Custo médio de um encontro entre millennials é de R$ 252, revela pesquisa da BMO

Discussões sobre “date-flation”

As preocupações relacionadas à inflação estão sendo refletidas nas discussões sobre “date-flation” nas redes sociais, conforme usuários reagem a uma estatística surpreendente: os Millennials gastam, em média, US$ 252 em um encontro. Este dado, relatado pela CNBC em abril, é resultado do BMO Financial Group’s 2026 BMO Real Financial Progress Index.

O valor médio total gasto em um encontro nos Estados Unidos — que inclui desde cuidados pessoais antes do encontro, combustível, até o custo da própria atividade — subiu para US$ 189, representando um aumento de 12,5% em relação ao ano anterior, segundo a pesquisa realizada pelo BMO. O termo “date-flation”, usado no relatório, supera em muito o aumento de 2,7% da inflação registrado no mesmo período.

Os Millennials relataram o custo médio por encontro mais alto e o maior aumento percentual ano após ano, segundo os dados geracionais do BMO:

  • Geração Z: US$ 205, aumento em relação a US$ 194
  • Millennials: US$ 252, aumento em relação a US$ 191
  • Geração X: US$ 173, aumento em relação a US$ 172
  • Baby Boomers: US$ 126, redução em relação a US$ 127

O banco entrevistou 2.501 adultos entre o final de dezembro e o início de janeiro. Desde então, a inflação se agravou. O índice de preços ao consumidor subiu 3,8% ano a ano em abril de 2026, de acordo com os últimos dados do Bureau of Labor Statistics.

Impactos dos custos sobre os hábitos de namoro

Especialistas afirmam que os custos mais altos estão gerando um efeito em cadeia nos hábitos de namoro.

“Estamos observando que o aumento do custo de vida está reduzindo nossa frequência de encontros e a maneira como enxergamos ou percebemos o namoro”, afirmou a psicóloga clínica Sabrina Romanoff à CNBC. “Estamos notando que as pessoas estão saindo menos para jantares e que há uma menor tolerância para encontros que envolvem mais riscos.”

Cerca de metade dos americanos que namoram ou estão abertos a namorar relatou ter ido a menos encontros ou escolhido atividades menos caras por causa da inflação ou do alto custo de vida, conforme constatou o BMO. Mais de 40% (44%) informaram que mudaram ou ajustaram planos de encontros por motivos financeiros.

O número de encontros está diminuindo. O americano médio que saiu em um encontro relata ter ido a cerca de 12 encontros no último ano, uma diminuição em comparação com aproximadamente 14 encontros em 2025, segundo dados do BMO.

Quem paga quando os encontros custam tanto?

Os preços mais altos também estão complicando uma das questões mais antigas do namoro: quem paga?

Pesquisa do BMO identificou uma significativa divisão de expectativas entre os gêneros no início de um relacionamento. Quase três em cada quatro homens (71%) afirmaram que esperam pagar por tudo em um encontro inicial. Entre as mulheres, 52% disseram esperar dividir os custos de forma relativamente equilibrada, embora 38% afirmem que esperam que a outra pessoa arque com todos os custos.

A socióloga Jess Carbino, que trabalhou para plataformas como Tinder e Bumble, indicou à CNBC que a incerteza econômica pode levar as pessoas a adotarem expectativas mais tradicionais.

“Durante períodos de incerteza, especialmente econômica, tendemos a observar que as pessoas se apoiam mais em papéis de gênero tradicionais estabelecidos, de forma a lidar com a incerteza que existe nesse momento”, afirmou Carbino.

A psicóloga Romanoff destacou que as redes sociais podem tornar essas expectativas ainda mais extremas, ao oferecer narrativas diferentes para homens e mulheres sobre namoro e dinheiro.

“As redes sociais estão criando câmaras de eco de gênero nas quais homens e mulheres estão recebendo narrativas totalmente diferentes sobre namoro e dinheiro”, observou Romanoff. “Os algoritmos, infelizmente, estão recompensando a indignação. As opiniões mais polarizadoras e extremas sobre finanças no namoro estão ganhando destaque e sendo reforçadas atualmente.”

De um lado, Romanoff destacou que algumas mulheres recebem conselhos para aceitar apenas primeiros encontros que sejam caros, como uma forma de validar valor ou interesse. Por outro lado, muitos homens estão sendo orientados a não gastar dinheiro em encontros de forma alguma.

“Essas câmaras de eco estão vilanizando o sexo oposto e estão retratando o namoro como uma luta de poder financeiro, em vez de um processo relacional em que ambos estão se encontrando e se conhecendo”, disse Romanoff. “Estamos vendo o amor se restringir para se ajustar ao orçamento das pessoas”, acrescentou.

Fonte: www.cnbc.com

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