MANA11 se Destaca no Mercado Financeiro
O MANA11 chamou a atenção do mercado financeiro ao se destacar como um dos fundos imobiliários (FIIs) que mais distribuíram dividendos nos meses recentes. Gerido pela Manatí Capital, o fundo terminou o ano de 2025 como o maior pagador de proventos entre os hedge funds, aumentando sua base de investidores em um contexto de juros elevados.
No ano passado, o FII distribuiu cerca de R$ 1,30 por cota em rendimentos, o que equivale a um yield em torno de 16,6%. A valorização da cota do fundo também foi significativa, passando de R$ 7,79 em janeiro para R$ 9,26 em dezembro. Dessa forma, a rentabilidade total no período alcançou 37,4%.
A quantidade de cotistas do fundo cresceu cerca de 138% nesse intervalo, acumulando mais de 48 mil investidores ao final de 2025, em comparação aos 37,5 mil registrados um ano antes.
Um Fundo Imobiliário Multiestratégia
Atualmente, o MANA11 é considerado um veículo multiestratégia, também conhecido como hedge fund. Esse modelo permite que o fundo invista em variados ativos do setor imobiliário, incluindo crédito, cotas de outros fundos, projetos de incorporação e até mesmo ações de empresas do setor.
De acordo com a gestão, essa flexibilidade é uma vantagem que tem possibilitado a otimização de resultados em diferentes ciclos econômicos. “Os shoppings têm um ciclo, a logística tem outro, a baixa renda tem outro, e o crédito também. O nosso papel [como hedge fund] é identificar o momento de cada um, capturar essas oportunidades e agregar retorno para os nossos investidores”, comentou Eduardo Mekbekian, sócio-fundador da Manatí Capital, em uma entrevista ao Money Times.
Crédito Estruturado: A Base de Tudo
Hoje, o foco da gestora recai sobre o crédito estruturado, correspondente a aproximadamente 60% a 70% da carteira do MANA11. Ao contrário de apenas adquirir títulos tradicionais de mercado, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), o fundo participa da estrutura financeira de projetos imobiliários, ajudando a montar o financiamento desde o início.
Dessa forma, o FII pode financiar incorporadoras ou imóveis específicos, como construções residenciais, estruturando a dívida com garantias. “Desde o início, focamos em considerar o investidor pessoa física como nosso principal stakeholder. Isso se reflete na entrega consistente de dividendos”, destacou Mekbekian, ressaltando que as operações de crédito estruturado almejam retornos entre CDI +3% e CDI +5%.
O MANA11 é Considerado High Yield?
Apesar da atuação destacada no crédito, o gestor enfatiza que o fundo não deve ser classificado como um high yield. Este termo, na indústria financeira, geralmente se refere a investimentos com juros elevados, mas com maior risco, especialmente pela falta de garantias, o que, conforme o executivo, não é o caso do MANA11.
“High yield não se limita apenas à taxa mais alta, mas também envolve a falta de garantias. Se temos um pacote de garantias robusto e conforto em relação às premissas imobiliárias, conseguimos manter a tranquilidade mesmo que o retorno seja um pouco superior à média do mercado”, explicou Mekbekian.
“Desde nosso início, não enfrentamos nenhum problema de inadimplência. Temos garantias de recebíveis, alienação fiduciária dos empreendimentos e aval dos sócios envolvidos”, completou.
Buscando Oportunidades Fora do Eixo Comum
A gestora também se destaca por buscar oportunidades no mercado fora do eixo Rio-São Paulo, em regiões onde há menos competição por capital. Segundo Mekbekian, tal estratégia não apenas aumenta o poder de barganha, mas também permite estruturar operações com uma relação mais equilibrada entre risco e retorno.
Minha Casa, Minha Vida: A Estratégia Utilizada
Para mitigar riscos na incorporação, o executivo apontou a utilização de estruturas como equity preferencial, que garante prioridade no recebimento dos pagamentos antes que o próprio incorporador o faça. Além disso, a estratégia do fundo inclui a atuação em dois extremos do mercado imobiliário: o segmento de baixa renda, com projetos do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), e o de alta renda.
“Optamos por não nos expor ao médio padrão, por motivos fundamentais, pois esse segmento tem enfrentado maiores dificuldades em função das altas taxas de juros”, destacou Mekbekian. “Por outro lado, a demanda na baixa renda permanece robusta, seja em decorrência do déficit habitacional no Brasil, que continua crescendo anualmente, ou por fatores políticos e eleitorais”, acrescentou.
Ações Também Estão na Composição do Fundo
Embora a participação de ações na carteira do MANA11 seja de apenas 2%, mesmo assim, essa inclusão é considerada significativa para o resultado do fundo. “Sim, já realizamos grande parte dos lucros acumulados ao longo do tempo, o que nos permite continuar trabalhando para otimizar os dividendos a serem distribuídos aos nossos cotistas”, declarou.
Expectativas para o Futuro
Com relação à distribuição de dividendos, Mekbekian afirmou que a gestora está migrando parte das operações vinculadas ao CDI para estruturas que oferecem retornos pré-fixados, antecipando um possível ciclo de queda nas taxas de juros. “Desde o meio do ano passado, temos intensificado essa estratégia de caráter pré-fixado”, afirmou.
“Com a movimentação da Selic, inflação e os ajustes que estamos promovendo na nossa carteira, envolvendo produtos de projetos residenciais e de incorporação, tudo indica que o nível de dividendos deve se manter similar ao que observamos até agora”, acrescentou Mekbekian.
O relatório gerencial mais recente, referente ao mês de janeiro, indica que o MANA11 manteve um guidance mensal de distribuição para o primeiro trimestre do ano, variando entre R$ 0,10 e R$ 0,12 por cota, o que representa um retorno de 1,1% a 1,3% ao mês, de acordo com o gestor.
Fonte: www.moneytimes.com.br