Movimentações do Dólar
Os indicadores de inflação nos Estados Unidos, as tensões geopolíticas e o contexto eleitoral tiveram um impacto significativo nas oscilações do dólar. O receio de uma possível interferência do governo Trump no Banco Central dos EUA permaneceu em destaque durante o dia.
Dólar à Vista
Na terça-feira, 13 de dezembro, o dólar à vista (USDBRL) encerrou o pregão cotado a R$ 5,3759, apresentando uma leve alta de 0,06% em relação ao fechamento anterior.
Esse movimento refletiu as tendências observadas no mercado externo. Às 17 horas (horário de Brasília), o índice DXY, que mede a performance do dólar frente a uma cesta de seis moedas globais, como o euro e a libra, registrava uma alta de 0,27%, com a cotação em 99,135 pontos.
Influências Recentes no Dólar
Nesta terça-feira, dia 13, novos dados de inflação nos Estados Unidos impactaram o câmbio.
O índice de preços ao consumidor (CPI, do inglês Consumer Price Index) apresentou uma alta de 0,3% no mês de dezembro em comparação ao mês anterior, acumulando um aumento de 2,7% nos últimos 12 meses, conforme as expectativas do mercado. Embora este índice não seja o principal parâmetro de inflação considerado pelo Federal Reserve (Fed), ele é utilizado pelos investidores para ajustar suas previsões sobre os juros nos Estados Unidos.
A divulgação do CPI provocou no mercado uma reavaliação relacionada a uma possível redução nas taxas de juros pelo Banco Central norte-americano em março, embora essa expectativa ainda seja minoritária. A perspectiva principal de flexibilização monetária permanece para junho, e os analistas financeiros estão considerando a possibilidade de dois cortes ao longo do ano.
“A leitura do CPI, sendo coerente com as projeções, ajudou a melhorar o sentimento do mercado”, comentou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Além disso, o receio de interferência do governo Trump no Fed continuou a ser um ponto de preocupação para os investidores.
Declaração dos Bancos Centrais
Os líderes dos principais Bancos Centrais ao redor do mundo emitiram uma declaração conjunta em defesa do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, após o governo dos Estados Unidos ter ameaçado processá-lo criminalmente. Os dirigentes do Banco Central Europeu (BCE), do Banco da Inglaterra (BoE) e de outras nove instituições, incluindo do Brasil, expressaram que Powell agiu de forma íntegra e que a independência dos Bancos Centrais é essencial para a manutenção da estabilidade dos preços e dos mercados financeiros.
“Estamos em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu presidente Jerome H. Powell”, afirmaram os banqueiros centrais em um comunicado raro. Eles ressaltaram que “a independência dos Bancos Centrais é a base da estabilidade econômica, financeira e de preços em interesse dos cidadãos que atendemos”.
No final de semana, o presidente Donald Trump ameaçou processar Jerome Powell em razão de declarações que ele fez diante do Congresso sobre uma proposta de reforma do Banco Central. Powell respondeu, em sua pronúncia no domingo, afirmando que a ação governamental é um “pretexto” para aumentar a influência do governo sobre as taxas de juros, algo que Trump deseja reduzir drasticamente.
Tensões Geopolíticas e Seus Efeitos
As tensões geopolíticas também repercutiram no mercado cambial. Os preços do petróleo dispararam, o que diminuiu a força do dólar, após Trump cancelar reuniões com autoridades do Irã e afirmar aos manifestantes que “a ajuda está a caminho”. Essa declaração ocorreu um dia após Trump anunciar que qualquer país que mantiver negócios com o Irã enfrentará uma tarifa de 25% sobre todos os negócios realizados com os EUA.
Eleições e Contexto Interno
Em relação ao contexto interno, os investidores estão atentos à primeira pesquisa eleitoral referente ao ano de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece liderando as intenções de voto na corrida pela reeleição nas eleições de outubro de 2026, conforme uma pesquisa divulgada na terça-feira, 13 de dezembro, pela plataforma de jornalismo Meio em parceria com o Instituto Ideia.
Conforme o levantamento, o ex-presidente Lula está à frente tanto no primeiro quanto no segundo turno, embora o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tenha uma diferença técnica com o petista no confronto direto, considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
Apesar de estar à frente nas intenções de voto, a pesquisa revela que 40,8% dos entrevistados afirmam que não votariam de jeito nenhum em Lula. Em relação aos adversários, a rejeição é de 30% para Flávio Bolsonaro, 26,1% para Michelle e 16,2% para Tarcísio.
Contexto Fiscal e o Caso Master
O cenário fiscal também voltará aos holofotes, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informando que o governo central terminou o ano de 2025 com um déficit primário estimado em 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), cumprindo a meta de déficit zero fixada para o ano, que tem uma margem de tolerância de 0,25% do PIB.
Esse resultado não considera despesas que ficam fora da contabilidade fiscal após autorização judicial, conforme esclarecido pelo ministro durante entrevista a jornalistas. Segundo Haddad, se forem incluídos os gastos com precatórios e indenizações de aposentados, o déficit poderá chegar a 0,48% do PIB.
Além disso, o mercado continua acompanhando os desdobramentos do Caso Master. Recentemente, o Banco Central apresentou um pedido de desistência de um recurso que havia sido apresentado junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) em contestação a uma inspeção iniciada pela corte para analisar documentos da autarquia que justificaram a liquidação do Banco Master pela autoridade monetária.
Esse movimento ocorreu logo após uma reunião entre o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Fonte: www.moneytimes.com.br