Desempenho do Dólar no Mercado Brasileiro
O dólar encerrou a terça-feira, 23 de dezembro, apresentando uma forte queda no mercado de câmbio brasileiro, interrompendo uma sequência de sete altas consecutivas. A paridade entre o dólar norte-americano e o real brasileiro (FX:USDBRL) recuou 0,95%, fechando cotada a R$ 5,5313 na venda, após ter acumulado uma valorização de 3,25% nos últimos sete dias úteis. Apesar dessa correção durante o pregão, a moeda ainda se apresenta com uma alta de 10,48% no acumulado do ano de 2025. Esse movimento foi influenciado por ajustes técnicos, especialmente após a moeda ter se aproximado de R$ 5,60 nas primeiras negociações do dia, além da interação de fatores tanto internos quanto externos.
Fatores Internos: Política, Inflação e Atuação do Banco Central
No cenário doméstico, o alívio observado no câmbio foi fortemente impulsionado pelo cancelamento da entrevista programada do ex-presidente Jair Bolsonaro ao jornal Metrópoles, o que resultou em uma diminuição, ainda que temporária, da percepção de risco político. A entrevista era vista pelo mercado como um possível fator catalisador para a confirmação da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026, um assunto que já vinha pressionando o valor do real nas semanas anteriores.
Além do contexto político, dados recentes sobre a inflação também contribuíram para a melhora no sentimento do mercado. O IPCA-15 de dezembro avançou 0,25%, um valor abaixo da projeção de 0,27%, indicando uma inflação ligeiramente mais controlada. Apesar do Banco Central ter vendido apenas US$ 500 milhões dos US$ 2 bilhões oferecidos em leilões de linha, a reação positiva do mercado indica que a redução do risco político teve um peso relevante na formação do preço da moeda.
Cenário Externo: Dólar Mais Fraco no Mundo
No cenário internacional, o dólar também perdeu força quando comparado às principais moedas globais, reforçando o movimento de queda observado no Brasil. O índice do dólar (CCOM:DXY), que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, registrou um recuo de 0,30% ao fim da tarde, encontrando-se aos 97,945 pontos.
A divulgação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos colaborou para fortalecer a percepção de desaceleração gradual da economia norte-americana, favorecendo assim as moedas de países emergentes e pressionando o dólar no mercado internacional. Esse ambiente externo também funcionou como um suporte adicional para a valorização do real ao longo do pregão.
Mercado Futuro: Ajuste Mais Forte no Curto Prazo
No mercado futuro da B3, o movimento de queda foi ainda mais intenso em comparação ao dólar à vista. O contrato futuro de dólar com vencimento em janeiro, que é o mais líquido atualmente (BMF:DOLFUT | BMF:WDOFUT), recuou 1,08% e encerrou cotado a R$ 5,5375.
Essa queda mais acentuada no vencimento curto sugere um ajuste de expectativas no curtíssimo prazo, levando o mercado a precificar uma menor pressão imediata sobre o câmbio. A diferença de desempenho em relação ao dólar à vista, que caiu 0,95%, indica um maior otimismo no curto prazo, embora os agentes de mercado continuem cautelosos diante dos riscos políticos e fiscais que se apresentam no horizonte.
Fonte: br.-.com