Cenconsud Expande Operações com Aquisição da St Marche
A Cenconsud anunciou a inclusão de uma nova marca em sua operação no Brasil, a St Marche. Com essa movimentação, o grupo chileno entra em concorrência direta com o GPA (PCAR3), proprietário da rede Pão de Açúcar, uma vez que ambos têm como foco o público de alta renda.
Atuação da Cenconsud
A Cenconsud desenvolve suas atividades em diversos segmentos e regiões. A empresa possui operações na Argentina, Brasil, Chile, Peru, Colômbia e Estados Unidos. Além disso, mantém um escritório comercial na China e um Hub Tecnológico e Digital no Uruguai.
As operações da Cenconsud abrangem os segmentos de Supermercados, Melhoramento do Lar, Lojas de Departamento, Shopping Centers e Serviços Financeiros.
Presença no Brasil
No Brasil, a varejista realiza suas atividades desde 2007, operando por meio das bandeiras GBarbosa, Mercantil Atacado, Bretas, Perini, Prezunic, Spid e Giga Atacado. A companhia também atua no setor de Serviços Financeiros e retail media, a CencoMedia. Com mais de 300 unidades, a Cenconsud está presente nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo.
Aquisição da St. Marche
Em comunicado, a Cenconsud declarou que a aquisição da St. Marche marca um passo importante na estratégia de fortalecimento de sua presença no Brasil, especialmente em formatos que oferecem maior valor agregado e diferenciação no principal mercado consumidor da região.
Avaliação dos Analistas
Analistas do JP Morgan apresentaram uma perspectiva mista sobre a transação. Do ponto de vista estratégico, ressaltam que priorizar São Paulo para expansão no Brasil é uma decisão lógica, especialmente por meio do formato premium, um segmento onde a Cenconsud já possui considerável experiência.
O banco também elogia a aquisição por ser realizada sem que a Cenconsud assuma novos endividamentos financeiros.
Os analistas afirmam que “O Brasil é um mercado onde a Cenconsud teve sucesso limitado. Além disso, o estado de São Paulo é altamente competitivo, apresentando uma forte presença do modelo de atacarejo (cash & carry). Também é importante destacar que o principal player premium, o Pão de Açúcar, está reestruturando suas operações e dívidas.”
Detalhes da Operação
A Cenconsud não divulgou o valor da operação para o mercado, apenas informou que a negociação será financiada por meio da realocação de capital proveniente de desinvestimentos recentes no Brasil, alinhando-se à sua estratégia disciplinada de alocação de capital.
Com poucas informações disponíveis, o JP Morgan acredita que o valor máximo da transação deve ser equivalente aos R$ 716 milhões obtidos com a venda do Bretas em Minas Gerais, o que representaria aproximadamente 2% do valor de mercado da companhia.
Analisando os dados financeiros do St. Marche para 2025, e considerando um pagamento de R$ 716 milhões, os analistas estimam que a Cenconsud estaria pagando, no máximo, cerca de 1 vez o enterprise value (valor da empresa) sobre as vendas líquidas dos últimos 12 meses. Esse múltiplo é superior aos da própria Cenconsud (0,8 vez) e do GPA (0,5 vez).
No que diz respeito ao enterprise value (EV) em relação ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), o múltiplo implícito fica em aproximadamente 16 vezes o EV/Ebitda para 2025, significativamente superior aos de seus pares. No entanto, o JP Morgan aborda este múltiplo com cautela.
Os analistas afirmam que “O St. Marche está passando por um processo de recuperação e enfrenta dificuldades financeiras há alguns anos, com um Ebitda reportado caindo cerca de 50% na comparação anual em 2025, o que sugere que há espaço para a Cenconsud reestruturar e melhorar as operações.”
Condições para Conclusão da Transação
A finalização da transação está sujeita a condições usuais de fechamento, incluindo a conclusão do processo de recuperação judicial em andamento pelo vendedor, assim como a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A Situação do St. Marche
A venda do St. Marche acontece em meio ao avanço de seu processo de recuperação judicial. Recentemente, a transformação da recuperação judicial em extrajudicial ocorreu sob pressão dos credores, conforme relatado pelo Valor Econômico.
Com um cenário de taxas de juros elevadas, a rede observou um crescimento significativo de sua dívida. As demonstrações financeiras revelaram um prejuízo de R$ 188,4 milhões em 2025 e R$ 61,8 milhões em 2024. A dificuldade financeira surgiu após a companhia acelerar investimentos em sua expansão na pós-pandemia.
O plano era financiar essa expansão com um processo de abertura de capital na Bolsa. Contudo, com a janela de IPOs fechada e um contexto macroeconômico desafiador, essa estratégia não se concretizou, resultando em um ingresso de capital inferior ao esperado.
Diante deste cenário, a empresa foi obrigada a buscar dívida bancária e a emitir títulos, o que pressionou seu caixa em um contexto de juros altos.
Fonte: www.moneytimes.com.br