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Democracias enfrentam perda de poder econômico e alcançam o pior nível em 50 anos – Times Brasil

by Fernanda Lima
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Poder Global em Mudança: Ascensão dos Regimes Autocráticos

Pela primeira vez em mais de duas décadas, o mundo apresenta uma realidade crucial: há mais governos autocráticos do que democráticos. Essa informação foi extraída do Relatório da Democracia 2025, elaborado pelo Instituto V-Dem, vinculado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia. Os dados não apenas são estatísticos, mas também possuem implicações econômicas significativas.

Em termos de poder econômico, as democracias estão vivendo um momento de fraqueza sem precedentes nos últimos 50 anos. Hoje, 72% da população mundial se encontra sob regimes autocráticos, um índice que não era observado desde 1978.

A Influência das Grandes Potências

O estudo, que realiza uma avaliação anual sobre a qualidade das democracias ao redor do globo, indica que os países de maior tamanho, densidade populacional e força econômica são os principais responsáveis por esse avanço autocrático. Muitos desses países exercem influência direta sobre nações vizinhas e organizações internacionais, além de atuarem em cooperações multilaterais, comércio e investimentos.

A Rússia e a China se destacam como exemplos notáveis dessa realidade, uma vez que são grandes potências que dominam a economia internacional sob governos reconhecidos como autocráticos.

Modelos Econômicos Autocráticos

Características do Modelo Chinês

O economista e professor de Relações Internacionais no Ibmec-RJ, José Niemeyer, elucida o funcionamento desse modelo autocrático na prática. Ele afirma que “o Estado chinês acaba determinando os rumos da economia privada da China, além de influenciar as relações econômicas do país com outras entidades, que normalmente pertencem ao setor privado”.

Conforme Niemeyer, a estrutura estatal da China favorece empresas públicas e estatais na competição com concorrentes privados e internacionais. Ele observa que essa configuração resulta em uma baixa institucionalidade em relação ao ambiente de negócios.

O conflito no Oriente Médio, intensificado pelos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, reforça as preocupações expressas no estudo. O peso econômico de um governo autocrático fica em evidência. Um episódio anterior, que envolveu a captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por parte do governo norte-americano, já havia afetado negativamente o mercado de petróleo. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo, a crise de combustíveis passou a ter repercussões globais.

Desafios das Democracias Modernas

O Declínio das Instituições Democráticas

No livro “Como as Democracias Morrem”, os autores Daniel Ziblatt e Steven Levitsky alertam para o fato de que o desgaste das instituições democráticas cria oportunidades para o aumento da incerteza. O Relatório V-Dem identifica como causas desse declínio a propagação de discursos de ódio, a polarização social e a desinformação sistemática.

O economista e doutor em Relações Internacionais, Igor Lucena, compartilha essa visão, afirmando que “na prática, a globalização em geral, as fake news e os efeitos da internet têm um impacto negativo, de forma abrangente, no índice de democracias no mundo”.

Essa situação gera desconforto entre os especialistas. De acordo com o que se observa em teorias acadêmicas, as democracias, em teoria, deveriam proporcionar maior liberdade econômica. “O que sempre foi estudado na academia é que, à medida que a democracia aumenta, também se amplia a liberdade para os negócios e agentes econômicos, com alguma participação do Estado, mas com espaço para o mercado também”, explica Niemeyer. Para ele, sociedades com menos desigualdade poderiam gerar um impacto econômico positivo, com políticas públicas eficazes e uma presença estatal que não se convertesse em autoritarismo.

A Situação Democrática no Brasil

No contexto do estudo, o Brasil é classificado como uma “democracia eleitoral”, apresentando características como eleições livres, voto universal, concorrência entre partidos e liberdade de expressão. Estão nesta mesma categoria países como Polônia, México, Argentina e, de maneira surpreendente, os Estados Unidos, que anteriormente ocupavam o status de democracia liberal.

Igor Lucena acredita que a democracia brasileira é consolidada, mas aponta uma tensão interna significativa. “O que, em minha visão, complica sobremaneira a situação no Brasil, é o fato de que os nossos três poderes não operam propriamente em suas respectivas esferas”, sugere. Apesar de a Constituição de 1988 estabelecer a separação dos poderes, o debate sobre as atribuições do Judiciário, notoriamente do STF, em áreas que englobam o Executivo e o Legislativo continua pertinente.

Niemeyer também enxerga uma oportunidade. “O Brasil é um país distante dos centros neurálgicos de poder, uma democracia de massas, com abundantes recursos e setores muito influentes, como o agronegócio e o setor de serviços”, destaca. “É crucial estar aberto para receber investimentos diretos e continuar realizando transações comerciais, formando parcerias com países de todo o sistema internacional”, acrescenta.

O professor menciona a corrupção como um dos maiores entraves ao desenvolvimento democrático pleno do país. Para ele, quando o Judiciário atua de maneira íntegra, a sociedade encontra mais liberdade para se beneficiar do crescimento econômico. “É fundamental que a democracia permaneça como uma estrutura duradoura no Brasil. Precisamos aprimorar as estruturas do sistema político para que a democracia e o avanço econômico coexistam de forma sinérgica”, argumenta.

Projeções Futuras e Caminhos de Resistência

O Instituto V-Dem, por meio da iniciativa “Em Defesa da Democracia”, aponta que o fortalecimento das instituições, a proteção das liberdades civis e o engajamento da sociedade civil são essenciais para conter a autocratização.

Os especialistas avaliam que, pelo menos por enquanto, o autoritarismo não compromete de maneira severa o sistema econômico global. Igor Lucena afirma que, em um sistema capitalista, a estabilidade é prioritária, independentemente do modelo político em vigor. “Independentemente de ser uma estabilidade democrática ou autocrática, a estabilidade gera crescimento. A instabilidade, por outro lado, resulta em falta de investimentos e crescimento econômico”, comenta.

Niemeyer, ao refletir sobre o futuro, pondera que a ineficiência e a falta de transparência nos regimes autocráticos tendem a fragilizar suas economias a longo prazo. Ele reafirma sua posição: “É preferível que, nos quase 200 países que integram o sistema internacional, predomine a democracia, com um mercado ativo, além da ação estatal em áreas capazes de ajudar a redistribuir e gerar riqueza para a população.”

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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