Dólar atinge R$ 5,25 devido a IPCA-15 elevado e incertezas geopolíticas

Dólar à Vista Ganha Força

O dólar à vista valorizou-se em meio à persistente aversão ao risco dos investidores, influenciada pelos recentes desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

Cotação do Dólar

Na quinta-feira, 26 de março, o dólar à vista (USDBRL) encerrou suas negociações cotado a R$ 5,2562, representando um crescimento de 0,69% em relação ao dia anterior.

Esse movimento refletiu o desempenho da moeda no mercado internacional. Por volta das 17h no horário de Brasília, o DXY, índice que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como o euro e a libra, registrava um aumento de 0,38%, situando-se em 99,978 pontos.

Cenário do Mercado de Câmbio

O mercado cambial vivenciou mais um dia tumultuado devido às incertezas envolvendo a situação no Irã. Entretanto, as atenções se voltaram também para os dados relacionados à inflação e às expectativas do Banco Central (BC) em relação à economia.

No Brasil, a prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), apresentou um aumento de 0,44% em março, impulsionado principalmente por itens de Alimentação e Bebidas e Despesas Pessoais. A previsão para este mês era de uma elevação de 0,29%, conforme a mediana das projeções do Broadcast.

O IPCA-15 acumulou uma alta de 3,90% nos últimos 12 meses, situando-se dentro do teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Este resultado representa uma desaceleração em comparação ao incremento de 0,84% e aos 4,10% registrados nos 12 meses anteriores, conforme dados de fevereiro.

Para a economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, o IPCA-15 ainda não sente significativamente os efeitos do aumento de preços originados pela guerra no Irã. A expectativa é que as pressões sobre os preços dos combustíveis e outros itens se façam sentir no IPCA a partir de março.

Projeções de Inflação do Banco Central

Além disso, o Banco Central alterou suas projeções de inflação para o chamado horizonte relevante, período em que o Comitê de Política Monetária (Copom) avalia os impactos de sua política sobre a economia.

De acordo com o Relatório de Política Monetária (RPM), a expectativa para o terceiro trimestre de 2027 foi ajustada para cima, aumentando em 0,1 ponto percentual, agora prevista em 3,3%.

Os fatores contribuindo para essa alta incluem o aumento no preço do petróleo e a revisão do hiato do produto, que sugere que a atividade econômica está acima da capacidade potencial. Em contrapartida, a apreciação do real e uma ligeira redução nas expectativas do mercado ajudaram a moderar essa elevação.

Economistas ouvidos pelo Money Times afirmaram que o RPM está alinhado com a ata e o comunicado do Copom, enfatizando o cenário de incertezas geopolíticas em virtude do conflito no Oriente Médio, além dos riscos potenciais, tanto de alta quanto de baixa, que a guerra representa para a inflação.

Análise do Presidente do Banco Central

Durante uma coletiva de imprensa, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que o Brasil está em uma posição relativamente mais confortável em face do atual choque geopolítico em comparação a outros países. Segundo Galípolo, essa situação favorável é fruto de um aperto monetário realizado de forma antecipada e da condição do Brasil como um exportador líquido de petróleo.

Conflito no Irã

O 27º dia do conflito no Irã levou o mercado a monitorar as atualizações e aumentar a aversão ao risco, acompanhando as incertezas sobre a duração do conflito.

Na manhã da data mencionada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o Irã demonstrava um desejo desesperado por um acordo para interromper quase quatro semanas de combates, embora tenha considerado os negociadores iranianos como “estranhos”.

Trump comentou que os representantes iranianos estavam “implorando” por um acordo, dada sua situação militar crítica, mas ainda assim afirmavam estar apenas “analisando nossa proposta”.

Na mesma declaração, Trump enfatizou que o Irã deveria levar a sério as tratativas para o fim da guerra.

Até o momento, autoridades iranianas negaram a existência de negociações para um cessar-fogo. No dia anterior, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que as “conversas indiretas” não se configuravam como uma negociação.

Araqchi esclareceu que as mensagens trocadas por meio de países amigos e as respostas dadas não devem ser interpretadas como diálogo verdadeiro.

Declaração sobre Petroleiros

No início da tarde, Trump anunciou que o Irã havia permitido que dez petroleiros passassem pelo Estreito de Ormuz, apresentando esse ato como um “aparente gesto de boa vontade” nas negociações.

Ele comentou que o Irã havia decidido permitir a navegação de 10 navios de petróleo, descrevendo a ação como uma demonstração de que estão comprometidos com o processo, e, ainda assim, essa informação carecia de confirmação.

A repercussão dessa situação fez com que o preço do barril de petróleo projetasse um retorno ao nível de US$ 100. Os contratos mais líquidos do Brent, referência no mercado internacional, para junho, registraram uma alta de 4,61%, atingindo US$ 101,89 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Analistas, como Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, comentaram que a intensificação das tensões no Oriente Médio afeta diretamente o preço do petróleo, que permanece acima da marca de US$ 100, e tal fato sustentou as taxas de juros dos Treasuries nos EUA em níveis elevados, além de reforçar a busca por proteção financeira, favorecendo o dólar em relação a moedas emergentes.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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