Desempenho do Real e Política Monetária
Comentários do Banco Central
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou, em evento realizado na quarta-feira (15), que a autarquia não depende da valorização do real para alcançar a meta de inflação de 3%. Ele classificou o recente desempenho da moeda brasileira como um fenômeno conjuntural.
Volatilidade do Real
Durante um seminário promovido pelo JP Morgan, em Washington, David destacou que a moeda brasileira apresenta geralmente maior volatilidade em comparação às moedas de outros países devido à sua forte correlação com os movimentos cambiais globais. No entanto, ele observou que, nos últimos tempos, o real teve um desempenho surpreendentemente positivo.
Expectativas de Inflação
David explicou que existem razões mais conjunturais do que estruturais para essa valorização e, portanto, não considera que esse cenário possa se repetir de forma sistemática no futuro. Ele também argumentou que a valorização do real não terá efeitos significativos na busca pela meta de inflação. Nas últimas sessões, o dólar voltou a ser negociado abaixo dos R$ 5,00, um índice não observado há dois anos, impulsionado pelas expectativas de um possível acordo entre EUA e Irã para encerrar a guerra.
Influência das Desvalorizações
Em sua análise, o diretor observou que movimentos de desvalorização do real tendem a elevar as expectativas do mercado em relação à inflação de forma mais intensa do que os impactos positivos gerados por uma valorização. Ele adicionou que, para que a inflação se direcione de maneira sustentável em direção à meta, é essencial que a atividade econômica no Brasil esteja alinhada ao seu potencial. Segundo David, o Banco Central acredita que essa convergência está em curso atualmente.
Expectativas para a Inflação em 2028
No evento, David expressou preocupação com o aumento das expectativas de inflação para 2028, confirmando que a autarquia não está satisfeita com esse cenário e reiterou que o foco permanece na meta de 3%. "Não estamos felizes que a expectativa de inflação para 2028 está subindo", afirmou.
Novos Dados do Boletim Focus
De acordo com o último boletim Focus emitido pelo Banco Central, a mediana das previsões feitas por economistas do mercado para a inflação em 2028 subiu para 3,60%, superior aos 3,50% registrados no mês anterior. A meta de inflação estipulada pelo Banco Central continua sendo de 3%. David enfatizou que os dados do Focus são incompatíveis com um Banco Central que busca atingir a meta, sublinhando que esse permanece como o objetivo da instituição.
Processo de Calibração da Selic
Além disso, David ressaltou que o atual processo de cortes na taxa Selic é uma forma de "calibração", ao invés de "flexibilização". Ele indicou que, ao final do ciclo de cortes, a taxa básica ainda permanecerá em um nível restritivo. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em meados de março, a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, estabelecendo a taxa em 14,75% ao ano. O comitê afirmou que essa decisão marcava o início de uma etapa de "calibração".
Expectativas do Mercado
Desde então, o mercado financeiro tem indicado uma probabilidade significativa de que o Banco Central reduza novamente a Selic em mais 0,25 ponto percentual no final de abril, em resposta às incertezas geradas pela situação de conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã.
Incertezas em Relação ao Conflito no Irã
David comentou que o conflito no Irã tem gerado um nível adicional de incerteza na economia, destacando que a situação já era complexa o suficiente. Em sua fala, ele reiterou que a instituição está atualmente analisando dados e que tomará as medidas necessárias se achar apropriado.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br