Fim da Escala 6×1 e suas Consequências
Os setores imobiliários, da indústria e do comércio partilham uma visão comum sobre a necessidade de evitar debates sobre o fim da escala 6×1 em um ano eleitoral. Esse assunto foi discutido no primeiro CNN Talks de 2026, realizado na manhã de sexta-feira, 20 de março.
Opinião da Indústria
Considerações de Paulo Skaf
Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo), enfatizou que as mudanças na jornada e na escala de trabalho devem levar em conta as particularidades de cada setor. Ele destacou que essa abordagem é fundamental para evitar danos aos modelos de negócios existentes.
Skaf declarou: "Em um ano eleitoral, em que as motivações são eleitorais, não se deve colocar na pauta certas discussões que possam afetar a vida das pessoas." O presidente da Fiesp ressaltou a disposição da indústria em dialogar, mas manifestou preocupação com a pressão que o ambiente eleitoral exerce sobre os parlamentares, o que torna a discussão do tema menos produtiva. Ele propõe que a tomada de decisão ocorra apenas a partir de 2027.
A frase de Skaf, “Tem que debater com cuidado, cautela, sem motivações estranhas”, reforça sua posição em relação à necessidade de diálogo prudente sobre o assunto.
Avaliação do Setor Imobiliário
Luiz França e a Apreensão com os Preços
Luiz França, presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), também alinha-se à visão da indústria. Ele argumenta que a alteração na escala de trabalho resultará em um aumento nos preços dos imóveis, o que tornará mais difícil a aquisição de uma casa própria pelos brasileiros.
França afirmou: “É ano eleitoral. Não é momento de discutir isso. Pode até começar a discutir neste ano, mas não é momento para decidir nada.” Para ele, uma decisão apressada nesse contexto poderia acarretar danos significativos para a economia brasileira.
Estudo da Abrainc
Um estudo realizado pela Abrainc indicou que o fim da escala 6×1 poderá elevar os custos das obras em 20%. Esse aumento de custos pode impactar negativamente 4,8 milhões de famílias que buscam adquirir a casa própria. Os dados do estudo consideram que a mão de obra corresponde a aproximadamente 40% do custo total dos empreendimentos. A partir de um cenário de 40 horas de trabalho semanais, o custo total em relação ao VGV (valor geral de vendas) deverá aumentar em 5,5%. No caso de uma jornada de 36 horas, o aumento será de 11%.
França questionou ainda: “Tem um impacto de preços no mercado imobiliário. O brasileiro não tem poupança e não tem como comprar o seu imóvel à vista. Tem que comprar financiado. Hoje já é um caos com a taxa de juros do jeito que está, com muita gente com dificuldade de comprar um imóvel. Imagina se o impacto do custo subir 5% o preço do imóvel, quantas pessoas perderão a capacidade de comprar aquele imóvel?”
Efeitos sobre o Poder de Compra
Percepções de Vander Giordano
Vander Giordano, conselheiro da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), ressalta que a redução do poder de compra dos trabalhadores será evidente, afetando a capacidade de aquisição de produtos considerados essenciais, como remédios.
Giordano afirmou: “A discussão sempre deve prevalecer no nosso sistema político, mas não em um ano em que a emoção vai tomar um corpo maior do que a razão. O trabalhador vai entender porque o poder de compra vai diminuir. O trabalhador não vai ter um benefício real.”
Aumento do Custo Público
O conselheiro também alertou para o aumento do custo da máquina pública nos municípios, dado que uma quantidade significativa de trabalhadores sob regime de CLT atua nas prefeituras. Ele lembrava que o governo federal já havia elevado uma série de tributos para equilibrar suas contas.
Giordano enfatizou: "Em ano eleitoral, precisamos trazer o assunto à luz da realidade. Não à luz da emoção." Essa declaração reforça a necessidade de que a discussão sobre o tema seja feita de maneira racional, levando em conta as reais implicações para a economia e a vida dos cidadãos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br