Dólar à Vista Tem Alta em Dia de Expectativas
Na última quinta-feira, dia 18, o dólar à vista registrou um desempenho significativo, com os investidores avaliando as recentes decisões de política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Valorização do Dólar
O dólar à vista encerrou as negociações cotado a R$ 5,1752, apresentando uma alta de 1,32%. Durante a sessão, a moeda brasileira atingiu a máxima intradia de R$ 5,1902, o que representa um aumento de 1,62%.
Neste contexto, o desempenho da moeda nacional acompanhou o movimento do dólar no exterior. Por volta das 17h, no horário de Brasília, o DXY, que é o indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, incluindo o euro e a libra, operava com uma leve valorização de 0,70%, alcançando 100,792 pontos.
Decisões do Copom
No dia anterior, 17 de outubro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, marcando a terceira queda consecutiva desse índice, o que estava em linha com as expectativas do mercado. Vale ressaltar que essa decisão foi unânime entre os membros do colegiado.
O Banco Central (BC) mencionou uma deterioração marginal nas projeções de inflação e um aumento das incertezas relacionadas ao cenário externo, com atenção especial para as tensões no Oriente Médio. Além disso, o comunicado do Copom enfatizou a necessidade de um “ajuste total” na política monetária ao invés de apenas se concentrar no ritmo de cortes.
Expectativas de Novas Reduções
Apesar da redução da Selic, o comunicado deixou em aberto a possibilidade de novos cortes, uma posição considerada contrária à tendência adotada pelos principais bancos centrais do mundo, segundo economistas. O Goldman Sachs, por exemplo, argumenta que o documento revela uma desconexão entre a flexibilização da política monetária e a piora nas projeções de inflação no horizonte relevante.
O principal ponto de atenção no mercado foi a sinalização antecipada sobre a "rolagem" do horizonte relevante da política monetária na próxima reunião do Copom. O BC adiou a expectativa de atingir a meta de inflação de 3% do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, o que reforça a percepção de que um novo corte na Selic pode ocorrer em agosto. Essa última notícia foi interpretada pelo mercado como uma maior complacência do Banco Central em relação à inflação.
Influências Externas e Cenário Geopolítico
Além do ruído em torno da ancoragem monetária, o dólar ganhou força no cenário internacional, influenciado pelo DXY que se mantinha acima dos 100 pontos, em função do tom considerado "hawkish" do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos.
Na reunião do dia 17, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) do Fed optou por manter as taxas de juros inalteradas, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, conforme já era esperado pelo mercado. Essa foi a quarta manutenção consecutiva, também com uma decisão unânime.
Durante a coletiva de imprensa, que foi a primeira conduzida por Kevin Warsh após assumir o comando do Fed, o novo presidente indicou que o Banco Central pode implementar mudanças em sua estratégia de comunicação com os investidores, incluindo a realização de coletivas de imprensa e outros instrumentos destinados a orientar o mercado.
O mercado, dessa forma, começou a incorporar nas suas análises a possibilidade de uma retoma do ciclo de elevações nas taxas de juros norte-americanas. Próximo ao fechamento do pregão, a ferramenta FedWatch, utilizada pelo CME Group, indicava que havia 69,8% de chances de um aumento nas taxas em setembro. Antes dessa decisão do Fed e das declarações de Warsh, dezembro era o mês em que o mercado mais esperava uma correção nas taxas de juros.
Na esfera internacional, o contexto geopolítico também merece destaque. Com a assinatura de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã, o presidente americano Donald Trump afirmou que os EUA buscam um "cessar-fogo total em todas as frentes", que inclui também questões envolvendo o Líbano, o Hezbollah e Israel.
Este cenário econômico e geopolítico está gerando uma série de reações no mercado financeiro nacional e internacional, apresentando um ambiente de incertezas, mas ao mesmo tempo oportunidades para investidores atentos às oscilações da moeda.
Fonte: www.moneytimes.com.br