Quinze anos após um estudo indicar que o Brasil poderia ascender à quinta maior economia do planeta até 2016, o cenário atual é significativamente diferente do previsto.
Em 2026, o país deve encerrar o ano na décima posição do ranking mundial em Produto Interno Bruto (PIB) nominal, conforme as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A diferença entre a projeção anterior e a realidade é resultado de uma combinação de recessão econômica, baixos níveis de investimento e dificuldades históricas em aumentar a produtividade econômica do país.
Leia também: Opep mantém Brasil como peça-chave no mercado de petróleo até 2027
Essas previsões foram apresentadas em um relatório divulgado em julho de 2011, elaborado por uma força-tarefa independente patrocinada pelo Council on Foreign Relations (CFR), um dos principais centros de estudos sobre política internacional dos Estados Unidos.
Naquele período, o Brasil vivia um momento de forte expansão econômica, impulsionado pelo aumento do consumo interno, pela expansão do crédito, pelo crescimento das exportações e pelas significativas descobertas de petróleo na camada do pré-sal.
Brasil entre as maiores economias do planeta
Leia também: Roraima lidera ranking das passagens aéreas mais caras do Brasil; veja
O relatório também ressaltava diversos fatores que sustentavam o otimismo em relação à economia brasileira, incluindo a expansão da classe média, o fortalecimento do mercado consumidor, e o crescimento dos setores do agronegócio e da mineração, além do potencial das reservas de petróleo do pré-sal. Segundo os especialistas, esses elementos poderiam colocar o Brasil entre as cinco maiores economias do mundo em poucos anos.
Recessão mudou a trajetória do Brasil
No entanto, a trajetória de avanço econômico perdeu força rapidamente. Após um crescimento mais modesto ao longo de 2011, a atividade econômica desacelerou e o Brasil sofreu uma das maiores crises econômicas de sua história.
Em 2015, o PIB teve uma redução de 3,5%. No ano seguinte, o país enfrentou um novo declínio de 3,3%, exatamente quando a projeção previa que o Brasil alcançaria a quinta posição mundial.
Leia também: Produção de alumínio no Brasil cresce 8,5% e chega ao maior nível desde 2013
Além da retração na atividade econômica, os investimentos também diminuíram. A taxa de investimento havia atingido 15,5% do PIB em 2016, o menor nível desde o início da série histórica em 1995, o que limitou a capacidade de expansão econômica a longo prazo.
Problemas antigos continuaram sem solução
O relatório elaborado em 2011 já advertia que o crescimento do Brasil dependeria do enfrentamento de vários obstáculos estruturais.
Dentre os principais desafios, estavam a deficiente infraestrutura, a baixa qualidade da educação básica, a escassez de mão de obra qualificada, o volume reduzido de investimentos em inovação e a complexidade do sistema tributário e regulatório do país.
Outro aspecto destacado no documento era a elevada dependência das exportações de commodities, o que tornava a economia brasileira mais suscetível às oscilações dos preços internacionais e ao ritmo de crescimento da demanda asiática.
Leia também: Competitividade do milho brasileiro cai frente a EUA e Argentina; El Niño aumenta risco
Petróleo avançou no Brasil
Uma das previsões que se confirmou foi a expansão da produção de petróleo no Brasil. Em abril de 2026, o país alcançou um recorde de produção de 4,34 milhões de barris de petróleo por dia, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O pré-sal foi responsável por mais de 80% da produção total de petróleo e gás no Brasil. Esse avanço consolidou o país como um dos grandes produtores de energia no mundo, ampliando receitas provenientes das exportações e investimentos no setor.
Apesar disso, o desempenho obtido não foi suficiente para levar o Brasil à posição econômica esperada há 15 anos.
Leia também: Câmara esconde autores de R$ 1,3 bilhão em emendas, mostra relatório do Transparência Brasil
Os economistas observam que, embora o aumento na produção de recursos naturais gere uma riqueza considerável, isso não substitui os ganhos permanentes em termos de produtividade, melhorias na educação, inovação tecnológica e expansão da infraestrutura necessária.
Ranking continua distante da meta
De acordo com as projeções mais recentes fornecidas pelo FMI, o Brasil deverá registrar um PIB nominal de aproximadamente US$ 2,64 trilhões em 2026. Este valor mantém o país ao redor da décima posição entre as maiores economias do mundo.
Vale ressaltar que esse ranking considera o PIB convertido para dólares, então o resultado sofre influências tanto das variações cambiais quanto do desempenho das atividades econômicas do país.
Leia também: Waze: modo moto e Gemini integrado chegam hoje ao Brasil; confira as novidades
Depois de quinze anos, o estudo do CFR demonstra que algumas expectativas se concretizaram, especialmente em relação ao fortalecimento do agronegócio, à expansão das exportações de commodities e ao crescimento da produção de petróleo.
Por outro lado, os principais entraves identificados no relatório permanecem presentes ao longo do tempo.
Leia também: Brasil conclui 45% do maior programa de internet por fibra em rios do mundo
A combinação de crises econômicas, baixos níveis de investimento e reformas estruturais incompletas diminuiu o ritmo de crescimento do país e distanciou a possibilidade de que o Brasil alcançasse a posição de quinta maior economia do mundo no prazo que havia sido estipulado.
Fonte: timesbrasil.com.br