA recomendam compra das ações da empresa.
Resultados Superam Expectativas
Para o BTG Pactual, os resultados apresentados pela Cury no 1T26 foram considerados robustos, com uma notável expansão no balanço comparado à base anual. O ROE foi de 79,5%, refletindo um avanço de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior, e o lucro por ação (EPS) superou as expectativas do banco e do mercado, alcançando R$ 0,98, um crescimento anual de 33%, e 7% acima das projeções do BTG. Essa evolução foi atribuída a uma receita ligeiramente superior, combinada com despesas administrativas e comerciais (SG&A) que estiveram abaixo do esperado.
O banco também destacou uma geração sólida de fluxo de caixa livre de R$ 91 milhões, impulsionada principalmente por um aumento nas cessões de recebíveis a instituições financeiras. Em consequência, a Cury manteve um balanço patrimonial robusto, encerrando o trimestre com uma posição líquida de caixa de R$ 407 milhões.
Além disso, o BTG mencionou que, apesar de um ajuste nos custos de construção que ainda estão a ser incorridos em alguns projetos devido a pressões inflacionárias, a margem do backlog permaneceu alta.
Dividendos e Expectativas do Mercado
A companhia anunciou a distribuição de R$ 160 milhões em dividendos, programados para pagamento em 28 de maio, sendo que as ações começarão a ser negociadas “ex-dividendos” a partir de 18 de maio. Até agora, no ano, a Cury já acumulou R$ 300 milhões em dividendos anunciados para 2026.
O BTG Pactual espera uma reação positiva do mercado com relação aos resultados do 1T, dada a percepção anterior de que os investidores estavam excessivamente pessimistas quanto aos potenciais impactos dos custos de construção nas margens da empresa. A instituição reiterou sua recomendação de compra, considerando a boa performance no segmento do Minha Casa Minha Vida, a execução exemplar da construtora, bem como a avaliação da ação sendo atrativa, cotada a aproximadamente 7 vezes o múltiplo preço-lucro (P/L) projetado para 2026.
Os analistas do BTG estabeleceram um preço-alvo de R$ 44 para as ações CURY3, indicando um potencial de valorização de 44,7% em relação ao fechamento anterior.
Desempenho do Lucro e Fluxo de Caixa na Análise do Itaú BBA
Do ponto de vista do Itaú BBA, os resultados da Cury no 1T26 também foram considerados sólidos, com o EPS apresentando uma superação de 8% em relação às próprias estimativas do banco, impulsionado por vendas robustas e reconhecimento de receitas, além de despesas comerciais que ficaram abaixo do esperado. O fluxo de caixa livre (FCF) também se mostrou superior às projeções.
O Itaú BBA observou que a margem bruta reduziu em 130 pontos base em comparação ao trimestre anterior, estabelecendo-se em 39,0%, refletindo as expectativas de inflação mais alta nos custos de construção que foram incorporadas aos orçamentos dos projetos. Contudo, a margem do backlog diminuiu apenas 40 pontos base na comparação trimestral, permanecendo em significativos 42,9%.
O banco observou que, apesar da incerteza em torno da magnitude da inflação dos custos de construção para 2026, em virtude de possíveis consequências da elevação do preço do petróleo sobre os materiais de construção, especialmente se a situação do conflito se prolongar, a resiliência das margens do backlog foi considerada encorajadora, considerando o cenário desafiador vigente.
Embora a Cury continue entre as construtoras de baixa renda mais expostas a este ciclo de custos crescentes, acredita-se que sua execução de alta qualidade permitirá sustentar vendas resilientes e implementar aumentos de preços que podem mitigar parte da pressão sobre as margens.
Nesta perspectiva, o Itaú BBA citou que a avaliação da empresa continua atrativa, com múltiplos de P/L ajustados estimados em 7,7x e 5,5x para os anos de 2026 e 2027, respectivamente. O banco manteve um preço-alvo de R$ 38, implicando um potencial de valorização de 43% em relação ao último fechamento.
Cury: Top Pick da XP Investimentos
A XP Investimentos considerou que os resultados financeiros da Cury superaram as expectativas previamente altas da corretora, principalmente devido ao forte crescimento da receita, resiliência da margem bruta, expansão do backlog e controle de despesas que foi melhor do que o projetado.
Essa performance resultou em níveis significativamente atrativos de retorno sobre patrimônio líquido (ROE), que atingiu 79,5% (+12 pontos percentuais), destacando a companhia entre os players do setor e justificando um valuation superior.
A XP também enfatizou a robusta geração de caixa que possibilitou a distribuição de R$ 160 milhões em dividendos, avaliada de forma extremamente positiva pelos analistas Ygor Altero e João Rodrigues.
Consequentemente, a corretora indicou a Cury como uma das suas principais escolhas no setor, considerando fatores como:
- Crescimento do lucro por ação;
- Geração robusta de caixa;
- Distribuição atrativa de dividendos.
Fonte: www.moneytimes.com.br