Recuperação das Ações da Desktop
As ações da Desktop (DESK3), que são negociadas fora do Ibovespa (IBOV), recuperaram as perdas do início da semana com um aumento de quase 20% nesta quinta-feira, 23 de setembro. Esse movimento ocorreu em meio a rumores de que as negociações com a Claro estão avançando.
Por volta de 12h30, as ações da DESK3 apresentavam uma alta de 12,92%, sendo cotadas a R$ 15,30 e se destacando como a maior valorização da bolsa brasileira, a B3. Mais cedo naquele dia, os papéis da provedora de banda larga chegaram a subir 17,71%, atingindo o preço de R$ 15,95.
Essa recuperação acentuada está relacionada ao retorno das expectativas quanto a um possível negócio entre a Desktop e a operadora de telecomunicações Claro, que faz parte do grupo mexicano América Móvil.
Rumores de Negociações
De acordo com informações divulgadas na coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo, as conversações entre a Desktop e a Claro “estão em andamento”. Uma nova rodada de talks ocorreu no dia 22 de setembro. O colunista indicou que uma oferta vinculante deve ser formalizada até a próxima semana, com o valor de R$ 0,21 por ação.
Essas tratativas foram inicialmente confirmadas pela Claro no dia 7 de setembro, o que resultou em um aumento acumulado de quase 55% nas ações da Desktop em um intervalo de 15 dias.
Queda das Ações
Entretanto, na última segunda-feira, 20 de setembro, as ações da Desktop enfrentaram uma queda significativa, superior a 26%, após declarações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Esta agência expressou preocupações relacionadas à concorrência em razão da possível aquisição da empresa pela Claro.
Conforme o relatório da Anatel, a venda da Desktop para a Claro pode "levantar preocupações não desprezíveis sobre uma potencial aggravamento em situações de custos de mudança e efeitos de aprisionamento".
Análise da Anatel
A análise da Anatel, que focou no ambiente competitivo, sugere que um eventual acordo entre as empresas pode “dificultar a entrada de novos participantes no mercado, restringir a capacidade de concorrentes existentes e facilitar práticas anticoncorrenciais”.
No ano anterior, a Desktop também esteve envolvida em discussões com a Telefônica Vivo (VIVT3) sobre uma transação potencial, que não se concretizou devido a preocupações sobre a sobreposição de redes, conforme mencionado pelo presidente-executivo da operadora.
Análises de Especialistas
Em relatório emitido na última quarta-feira, 22 de setembro, o BTG Pactual ressaltou que, embora a compra da Desktop pela Claro tenha relevância no mercado local, trata-se de um negócio considerado pequeno dentro do panorama da América Móvil.
Por outro lado, essa transação poderia fazer sentido estratégico para a Claro do Brasil, acelerando a transição de 8,1 milhões de clientes de HFC (fibra ótica coaxial) para FTTH (fibra ótica "pura") e consolidando a presença da empresa no Estado de São Paulo.
Sinergias e Impacto Financeiro
Os analistas Carlos Sequeira, Osni Carfi, Tcha Chan e Bruno Henriques, que assinam o relatório, afirmaram que existem sinergias significativas, mas o impacto financeiro no grupo da América Móvil seria limitado.
Os analistas também analisaram as 20 principais cidades em que a Desktop opera. Eles observaram que uma eventual aquisição pela Claro resultaria em uma participação de mercado combinada de 53%, comparada a 51% que poderia ocorrer em um cenário com a Vivo.
Market Share e Previsão de Valorização
O BTG Pactual identificou que, no total, haveria 16 cidades onde a Claro teria uma participação acima de 50%, em comparação a 14 cidades com a Vivo. Ao considerar todas as 199 cidades, a combinação entre Desktop e Vivo resultaria em 43% de participação, enquanto com a Claro esse número seria um pouco superior, alcançando 41%.
Além disso, o BTG Pactual manteve uma recomendação de compra para as ações da Desktop (DESK3), com um preço-alvo fixado em R$ 20. Isso implica um potencial de valorização de 47,6% em relação ao último fechamento, que foi de R$ 13,55.
Informações sobre a Desktop
A Desktop, que realizou sua abertura de capital há quatro anos, se posiciona como “a principal plataforma regional de telecomunicações do Brasil”. A empresa possui operações majoritariamente concentradas no Estado de São Paulo.
No fechamento do primeiro semestre, a Desktop contava com uma rede que abrange 4,78 milhões de residências e 1,17 milhão de casas conectadas em 200 cidades do interior paulista. A companhia afirma ter uma infraestrutura própria de rede de fibra óptica que se estende por aproximadamente 57 mil quilômetros.
Como um movimento estratégico em 2024, a empresa anunciou o lançamento de uma operadora de celular virtual em parceria com a TIM (TIMS3).
Fonte: www.moneytimes.com.br


