Testemunho de Mark Zuckerberg em Caso Sobre Redes Sociais
Declarações do CEO da Meta
Durante o seu depoimento, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, refutou a ideia de que a empresa fez da ampliação do tempo de permanência dos usuários no Instagram um objetivo corporativo. Ele estava respondendo a um e-mail de 2015, onde supostamente destacou a importância de melhorar as métricas de engajamento como questão urgente para a empresa. Apesar de o histórico de e-mails mencionar "metas da empresa", Zuckerberg argumentou que essas declarações podiam ser vistas como aspirações, reafirmando que a Meta não possui tais objetivos definidos.
Advogados apresentaram evidências do chefe do Instagram, Adam Mosseri, que indicavam metas que visavam aumentar o tempo de engajamento diário dos usuários na plataforma, projetando 40 minutos em 2023 e 46 minutos em 2026. Zuckerberg afirmou que a empresa estabelece marcos internos para medir seu desempenho em relação aos concorrentes e "entregar os resultados que desejamos ver". Ele enfatizou que a Meta está desenvolvendo serviços para ajudar os usuários a se conectarem.
Contexto do Julgamento
As declarações de Zuckerberg ocorreram durante um julgamento considerado um marco sobre redes sociais e segurança, sendo comparado ao "momento do tabaco" da indústria. O caso, que teve início no final de janeiro de 2026, gira em torno de uma jovem que alegou ter se tornado viciada em redes sociais e aplicativos de streaming de vídeo como Instagram e YouTube.
Questões Legais e Restrições de Uso
Durante a sessão de quarta-feira, um juiz ameaçou considerar qualquer uso de óculos inteligentes com IA durante o depoimento de Zuckerberg como desrespeito ao tribunal. O juiz alertou: "Se você fez isso, deve apagar, ou será considerado em desacato ao tribunal. Isso é muito sério". A equipe que acompanhava Zuckerberg foi vista usando os óculos de inteligência artificial da Meta Ray-Ban. No tribunal, a gravação de áudio e vídeo não é permitida.
Zuckerberg mencionou que alguns usuários mentem sobre sua idade ao se cadastrar no Instagram, que requer que os usuários tenham pelo menos 13 anos. Advogados apresentaram um documento que afirmava que 4 milhões de crianças com menos de 13 anos usavam a plataforma nos Estados Unidos. O fundador do Facebook afirmou que a empresa remove todos os usuários menores de idade que consegue identificar e inclui termos sobre a restrição de idade no processo de inscrição. "Você espera que uma criança de 9 anos leia todos os detalhes?", questionou um advogado do autor. "Essa é a sua base para afirmar sob juramento que crianças menores de 13 anos não são permitidas?".
A Meta não começou a pedir datas de nascimento no cadastro até o final de 2019. Em seguida, Zuckerberg respondeu a perguntas sobre documentos que indicavam uma taxa de retenção maior na plataforma para usuários que se inscrevem como pré-adolescentes. Ele disse que os advogados estavam "distorcendo" suas palavras e que a Meta nem sempre lança produtos em desenvolvimento, como um aplicativo do Instagram para usuários menores de 13 anos.
Questionamentos sobre as Declarações Precedentes
Os advogados também questionaram se Zuckerberg havia mentido anteriormente sobre a incapacidade do conselho em demiti-lo. "Se o conselho quiser me demitir, eu poderia eleger um novo conselho e me reintegrar", afirmou, respondendo a comentários que fez anteriormente no podcast de Joe Rogan. No ano passado, Zuckerberg comentou no podcast que não estava preocupado em perder seu emprego porque detém poder de voto. Ele descreveu a si mesmo como "muito ruim" em mídia.
Alegações dos Advogados da Parte Demandante
Os advogados que representam o autor alegam que a Meta, YouTube, TikTok e Snap enganaram o público sobre a segurança de seus serviços, cientes de que o design de seus aplicativos e algumas funcionalidades causavam danos à saúde mental dos jovens usuários. Snap e TikTok chegaram a um acordo com o autor do caso antes do início do julgamento.
A Meta negou as alegações e um porta-voz afirmou à CNBC que "a questão para o júri em Los Angeles é se o Instagram foi um fator substancial nas dificuldades de saúde mental do autor". Na semana passada, Adam Mosseri, do Instagram, testemunhou que, embora reconheça a possibilidade de um uso problemático das redes sociais, não acredita que isso se traga a um vício clínico. "É uma questão pessoal, mas sim, acho que é possível usar o Instagram mais do que se sente bem", disse Mosseri. "O que é demais é relativo, é pessoal".
Contexto e Implicações Finais
O julgamento em Los Angeles é um dos vários processos judiciais importantes ocorrendo este ano, considerados como o "momento do tabaco" da indústria de redes sociais, devido ao suposto dano causado por seus produtos e os esforços relacionados das empresas em enganar o público.
A Meta também está envolvida em um grande julgamento no Novo México, onde o procurador-geral do estado, Raúl Torrez, alegou que a gigante das redes sociais falhou em garantir que crianças e jovens estivessem seguros de predadores online. "O que realmente estamos alegando é que a Meta criou um produto perigoso, um produto que possibilita não apenas a divulgação de crianças, mas a exploração de crianças em espaços virtuais e no mundo real", disse Torrez à CNBC na semana passada, ao iniciar os argumentos para o julgamento.
Neste verão, outro julgamento envolvendo redes sociais deverá começar no Distrito Norte da Califórnia, e também incluirá empresas como Meta e YouTube, com alegações de que seus respectivos aplicativos contêm falhas que fomentam problemas de saúde mental em jovens usuários.
Fonte: www.cnbc.com