Desempenho do Dólar em Contexto de Tensão Internacional
O dólar apresentou uma sessão de aumentos significativos devido à intensificação das tensões no Oriente Médio, que se acentuaram após os primeiros pronunciamentos do novo líder supremo do Irã. Além disso, a inflação registrada em fevereiro, que superou as expectativas, e a elevação do preço do petróleo também influenciaram o movimento do câmbio.
Encerramento do Dólar
Na quinta-feira (12), o dólar à vista (USDBRL) finalizou o dia cotado a R$ 5,2423, marcando uma alta de 1,61%.
- LEIA MAIS: Comunitário de investidores Money Times agrega informações essenciais sobre o mercado;
Esse movimento acompanhou a performance da moeda no mercado externo. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que avalia o valor do dólar em relação a uma cesta de seis moedas globais, incluindo o euro e a libra, apresentava uma valorização de 0,50%, aos 99.729 pontos.
Fatores que Influenciaram o Dólar
A alta do câmbio foi em resposta ao agravamento das tensões no Oriente Médio. O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, declarou que os Estados Unidos devem desmantelar todas as suas bases na região. O Estreito de Ormuz, que se estende pela costa do Irã e é responsável por cerca de um quinto da produção mundial de petróleo, deve continuar bloqueado “como instrumento de pressão contra os EUA e Israel”.
Mojtaba assumiu o cargo em decorrência da morte de seu pai, aitolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, em um ataque conjunto das forças militares norte-americanas e israelenses, que culminou na escalada do conflito no Irã.
Dias antes (11), dois navios-tanque foram incendiados em um porto no Irã em relação a um ataque perpetrado por supostos barcos iranianos equipados com explosivos. Além disso, horas antes, três outras embarcações foram atacadas no Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária do Irã reivindicou a responsabilidade por pelo menos um desses incidentes, que resultou no incêndio de um graneleiro tailandês que, segundo a Guarda, não havia seguido suas diretivas.
Analistas do Bradesco BBI, Vicente Falanga e Ricardo França, afirmaram em um relatório que “os incidentes representam uma clara escalada na ameaça ao transporte em um dos corredores de petróleo mais cruciais do mundo, demonstrando que o Irã não apenas faz ameaças, mas também pode retaliar de forma a interromper de fato os fluxos e a infraestrutura de petróleo na região”.
Na visão dos analistas, ações que antes eram interpretadas majoritariamente como retórica geopolítica agora estão sendo traduzidas em ataques diretos a embarcações comerciais, o que adiciona um respaldo de risco geopolítico ao cenário atual.
Com a intensificação das tensões, o mercado passou a considerar dezembro como o mês mais provável para o recomeço do ciclo de redução nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Ao final do dia, a probabilidade de um corte na taxa na última reunião de política monetária era de 55,2%, conforme os dados da ferramenta do CME Group. Durante a manhã, os traders precificavam 57,2% de chance de um corte já em setembro, enquanto a expectativa predominante até então era que o relaxamento monetário se iniciasse apenas em julho.
Inflation e Cortes na Selic
No Brasil, os investidores estavam atentos tanto aos impactos decorrentes do aumento nos preços do petróleo quanto aos novos dados sobre a inflação.
Durante o início da tarde, o governo brasileiro anunciou uma série de medidas para controlar os preços dos combustíveis, diante da alta significativa no preço do petróleo que teve início na semana anterior. Desde o começo dos conflitos no Irã, o valor do barril do Brent, referência no mercado internacional, já apresenta uma valorização superior a 30%.
Como resposta, o governo decidiu eliminar a cobrança dos impostos PIS/Cofins sobre a importação e comercialização de diesel, além de implementar uma subvenção ao óleo diesel para produtores e importadores, que será gerida pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), condicionada à comprovação do repasse dos preços ao consumidor. Em contrapartida, foi instaurado um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo.
A subvenção e a isenção dos impostos resultam em uma redução de R$ 0,32 por litro de diesel nas refinarias. No total, as novas medidas visa uma diminuição de R$ 0,64 nas refinarias, conforme informou o governo. O impacto fiscal da redução da cobrança do PIS/Cofins e da subvenção está estimado em R$ 30 bilhões nas contas públicas, de acordo com os cálculos do Ministério da Fazenda.
Especialistas concordam que essas medidas não representam um ‘problema’ fiscal.
“Embora reconheçamos a magnitude do custo gerado, acreditamos que a iniciativa é fiscalmente equilibrada, à luz da previsão da arrecadação com o Imposto de Exportação e do aumento dos impostos devido à alta nos preços do petróleo. Além disso, as autoridades enfatizaram que a natureza da medida é temporária, dependendo do desenrolar da guerra”, explicou a equipe da Warren.
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, considera que o impacto fiscal tende a ser neutro ou “muito próximo disso” e não gerará incertezas quanto ao cumprimento das metas estabelecidas no arcabouço fiscal.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma alta de 0,70% em fevereiro, em comparação a um aumento de 0,33% no mês anterior, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No intervalo de 12 meses até fevereiro, o IPCA acumula um crescimento de 3,81%, com resultados que ficaram acima do esperado.
A economista Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos, apontou que o IPCA surpreendeu de maneira negativa, apresentando uma composição qualitativa inferior ao que havia sido antecipado.
Para a Genial, os dados reforçam a expectativa de uma diminuição na magnitude do corte na taxa Selic, passando de 15% ao ano para 14,75% ao ano. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está agendada para a quarta-feira (18).
Fonte: www.moneytimes.com.br

