Dólar interrompe sequência de ganhos
O dólar interrompeu sua sequência de três ganhos consecutivos, em meio à retomada das expectativas de um corte nos juros dos Estados Unidos para este mês. Dados relacionados à indústria e o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) também se destacaram na agenda econômica.
Nesta quarta-feira (3), o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações cotado a R$ 5,4529, com uma queda de 0,40%. O movimento acompanha a tendência observada no mercado internacional. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que avalia a cotação do dólar em relação a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, apresentava uma diminuição de 0,21%, marcando 98.183 pontos.
Impactos sobre o câmbio
Os dados econômicos novamente influenciaram o câmbio nesta quarta-feira (3).
Dados dos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o último relatório sobre empregos, conhecido como Jolts, elaborado pelo Departamento do Trabalho, revelou que o número de vagas de emprego abertas caiu para 7,18 milhões em julho. Essa cifra ficou abaixo da expectativa de 7,37 milhões estimadas por economistas entrevistados pela Reuters.
Adicionalmente, o diretor do Federal Reserve (Fed, que é o Banco Central dos EUA), Christopher Waller, declarou que apoiará um corte na taxa de juros ainda este mês, assim como outras reduções nas decisões futuras, durante uma entrevista à CNBC.
O presidente da unidade do Fed em Atlanta, Raphael Bostic, também se manifestou, afirmando que as evidências de um mercado de trabalho que apresenta sinais de fraqueza justificam um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros até o final deste ano. Ele ressaltou que a inflação, atualmente acima da meta de 2%, continua sendo o maior risco para o banco central.
Bostic declarou: “Após quatro anos de inflação acima da meta de 2% do Fed, a estabilidade de preços continua sendo a principal preocupação. As implicações totais da política comercial ainda não estão claras. Não se sabe como a proposta de desregulamentação federal e as mudanças tributárias se manifestarão, nem até que ponto essas mudanças compensarão umas às outras.”
Expectativas do mercado
Com as divulgações de dados e as declarações dos dirigentes do banco central, o mercado começou a aumentar as apostas em relação a um possível corte nos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (FOMC, sigla em inglês) do Fed, programada para os dias 16 e 17 do presente mês.
Perto do fechamento, os agentes financeiros estavam precificando uma probabilidade de 95,4% de que o banco central dos EUA reduzisse os juros em 0,25 ponto percentual. Essa expectativa é apoiada por dados da ferramenta FedWatch, do CME Group. É importante ressaltar que, na véspera (2), a probabilidade estava em 92,7%. No momento atual, a taxa de juros está na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano.
Além disso, permanece a expectativa pela divulgação do relatório mensal de empregos, conhecido como payroll, referente ao mês de julho, que ocorrerá na próxima sexta-feira (5).
Dados do Brasil
No que se refere ao Brasil, foi reportado que a produção industrial apresentou uma redução de 0,2% em julho na comparação com o mês anterior, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Julgamento no Supremo Tribunal Federal
O mercado também acompanhou o desenrolar do segundo dia do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionado ao caso da tentativa de golpe de Estado, no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro é um dos réus.
No contexto desse julgamento, o advogado do ex-presidente, Celso Vilardi, defendeu que Bolsonaro não atentou contra o Estado Democrático de Direito após sua derrota nas eleições presidenciais de 2022, conforme sua argumentação oral. “O presidente — e eu vou demonstrar cuidadosamente tratando da questão da minuta — não atentou contra o Estado Democrático de Direito. E não existe uma única prova que conecte o presidente a Punhal Verde e Amarelo, Operação Luneta e ao 8 de janeiro”, afirmou Vilardi.
A decisão final sobre o julgamento está prevista para a próxima semana.
Relações entre Brasil e Estados Unidos
O inquérito em questão tem se mostrado um ponto de tensão nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, e foi utilizado como justificativa pelo presidente norte-americano Donald Trump para a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, além da aplicação de sanções individuais a autoridades brasileiras.