Retomada das Ofertas Públicas Iniciais
O ano iniciou superando uma fase negativa, com a volta das ofertas públicas iniciais (IPOs) no Brasil após quatro anos. O PicPay foi a primeira empresa brasileira a realizar a abertura de capital, figurando na Nasdaq, nos Estados Unidos. Em seguida, o AgiBank também fez sua estreia no mercado acionário, levantando um total de US$ 276 milhões.
Expectativas e Movimentos no Mercado
Atualmente, com o Ibovespa atingindo máximas históricas e a previsão de queda nas taxas de juros no Brasil, alguns analistas e investidores começam a discutir a possibilidade de reabertura da janela para IPOs.
No Brasil, empresas como Aegea e BRK Ambiental estão entre as que têm planos mais avançados para abertura de capital. Recentemente, a Cosan anunciou que está analisando a possibilidade de listar sua subsidiária Compass. O CEO da B3 (B3SA3), Gilson Finkelsztain, comentou que esses movimentos podem sinalizar "o prenúncio de uma onda de aberturas de capital".
Análise de Especialistas
Entretanto, nem todos compartilham dessa visão otimista. Para o diretor de RI e Assuntos Institucionais da BR Partners (BRBI11), Vinicius Carmona, a perspectiva é mais cautelosa. Ele enfatiza que ainda é prematuro falar sobre uma retomada consistente dos IPOs. Em entrevista ao Money Times, Carmona afirmou: “Se houver uma abertura consistente para o mercado de capitais, isso é positivo também para M&A (fusões e aquisições), pois aumenta a liquidez e o giro de mercado. Contudo, em fevereiro, afirmar que existe uma janela de IPOs ainda é muito incipiente.”
Ele também ressaltou que, até o momento, foram realizados apenas dois IPOs — ambos no exterior. Um deles foi bem precificado, enquanto o outro teve um desconto significativo. Segundo ele, "isso está muito distante de 2021, quando o Brasil teve mais de 40 IPOs. Naquele ano, havia uma janela clara para tais aberturas."
Além disso, muitas empresas que já estão listadas buscam realizar ofertas subsequentes (follow-ons). Companhias como Riachuelo e Banco Pine estão entre as que pretendem seguir essa estratégia. A Copasa é particularmente aguardada, pois sua oferta pode sinalizar o processo de privatização da empresa.
Desafios no Cenário Atual
Carmona questiona: “A pergunta é: o investidor vai priorizar um IPO ou aportar em empresas que já conhece?”.
Taxas de Juros em Alta
Mesmo com a expectativa de queda, a Selic deve encerrar o ano próximo a 13%, um nível ainda considerado elevado. De acordo com Carmona, a drenagem de recursos para a renda fixa permanece forte. Ele observa que, com a Selic a 15% e spreads proporcionando retornos próximos a 16% ao ano com risco praticamente nulo, "é difícil competir com a renda fixa". Ele destaca a resistência em assumir riscos em IPOs: “Por que eu tomaria risco em um IPO? Eu mesmo, como investidor, não apostaria em um IPO se posso deixar meu dinheiro em um CDB que me retorne 15% ao ano.”
Possíveis Mudanças no Cenário Político
Para o executivo da BR Partners, uma mudança no cenário dependeria, em grande parte, de aspectos políticos. Um candidato que apresentasse um discurso firme de compromisso fiscal poderia reduzir os prêmios de risco nos títulos de longo prazo, abrindo espaço para novas ofertas no segundo semestre.
Carmona expressou suas dúvidas: “Posso queimar minha língua, mas me surpreenderia muito se começasse uma onda de IPOs já em março.” Recentemente, uma pesquisa da Atlas/Bloomberg citou uma redução na diferença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro no primeiro turno, o que indica um cenário que ainda apresenta competitividade para a direita nas eleições presidenciais deste ano.
Perspectivas para Fusões e Aquisições
O BR Partners registrou um lucro líquido de R$ 44,5 milhões no quarto trimestre de 2025, representando um crescimento de 5,7% em comparação ano a ano. No entanto, no acumulado do ano, o ganho totalizou R$ 175,1 milhões, uma queda de 9,6%. O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) chegou ao fechamento de dezembro a 22,4%, acima dos 20,4% observados no ano anterior.
Carmona observou que a diversificação permitiu ao banco enfrentar um período difícil para fusões e aquisições. As receitas do banco de investimento e do mercado de capitais somaram R$ 304 milhões em 2025, o que representou um recuo de 13,8%. Ele acrescentou que a empresa não demitiu ninguém durante o ano, mesmo diante das dificuldades, e ainda contratou para fortalecer a equipe.
A instituição financeira também busca expansão na área de wealth management. Atualmente, gerencia cerca de R$ 6 bilhões e tem a meta de se tornar um player significativo nesse segmento nos próximos três anos, seja por meio da contratação de novos bankers ou por aquisições. Carmona finaliza afirmando que "não haverá outro caminho a não ser aumentar a equipe ou adquirir outra empresa."
Fonte: www.moneytimes.com.br