Dólar à Vista: Volatilidade e Queda
O dólar à vista teve uma sessão marcada por volatilidade, em meio a incertezas relacionadas à guerra no Irã, com comunicações contraditórias de ambos os lados do conflito.
Fechamento do Dólar
Nesta sexta-feira (27), o dólar à vista (USDBRL) finalizou as negociações a R$ 5,2417, apresentando uma queda de 0,28%. Essa movimentação divergiu do desempenho da moeda no mercado internacional. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, que é o indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, entre as quais estão o euro e a libra, registrava uma alta de 0,22%, alcançando 100,123 pontos.
Influências Externas
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, comentou que "a combinação de petróleo elevado, juros globais em alta e incerteza em torno do conflito no Oriente Médio sustentou a demanda por proteção ao longo da manhã, mas o movimento perdeu força com a desaceleração do dólar no exterior, sem uma piora adicional no cenário".
Desempenho Semanal
No decorrer da semana, o dólar à vista acumulou uma queda de 1,27% em relação ao real. A situação da guerra no Oriente Médio, que alcançou o seu 28º dia, tem atraído a atenção dos investidores, especialmente pelas incertezas sobre um possível cessar-fogo.
Declarações e Reações
Na quinta-feira (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que estava pausando os ataques às usinas de energia do Irã por um período de 10 dias, até 6 de abril, a pedido do governo iraniano. Trump mencionou que as negociações com Teerã estavam progredindo "muito bem".
Entretanto, em uma declaração na sexta-feira, mediadores iranianos informaram ao Wall Street Journal que o país não havia solicitado uma pausa nos ataques de 10 dias, como Trump indicou. Afirmaram ainda que Teerã não respondeu a um plano de 15 pontos do governo norte-americano para encerrar a guerra.
Adicionalmente, Seyed Abbas Araghchi, ministro de Relações Exteriores do Irã, destacou que os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a infraestrutura energética e civil do Irã contradizem as declarações de negociações feitas por Trump. O diplomata declarou que o Irã responderá e "cobrará um preço alto pelos crimes israelenses".
No final da tarde, Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, afirmou que Washington aguarda uma resposta do Irã "hoje ou amanhã", além de pressionar por um posicionamento de aliados em uma reunião do G7 na França. Ele também mencionou que o Irã poderia considerar implementar um sistema de pedágio no Estreito de Ormuz e insistiu que países europeus e asiáticos que se beneficiam do comércio nesta hidrovia devem colaborar para garantir a livre passagem assim que o conflito se encerrasse.
Situação do Estreito de Ormuz
Cabe ressaltar que o Estreito de Ormuz, a rota por onde cerca de 20% do tráfego diário de petróleo mundial normalmente flui, continua fechado para países aliados dos Estados Unidos e de Israel. Como resultado, os preços do petróleo recuperaram-se, passando a operar acima de US$ 100 por barril, o que intensificou as preocupações quanto a um possível choque inflacionário global. O contrato do Brent para junho, que é a referência para o mercado, encerrou o dia com uma alta de 3,37%, atingindo US$ 105,32 por barril na Intercontinental Exchange (ICE), localizada em Londres.
Dados Domésticos em Segundo Plano
Em contraste com a volatilidade externa, os dados econômicos domésticos passaram para um plano secundário. No Brasil, a taxa de desemprego subiu para 5,8% nos três meses que terminaram em fevereiro, presente em um cenário acima do esperado. Economistas consultados pela Reuters esperavam uma alta para 5,7%.
O dado também indicou um aumento em comparação à taxa de 5,4% registrada no trimestre encerrado em janeiro, e no confronto com 5,2% do trimestre até novembro. Em relação ao ano anterior, a taxa de desemprego foi de 6,8%.
Apesar desse aumento, a taxa registrada é a menor para um trimestre que se encerrou em fevereiro desde o início da série histórica, que começou em 2012. Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, comentou que "a taxa de desemprego acompanhou o comportamento esperado, com uma elevação. Isso reflete o efeito natural do início de ano, dado o término dos empregos temporários que acabaram no final do ano anterior".
Fonte: www.moneytimes.com.br


