O ensino superior no Brasil está passando por uma transformação significativa, conforme revelam os dados mais recentes. A 16ª edição do Mapa do Ensino Superior, que foi divulgada nesta quinta-feira (19) pelo Semesp, indica que a educação a distância (EaD) continua a se expandir, enquanto os cursos de tecnologia estão conquistando um espaço cada vez maior entre os alunos brasileiros.
Atualmente, o Brasil registra um total de 10,23 milhões de matrículas no ensino superior. Deste total, 79,8% estão concentradas na rede privada, o que reafirma a importância deste setor na formação universitária do país.
No que diz respeito ao período entre 2023 e 2024, os cursos de Computação e Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) foram os que mais se destacaram no crescimento no Brasil. No componente presencial da rede privada, essa área cresceu 9,2%. Em contrapartida, na educação a distância, o aumento foi de 12,5%.
EaD “engole” o ensino noturno
A educação a distância consolidou-se como a principal forma de ingresso no ensino superior. Para o ano de 2024, 73,5% dos novos alunos optaram por cursos na modalidade EaD, enquanto apenas 18,2% ingressaram no ensino presencial noturno.
Esse cenário é ainda mais impressionante quando comparado a dados de 2014, quando o ensino presencial noturno representava 53,2% das matrículas, enquanto a EaD era apenas 26,7%.
Além da mudança na modalidade, o perfil dos alunos também apresenta diferenças significativas:
- No ensino presencial, 61,9% dos alunos têm até 24 anos;
- No EaD, apenas 26,1% estão nesta faixa etária;
- A maior parte dos alunos do EaD tem entre 30 e 49 anos.
Esses dados indicam que a educação a distância passou a atender, predominantemente, trabalhadores que necessitam equilibrar suas responsabilidades profissionais e educacionais.
Outro aspecto importante é que 97,3% dos novos alunos do EaD estão matriculados na rede privada, o que evidencia a predominância deste setor nessa modalidade de ensino.
Crescimento do ensino superior desacelera
Apesar do crescimento contínuo, o ritmo desse avanço tem mostrado sinais de desaceleração.
No total, as matrículas no ensino superior aumentaram 2,5% entre 2023 e 2024, cifra inferior aos 5,6% registrados no período anterior.
Dentro da rede privada, o crescimento ficou em 3,2%, também apontando para uma desaceleração. Segundo o estudo, essa situação é atribuída, em grande parte, ao crescimento mais lento da educação a distância.
Evasão no ensino superior segue alta
A evasão, por sua vez, continua a ser um dos maiores desafios enfrentados pelo ensino superior no Brasil.
Nos cursos presenciais, a taxa correspondente foi de 24,8% em 2024. Para a rede privada, o índice chega a 26,6%, superando o da rede pública, que é de 21,4%.
Os dados sobre a educação a distância são ainda mais alarmantes:
- Evasão total: 41,6%;
- Rede privada: 41,9%;
- Rede pública: 32,2%.
Esse representa o maior índice de evasão registrado na série histórica do setor privado desde 2014.
Sudeste lidera matrículas no ensino superior
A distribuição regional dos alunos demonstra que o Sudeste abrange mais de 4,5 milhões de matrículas, apresentando um crescimento de 3,2% em comparação a 2023. Além disso, 51,7% dos estudantes da região estão cadastrados na modalidade EaD.
A seguir, um panorama das matrículas por região:
- Nordeste: 2,2 milhões de matrículas (+3,2%);
- Sul: 1,75 milhão (+0,6%);
- Centro-Oeste: 905 mil (+1,9%);
- Norte: 863 mil (+2%), com predominância do ensino presencial.
Debate sobre qualidade e expansão do EaD
O avanço da educação a distância também desencadeia discussões. Para o sociólogo Simon Schwartzman, a expansão pode ter sido excessiva e deveria ser acompanhada por um aumento na oferta de vagas no ensino público.
“Acredito que a expansão do ensino a distância, que hoje atende a metade ou mais dos estudantes, foi excessiva, e que o setor público deveria ser capaz de oferecer muito mais vagas do que oferece, se se dedicasse de maneira mais sistemática à sua função primordial que é a de ensinar”, declarou.
Por outro lado, a professora Maria Ligia Barbosa destaca a importância de regulação e ressalta o papel das instituições presenciais.
“As faculdades apresentaram uma retração notável nos últimos anos. Contudo, devido à sua presença no território nacional, ao tipo de cursos oferecidos e à formação de professores, elas representam uma estrutura institucional que é complexa de substituir”, completou.
*Com informações do Estadão Conteúdo
Fonte: www.moneytimes.com.br

