Dexco apresenta resultado do quarto trimestre de 2025
A Dexco S.A. (BOV:DXCO3) anunciou os resultados financeiros referentes ao quarto trimestre de 2025, reportando um prejuízo líquido de R$ 48,3 milhões, o que representa uma reversão em relação ao lucro de R$ 22,3 milhões alcançado no mesmo período de 2024. Este desempenho foi essencialmente influenciado por eventos extraordinários e ajustes contábeis, que incluem impairment em ativos da divisão de revestimentos cerâmicos e custos operacionais não recorrentes.
Lucro recorrente e cenário operacional
Excluindo os efeitos extraordinários, o desempenho operacional da companhia apresentou uma melhoria. A empresa registrou um lucro líquido recorrente de R$ 36,4 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 83,6 milhões que havia sido apurado no mesmo período do ano anterior. Este resultado sinaliza uma melhora nas operações em um cenário que ainda se mostra desafiador para o setor de materiais de construção na bolsa de valores brasileira (B3).
Fatores extraordinários afetando o balanço financeiro
Entre os fatores que impactaram negativamente o balanço financeiro da Dexco, foram destacados R$ 84,7 milhões relacionados principalmente à baixa contábil de estoques e ativos da divisão de revestimentos cerâmicos, que está passando por um processo de reestruturação. Parte desses efeitos negativos foi compensada por ganhos extraordinários oriundos da venda de imóveis não operacionais e créditos fiscais.
Um aspecto positivo no trimestre foi a valorização de R$ 207,1 milhões no estoque de florestas utilizadas na produção de painéis de madeira, que refletiu uma dinâmica favorável de preços no mercado de madeira.
Desempenho financeiro e indicadores operacionais
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 448,2 milhões, o que representa uma queda de 5,7% em relação ao ano anterior, com uma margem Ebitda de 21,4%. O Ebitda ajustado e recorrente cresceu 12%, atingindo R$ 416,4 milhões, com margem de 19,9%.
A receita líquida consolidada da Dexco totalizou R$ 2,01 bilhões no trimestre, registrando um crescimento de 1,6% em comparação ao ano anterior. Apesar dessa evolução na receita, a empresa observou pressão competitiva e uma queda no volume expedido em todas as divisões:
- Deca: retração de 20,8%
- Revestimentos Cerâmicos: queda de 4,2%
- Painéis de Madeira: redução de 1,1%
Custos e despesas financeiras
Os custos dos produtos vendidos cresceram 10,2%, totalizando R$ 1,4 bilhão, refletindo principalmente uma menor diluição de custos devido a volumes reduzidos e ajustes contábeis envolvidos na divisão de cerâmicos.
No aspecto financeiro, a empresa registrou uma despesa financeira de R$ 222,5 milhões, o que representa um aumento de 42,4% em comparação anual, influenciada pelo cenário de juros elevados e pelo nível de endividamento.
Fluxo de caixa e dívidas
A Dexco também registrou um fluxo de caixa livre negativo de R$ 46,6 milhões, afetado por um maior consumo de capital de giro, ajustes de estoques e reorganização de pagamentos a fornecedores.
A dívida líquida da companhia ao final do trimestre foi de R$ 5,51 bilhões, representando uma redução de 1,2% em relação ao terceiro trimestre. A alavancagem financeira caiu para 3,35 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda ajustado, em comparação a 3,48 vezes do trimestre anterior.
Reação do mercado
No pregão da bolsa de valores brasileira realizado na quinta-feira (05/03), as ações da Dexco refletiram a repercussão do balanço financeiro. Por volta das 10h40, os papéis DXCO3 estavam sendo negociados a R$ 5,00, apresentando uma queda de 4,94%, após abertura em R$ 5,18. No intraday, as ações oscilaram entre um mínimo de R$ 4,96 e um máximo de R$ 5,19, indicando uma reação cautelosa dos investidores em resposta ao prejuízo contabilizado no trimestre.
Sobre a Dexco S.A.
A Dexco S.A. (BOV:DXCO3) é uma das principais empresas brasileiras atuando no setor de materiais de construção e soluções para ambientes. A companhia opera em diversas divisões, como painéis de madeira, louças e metais sanitários e revestimentos cerâmicos. O grupo controla marcas de renome no mercado nacional, incluindo Deca, Portinari, Hydra, Duratex e Castelatto, competindo com outras empresas do setor de construção civil e acabamentos que estão presentes na B3.
Apesar do prejuízo contabilizado no quarto trimestre de 2025, a Dexco conseguiu demonstrar melhorias operacionais nos lucros recorrentes e no Ebitda ajustado, o que indica progressos em sua estratégia de reestruturação e na busca por maior eficiência. Os investidores que monitoram as ações DXCO3 na B3 devem acompanhar os próximos resultados para avaliar a evolução da rentabilidade e do endividamento da companhia.
Fonte: br.-.com