Desemprego nos EUA atinge o nível mais alto em 4 anos, complicando a decisão sobre os juros.

Desemprego nos EUA atinge o nível mais alto em 4 anos, complicando a decisão sobre os juros.

by Fernanda Lima
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Geração de Empregos nos EUA Durante Shutdown Histórico

Os Estados Unidos conseguiram gerar empregos mesmo durante o shutdown, que se configurou como o mais longo de sua história. Entretanto, o país viu um aumento na taxa de desemprego em novembro, que atingiu o maior nível em mais de quatro anos, colocando em evidência a pausa nos juros que havia sido sinalizada pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, na semana retrasada.

Criação de Empregos

Em novembro, foram criados 64 mil empregos, número que superou a mediana de 50 mil estabelecida pelo Projeções Broadcast. Contudo, em outubro, o país enfrentou a eliminação de 105 mil vagas, e os números de setembro e agosto foram revisados para baixo. O escritório de estatísticas do trabalho (BLS) indicou uma situação de estagnação no mercado de trabalho dos EUA.

Impacto das Demissões no Setor Público

O impacto negativo mais significativo foi observado nas vagas do governo federal, com o presidente Donald Trump promovendo cortes na força de trabalho federal, que atingiram o menor nível em mais de uma década. Somente em outubro foram eliminados 162 mil empregos; somando-se os cortes de mais 6 mil em novembro, o total de perdas desde janeiro chegou a 271 mil.

Excluindo as demissões no setor público, o cenário no setor privado apresentou um panorama mais otimista, segundo avaliações de economistas.

Aumento da Taxa de Desemprego

Um sinal de alerta foi aceso com a taxa de desemprego, que alcançou 4,6% em novembro, frente ao 4,4% observado em setembro. Este representa o patamar mais elevado em mais de quatro anos, um resultado que não se esperava, já que o mercado previa estabilidade nesse indicador.

Expectativas do Mercado

A análise em Wall Street sugere que os dados consolidados do payroll de outubro e novembro apontam para expectativas desfavoráveis quanto à continuidade das taxas de juros nos EUA. Segundo Ali Jaffery, economista da CIBC Economics, "os dados do mercado de trabalho hoje não são encorajadores e abrem a porta para um movimento antecipado do Fed em 2026". O banco canadense agora projeta dois cortes na taxa de juros no próximo ano, ao invés de um único.

Declarações do Presidente do Fed

Jerome Powell, presidente do Fed, comentou na semana retrasada que os membros do Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC) decidiram proceder com um novo corte de 25 pontos-base na reunião de dezembro, os quais foram motivados pela constatação de que o mercado de trabalho estava esfriando de maneira mais gradual do que havia sido previsto inicialmente.

Ele observou que, desde abril, a média de geração de empregos é de 40 mil por mês, mas afirmou que houve uma superestimação nos números, podendo resultar em uma perda de cerca de 20 mil vagas mensais.

Análise de Economistas

De acordo com Dario Perkins, economista da TS Lombard, o relatório de payroll apresentado não altera a narrativa, especialmente tendo em conta a ressalva do BLS sobre a menor confiabilidade dos últimos dados. A possibilidade de um corte de juros em janeiro ainda está no horizonte, mas a questão não parece particularmente urgente no momento.

O BLS alertou acerca da dificuldade em quantificar o impacto total da paralisação do governo federal nas estimativas de emprego para outubro e novembro.

Expectativas para o Futuro

Diante de números divergentes do payroll, o mercado elevou as expectativas de que o Fed poderia realizar cortes na taxa de juros em sua reunião de janeiro de 2026. Entretanto, as chances de manutenção da taxa ainda prevalecem.

A Capital Economics afirma que, desde que o desemprego se estabilize nos meses subsequentes, o Fed pode não precisar se preocupar excessivamente com o nível observado no fim de novembro.

Observações dos Especialistas

Kevin Gordon, estrategista sênior de investimentos da Charles Schwab, destacou que a taxa de desemprego subiu 1,2 ponto percentual desde seu nível mais baixo em 30 meses. Ele enfatizou que "nunca vimos esse tipo de aumento sem que a economia já estivesse em recessão".

Por sua vez, a Pimco, que administra mais de US$ 2 trilhões em ativos, considerou os dados do payroll como "mistos", mas de acordo com suas expectativas, não pretendendo alterar sua previsão base. A Oxford Economics reforçou que é "improvável" que a visão do Fed se modifique, uma vez que se mantém uma postura paciente em relação à política monetária.

Comentários do Conselho de Assessores Econômicos

Pierre Yared, presidente em exercício do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, minimizou as preocupações em relação ao aumento da taxa de desemprego, em uma entrevista à Bloomberg TV. Já Kevin Hassett, conselheiro econômico da Casa Branca e um dos candidatos a liderar o Fed, afirmou que existe "muito espaço" para que o Fed realize cortes na taxa de juros.

Em avaliação do Bradesco, apenas com os dados de dezembro será possível ter uma noção mais clara da situação laboral nos EUA. O banco concluiu que, com os dados atuais, a tendência é de que o Fed mantenha uma postura "dovish".

O próximo payroll está agendado para ser divulgado no dia 9 de janeiro de 2026, às 10h30 de Brasília.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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