A decisão do Federal Reserve em manter a taxa de juros
Contexto da Decisão
WASHINGTON – Na quarta-feira, o Federal Reserve decidiu manter sua taxa de juros básica inalterada, enquanto os formuladores de políticas lidam com leituras de inflação mais altas do que o esperado, sinais mistos no mercado de trabalho e um conflito em curso.
Em uma decisão amplamente antecipada, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) votou 11 a 1 para manter a taxa de juros federal em uma faixa entre 3,5% e 3,75%. Esta taxa define os custos de financiamento de overnight para os bancos, mas também influencia uma ampla gama de empréstimos para consumidores e empresas.
A declaração do comitê após a reunião fez poucas alterações em sua perspectiva sobre a economia, com um crescimento ligeiramente mais acelerado e projeções de inflação mais altas para 2026. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, responderá a perguntas em uma coletiva de imprensa programada para às 14h30, horário do leste dos EUA.
Apesar da elevada incerteza, os oficiais novamente sinalizaram que ainda esperam algumas reduções nas taxas nos próximos meses. O "dot plot", que reflete as projeções de taxas individuais dos membros, indicou uma redução este ano e outra em 2027, embora o momento precise ser definido.
Projeções de Juros e Participantes do FOMC
Dos 19 participantes do FOMC, sete indicaram que esperavam que as taxas permanecessem inalteradas este ano, um a mais em comparação com a última atualização de dezembro. Embora as previsões para anos futuros mostrem uma ampla dispersão, a perspectiva mediana prevê um corte adicional em 2027, antes que a taxa de fundos se estabilize em torno de 3,1% no longo prazo.
Além disso, a nota destacou a incerteza associada ao conflito com o Irã, que começou há quase três semanas. Os combates e seu impacto no Estreito de Ormuz têm agitado o mercado global de petróleo, ameaçando manter a inflação acima da meta de 2% do Fed.
“A implicação dos desenvolvimentos no Oriente Médio para a economia dos EUA é incerta”, afirmou a declaração.
O governador Stephen Miran dissentiu novamente, defendendo uma redução de um quarto de ponto percentual em meio a crescentes preocupações sobre o clima de empregos. O governador Christopher Waller, que apoiou Miran em seu pedido de corte em janeiro, votou desta vez para manter a taxa.
Antes do conflito, os mercados precificavam duas reduções este ano, com uma pequena chance de uma terceira. Contudo, o aumento dos preços do petróleo e uma série de leituras de inflação firmes — que refletem dados prévio ao choque energético — reduziram as expectativas para, no máximo, um corte em 2026.
Crescimento Econômico Acelerado
Projeções Econômicas
Nas atualizações feitas para suas projeções econômicas, os oficiais do Fed projetam que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá a uma taxa de 2,4% neste ano, um pouco mais rápido do que em dezembro. A previsão é de que o crescimento avance a uma taxa sólida de 2,3% em 2027, um aumento de três décimos de ponto percentual em relação à perspectiva anterior.
Os responsáveis também elevaram suas previsões de inflação para este ano. Agora, esperam que o índice de preços de gastos com consumo pessoal reflita uma taxa de inflação de 2,7%, tanto no índice geral quanto no núcleo. Contudo, acreditam que a inflação deve retornar à meta de 2% do Fed nos anos seguintes, à medida que o impacto das tarifas e da guerra diminua. Os formuladores de políticas continuam a prever uma taxa de desemprego de 4,4% até o final do ano, mesmo com uma série de dados recentes de criação de vagas mostrando fraqueza.
A decisão do Fed de manter a taxa ocorre em um contexto político complicado.
Pressões Políticas e Jurídicas
O presidente Donald Trump continua a pressionar Powell e seus colegas para que reduzam as taxas. No início desta semana, Trump criticou Powell por não convocar uma reunião especial para facilitar cortes, mesmo com a inflação elevada e a incerteza quanto ao impacto da guerra.
Por sua vez, Powell presidiu o que poderia ser sua penúltima reunião à frente do banco central. Seu mandato termina em maio, e Trump indicou o ex-governador do Fed, Kevin Warsh, como seu sucessor. Warsh expressou uma preferência por taxas mais baixas, embora não tenha emitido declarações públicas recentes para indicar onde está sua linha de pensamento atualmente.
Complicando ainda mais a dinâmica está o próprio Departamento de Justiça de Trump. A procuradora dos EUA, Jeanine Pirro, em Washington, emitiu uma intimação para Powell, solicitando evidências sobre a reforma de bilhões de dólares da sede do Fed. Powell, entretanto, resistiu à intimação, acusando Trump de usar isso como pretexto para pressioná-lo a reduzir as taxas. Um juiz deu razão a Powell sobre essa questão, anulando as intimações e concordando com a noção de que o esforço era simplesmente para forçar a mão de Powell a cortar.
Entretanto, Pirro prometeu recorrer, e o senador Thom Tillis, do estado da Carolina do Norte, afirmou que bloqueará a nomeação de Warsh na Comissão Bancária do Senado até que a questão relacionada a Powell seja resolvida. Se a batalha judicial continuar após maio, isso manteria Powell em seu cargo até que Warsh seja confirmado.
Fonte: www.cnbc.com


