Divisões que esperam novo presidente serão destacadas na divulgação da ata do Fed.

Divergências nas Opiniões do Federal Reserve

A diferença marcante nas opiniões das autoridades do Federal Reserve sobre a direção da taxa de juros e o estado da inflação será evidenciada nesta quarta-feira, dia 20, com a publicação da ata da reunião mais dividida em uma geração. Esta reunião também coincide com o final do mandato do presidente Jerome Powell.

Mudanças na Liderança

A posse do sucessor de Powell, Kevin Warsh, está programada para sexta-feira, dia 22. A divulgação da ata da reunião realizada nos dias 28 e 29 de abril trará detalhes relevantes sobre as mudanças nas duas correntes de pensamento entre os membros do Fed. Uma delas é composta por autoridades que são cautelosas em relação à inflação, especialmente em razão da guerra no Irã, e que são contra qualquer discussão sobre cortes futuros nas taxas de juros. A outra corrente está mais inclinada à redução dos custos dos empréstimos.

Perspectivas de Warsh

Warsh, que expressa preferência por debates acalorados, já defendeu a redução das taxas de juros. A cerimônia de sua posse ocorrerá na Casa Branca, com organização do presidente Donald Trump, que o nomeou e tem sido claro em sua demanda por cortes significativos na taxa.

A ata, quando divulgada, poderá manifestar a dificuldade em sustentar um argumento favorável a uma política monetária mais flexível, embora Trump, recentemente, tenha diminuído as expectativas a esse respeito.

Taxa de Juros Mantida

No mês passado, o Comitê Federal de Mercado Aberto decidiu manter a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas quatro autoridades expressaram desacordo, o maior número de divergências desde 1992.

As dissidências apresentaram variações. Uma autoridade, o diretor Stephen Miran, que foi nomeado por Trump e deixará o Fed na próxima sexta-feira, defendeu novamente a implementação de cortes nas taxas de juros. Três outros membros, por outro lado, manifestaram discordância em relação ao uso contínuo de uma linguagem que sugere a possibilidade de redução das taxas no comunicado.

Pressões Inflacionárias

Esses três membros, além de outros que se pronunciaram após a reunião, apontam para uma inflação que se encontra significativamente acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed. Existe a expectativa de que essa inflação se distancie ainda mais da meta a curto prazo, como consequência do aumento das pressões sobre os preços, impulsionadas pelo conflito no Irã e a ação militar coordenada pelos EUA e Israel.

O conflito resultou em um aumento superior a 50% nos preços do petróleo. Dados recentes sobre a inflação ao consumidor e no atacado indicam que as pressões sobre os preços começaram a se espalhar para além do setor de energia.

Além disso, a manutenção de uma taxa de desemprego estável e a criação de empregos nos últimos dois meses demonstram que o mercado de trabalho continua resiliente, não necessitando de taxas de juros mais baixas para se sustentar.

Foco da Ata

O principal foco da ata a ser divulgada nesta quarta-feira será uma seção que descreve o debate do FOMC sobre as perspectivas da política monetária.

Por exemplo, a ata da reunião realizada em março indicou um aumento nas autoridades que consideravam haver justificativas para uma "descrição dupla" das futuras decisões do Comitê sobre a taxa de juros no comunicado pós-reunião.

Isso sugere que um número maior de autoridades acredita que um aumento nas taxas poderia ser apropriado se a inflação permanecer acima da meta.

Expectativas do Mercado

Embora a ata a ser divulgada nesta quarta-feira possa parecer um pouco desatualizada, à luz do sólido relatório de empregos de abril e dos índices de inflação elevados da semana passada, ela oferecerá insights valiosos sobre a mudança no tamanho do grupo que defende uma orientação futura mais neutra, conforme apontaram analistas do Deutsche Bank.

Há um lembrete, também, de que três autoridades discordaram da leve tendência de afrouxamento na linguagem da orientação futura do comunicado da reunião de abril do FOMC. Desde aquele encontro, a comunicação do Fed parece ter adotado uma postura um pouco mais "hawkish".

Primeira Reunião de Warsh

Após oito anos de liderança de Powell, Warsh presidirá sua primeira reunião do Fed nos dias 16 e 17 de junho. As expectativas atuais não indicam nenhuma alteração nas taxas de juros, e certamente não um corte.

Os mercados de títulos nos EUA, assim como globalmente, refletem a crescente convicção de que o Fed e outros bancos centrais aumentarão as taxas de juros em breve, de forma a se proteger contra a inflação induzida pela guerra.

Expectativas de Juros

O rendimento do Treasury de 2 anos, que serve como um indicador das expectativas de juros do Fed, subiu de pouco menos de 3,40% em 27 de fevereiro, um dia antes dos ataques aéreos dos EUA e Israel contra o Irã, atingindo uma marca de 15 meses acima de 4,10% na terça-feira, dia 19.

Além disso, uma pesquisa realizada pela Reuters revelou, na terça-feira, uma alteração significativa nas expectativas dos economistas em relação aos cortes na taxa de juros para este ano. Hoje, menos de 50% dos economistas projetam uma redução até dezembro, em comparação com dois terços que esperavam essa possibilidade há apenas um mês.

Aproximadamente metade dos entrevistados não antecipa alterações nas taxas neste ano, enquanto alguns preveem ao menos um aumento das taxas.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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