Dólar Ganha Força com Aumento da Aversão ao Risco
O dólar registrou uma valorização em meio ao aumento da aversão ao risco no cenário doméstico, além de ser influenciado por dados macroeconômicos relevantes. O contexto geopolítico também permanece como um fator a ser monitorado.
Cotação do Dólar
Nesta sexta-feira, 29 de setembro, o dólar à vista (com a sigla USDBRL) encerrou suas operações cotado a R$ 5,0429, apresentando uma alta de 0,22%.
Comparativo com Moedas Estrangeiras
Neste mesmo dia, houve um descompasso no desempenho do dólar em relação a outras moedas no mercado internacional. Às 17 horas (horário de Brasília), o DXY, que é um índice que avalia o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas estrangeiras, como o euro e a libra, estava operando com uma queda de 0,14%, marcando 98,885 pontos.
Desempenho Semanal e Mensal
Na semana, o dólar valorizou-se em 0,29%. Já em comparação ao mês de setembro, o aumento acumulado foi de 1,82%.
Cenário Geopolítico
As incertezas no cenário geopolítico continuam a impactar de maneira significativa o mercado cambial. Segundo fontes do New York Times, a reunião do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Situation Room da Casa Branca durou aproximadamente duas horas, mas não resultou em uma decisão sobre um novo acordo com o Irã.
Trocas de Mensagens Entre EUA e Irã
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, informou mais cedo que as “trocas de mensagens entre o Irã e os Estados Unidos continuam, mas ainda não foi alcançado um acordo final”, conforme relatado pela IRNA, a agência estatal de notícias do Irã. Baghaei também reiterou que as negociações estão direcionadas para o “fim da guerra” e não têm relação com “questões nucleares”, em uma entrevista realizada por telefone.
Desde o dia anterior, notícias sugerem que Washington e Teerã chegaram a um consenso para a extensão do cessar-fogo por mais 60 dias, porém, o memorando oficial a respeito dessa prorrogação ainda não foi divulgado.
Dados Macroeconômicos do Brasil
No cenário interno, o mercado reagiu a dados macroeconômicos relevantes. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 (1T26). Na comparação anual, o PIB teve um incremento de 1,8%.
Projeções de Crescimento
Conforme a mediana das projeções coletadas pelo Money Times, a expectativa era de crescimento de 1,0% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, e de 1,8% no comparativo anual. Para o ano de 2026, a estimativa de expansão do PIB é de 1,8%.
Opinião de Especialistas
Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, afirmou que os resultados confirmam uma atividade econômica mais robusta no primeiro trimestre, especialmente devido a incentivos pontuais do governo, como a isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) e a valorização do salário mínimo. Ele prevê que a economia deve apresentar uma desaceleração gradual nas próximas etapas.
Revisão do PIB
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atualizou suas estimativas, revisando o PIB para alta de 0,1% no terceiro trimestre e 0,3% no quarto trimestre de 2025.
Classificação de Facções Brasileiras
A recente designação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas internacionais pelo governo dos Estados Unidos também gerou um clima de aversão ao risco no mercado local, trazendo insegurança jurídica e possíveis impactos negativos para o mercado financeiro brasileiro.
Análise de Especialistas de Investimentos
Bruno Sashini, especialista em investimentos da Nomad, destacou que a combinação da elevada diferença nas taxas de juros, o fluxo limitado de investimentos externos e a ausência de novos catalisadores significativos têm contribuído para um ambiente de câmbio mais lateral. Investidores estão aguardando sinais mais claros sobre o cenário econômico e político nacional.
Fonte: www.moneytimes.com.br