Custos e desordem ainda desafiam a resistência da indústria automobilística nos EUA.

Custos e desordem ainda desafiam a resistência da indústria automobilística nos EUA.

by Fernanda Lima
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Situação da Indústria Automobilística nos EUA

Estado Atual da Indústria

DETROIT — O CEO da Ford Motor, Jim Farley, resumiu a atual situação da indústria automobilística ao afirmar que ela enfrenta “muitos custos e muito caos”. Esse panorama se deu no início deste ano e é permeado por tensões geopolíticas, tarifas, inflação e diversas interrupções. Esses fatores geraram grande incerteza para a indústria automobilística nos Estados Unidos, levando a uma perspectiva relativamente negativa para o setor em 2025. Embora algumas dessas preocupações tenham se concretizado, a indústria exibiu uma resiliência maior do que a prevista.

Dan Levy, analista do Barclays, comentou sobre a situação em uma nota aos investidores, mencionando que, "seis meses após o início das tarifas, ficamos positivamente surpresos com a extensão em que a indústria se manteve melhor do que o esperado". Ele elevou a classificação do setor de automóveis/mobilidade dos EUA de "negativa" para "neutra".

Perspectivas de Vendas

A classificação neutra do Barclays reflete a visão de executivos, insiders e analistas que acreditam que as condições atuais não são tão ruins quanto se temia, mas também não apresentam sinais tão positivos quanto poderiam ser. Relatórios da S&P Global, divulgados na última semana, indicam uma diminuição do peso das tarifas, embora obstáculos à demanda ainda persistam, resultado do crescimento menos acentuado da renda disponível e do pessimismo do consumidor. O fechamento do governo também contribui para aumentar a incerteza econômica.

A S&P revisou suas estimativas de vendas de veículos leves nos EUA, prevendo uma alta de cerca de 2%, com um total de 16,1 milhões de veículos em 2025 e 15,3 milhões em 2026, um aumento de 200 mil unidades.

Fatores que Influenciam o Otimismo

Parte do otimismo emergente se deve ao fato de que as vendas e a produção da indústria se mantiveram melhores do que o esperado, além de um cenário macroeconômico mais amplo, com gastos do consumidor relativamente estáveis. Jonathan Smoke, economista-chefe da Cox Automotive, comentou à CNBC: “O panorama [econômico] está melhorando, e parte disso é perceber que as tarifas não destruíram o mundo, e isso também se aplica ao mercado automotivo”. Ele expressou um otimismo cauteloso, questionando como grandes montadoras americanas como General Motors, Ford e Tesla, que iniciarão a divulgação de resultados do terceiro trimestre, responderão a essas condições.

Analistas antecipam que as montadoras deverão reportar uma queda de dois dígitos no lucro por ação ajustado, embora permaneçam lucrativas. Emmanuel Rosner, analista da Wolfe Research, sugeriu que os lucros do terceiro trimestre estarão alinhados ou ligeiramente acima das expectativas, ressaltando que a produção da indústria superou as previsões. No entanto, ele também alertou que “existem nuances a considerar”.

Desafios e Oportunidades

Equilíbrio do Setor Automotivo

A indústria automobilística enfrenta um complexo ato de equilíbrio. As tarifas acarretaram prejuízos bilionários às montadoras neste ano, mas desregulamentações nas penalidades de eficiência de combustível e demais iniciativas do governo devem ajudar a mitigar esses custos. Apesar disso, alguns sinais de alerta foram observados no crédito automotivo para compradores com um histórico de crédito mais fraco, como evidenciado pela recente falência da financeira subprime Tricolor, mas as vendas e os preços dos veículos novos continuaram apresentando resultados melhores do que o previsto até o terceiro trimestre.

David Whiston, analista da Morningstar, alertou sobre possíveis impactos negativos se houver um novo surto de tarifas ou um recuo significativo na disposição do consumidor em adquirir veículos. Contudo, ele destacou que não há previsão de um colapso absoluto.

Saúde do Setor de Fornecedores

O setor de fornecedores continua a ser uma preocupação relevante para as montadoras, dado que é composto por milhares de empresas, desde grandes corporações até pequenas empresas familiares. De acordo com especialistas, esse setor não suporta muitos, ou talvez nenhum, aumento adicional nos custos. Mike Jackson, diretor executivo da associação de fornecedores de veículos MEMA, descreveu o mercado como “frágil”, enfatizando que apenas os fornecedores ágeis conseguiram se reposicionar para enfrentar as mudanças.

Entretanto, a falência da fabricante de peças automotivas First Brands Group no final de setembro acendeu um sinal de alerta em Wall Street sobre a saúde do mercado de crédito privado. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, classificou essas falências como “sinais iniciais” de um excesso no crédito corporativo.

Embora os fabricantes de equipamentos originais (OEMs) tenham feito esforços para ajudar os fornecedores, não se sabe até quando esse suporte será viável. Jackson mencionou que os fornecedores estão colaborando para mitigar impactos, mas as pressões de custos vão além das tarifas.

Setor em Transformação

Além de desafios econômicos e políticos, a indústria automobilística está em meio a uma transição significativa rumo à adoção de veículos elétricos (EVs). A GM, por exemplo, anunciou uma previsão de US$ 1,6 bilhão em encargos especiais relacionados ao seu recuo no setor de EVs. O "caos" que a Ford enfrenta se intensificou com um incêndio na fornecedora de alumínio Novelis, o que impactou a produção de veículos. Estimativas indicam que esse incidente pode custar à Ford de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão.

Elaine Buckberg, pesquisadora sênior em Harvard e ex-economista-chefe da GM, comentou sobre a volatilidade que a indústria experimentou nos últimos sete anos, afirmando que é um cenário sem precedentes.

As Dinâmicas do Consumidor

A Economia em Formato “K”

A indústria também mostra indícios de ser um exemplo da economia em formato “K”, onde os mais ricos continuam a prosperar, enquanto os de menor renda enfrentam dificuldades crescentes. Economistas têm observado que essa situação se agravou após a pandemia de coronavírus, resultando em condições distintas para os consumidores com base em sua faixa de renda.

Bill Nash, CEO da CarMax, fez um alerta no fim do mês passado, afirmando que o consumidor vem sendo pressionado há algum tempo, reforçando que as “rachaduras” na demanda são um fenômeno do setor. Esse problema tende a afetar mais significativamente consumidores de baixa renda ou com crédito subprime, que frequentemente não estão adquiriendo carros novos.

Enquanto os consumidores mais abastados se beneficiam com a valorização de imóveis e retornos do mercado financeiro, os de classes sociais média e baixa enfrentam orçamentos reduzidos e uma inflação crescente. A Fitch Ratings indicou que 6,43% dos empréstimos automotivos subprime estavam em atraso de pelo menos 60 dias em agosto, alinhando-se à alta histórica anterior.

Smoke, da Cox Automotive, ressaltou a relevância da preocupação com o consumidor, especialmente para aqueles que não se situam na parte superior do "K", identificando a questão como demográfica e relacionada a famílias de renda média ou menor.

Considerações Finais

A dinâmica do mercado automobilístico continuará a evoluir, sendo crucial entender como os consumidores responderão a futuras mudanças nos custos e regulamentações. O cenário dos próximos anos permanece incerto, especialmente com a possibilidade de repasse de tarifas aos consumidores de veículos novos. As respostas a essas perguntas terão um papel vital na definição do futuro da indústria.

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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