Movimentações Recentes do Dólar Frente ao Real
O dólar teve uma forte alta nas negociações do mercado à vista após o feriado do Dia da Consciência Negra no Brasil. A baixa liquidez do mercado, somada a uma reação tardia aos dados de emprego divulgados nos Estados Unidos, influenciou as oscilações da moeda nesta sexta-feira, 21 de novembro.
Por volta das 13h15 (horário de Brasília), o dólar à vista (USDBRL) operava com uma cotação de R$ 5,4228, registrando uma alta de 1,58%. Durante o dia, a moeda chegou a atingir o valor máximo intradia de R$ 5,4317, o que representa uma valorização de 1,75%, sendo esta a maior cotação desde o mês de agosto.
Esse movimento observado no mercado interno acompanha uma tendência externa. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, que é um indicador que compara o dólar com uma cesta de seis divisas globais, incluindo o euro e a libra, apresentava uma alta de 0,20%, atingindo a marca de 100.358 pontos.
Fatores que Impactaram o Dólar Hoje
A política monetária dos Estados Unidos tem se mostrado um dos principais motores para as oscilações do câmbio.
Na quarta-feira, 20 de novembro, enquanto o mercado brasileiro estava fechado, o relatório oficial de empregos, conhecido como payroll, elaborado pelo Departamento do Trabalho dos EUA, revelou a criação de 119 mil vagas em setembro. Esse resultado superou as expectativas do mercado, que previa uma geração de apenas 51 mil novas vagas. Em contrapartida, a taxa de desemprego subiu para 4,4%, atingindo o maior patamar em quase quatro anos.
A revisão dos dados de agosto também foi significativa, com o número de novas contratações ajustado de 22 mil para 4 mil demissões.
Os números do mercado de trabalho se somam a uma ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), do Federal Reserve (Fed), que expressou incertezas sobre o cenário econômico, além de revelar divisões internas sobre a futura política monetária. Em Wall Street, a reação aos dados foi negativa.
Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, mencionou à Reuters: “Hoje temos no Brasil um ajuste em relação a ontem. O payroll causou confusão entre os investidores, deixando-os incertos sobre se o Fed realmente promoverá cortes nas taxas de juros.”
Declarações Divergentes do Federal Reserve
As novas declarações de dirigentes do Fed também influenciam a commodity cambial nesta sexta-feira, 21 de novembro, destacando a falta de consenso entre os principais membros do Banco Central dos EUA.
Cedo, John Williams, o presidente da unidade do Fed de Nova York, mencionou que o banco central ainda poderia reduzir os juros “no curto prazo.” Ele classificou a política monetária como moderadamente restritiva, embora menos do que antes, e afirmou: “Ainda vejo espaço para um novo ajuste na meta para a taxa de juros dos fundos federais, de forma a alinhar a postura da política monetária com a neutralidade.”
Por outro lado, Susan Collins, presidente da unidade do Fed de Boston, expressou que a política monetária está em um bom caminho diante de uma economia resiliente, demonstrando ceticismo em relação à necessidade de cortes adicionais nas taxas de juros em dezembro, durante uma entrevista à CNBC.
Collins caracterizou a atual política como “levemente restritiva”, qualificando-a como apropriada no momento, e revelou estar “hesitante” sobre a próxima reunião do FOMC.
De maneira similar, Lorie Logan, presidente da unidade do Fed de Dallas, argumentou a favor da manutenção da taxa de juros “por algum tempo”, enquanto o banco central analisa o grau da atual restrição da política monetária, conforme comentários preparados para um evento em Zurique.
Logan afirmou: “Na ausência de evidências claras que justifiquem um novo afrouxamento, a manutenção dos juros estáveis por um período permitirá ao FOMC fazer uma avaliação mais precisa da atual política monetária.”
Após as declarações variadas, o mercado novamente precificou a possibilidade de um corte nas taxas de juros norte-americanas. No início da tarde, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava uma chance de 75,3% de que o Fed reduzisse os juros para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, frente a 39,1% da moeda anterior. A expectativa de manutenção dos juros diminuiu de 60,9% na quarta-feira para 24,7% nesta sexta-feira.
Commodities e o Impacto no Real
Além do cenário internacional, a moeda brasileira também se debilitou frente ao dólar devido à queda de preços das commodities, uma vez que o Brasil é um grande exportador. Na China, o contrato futuro do minério de ferro, com vencimento em janeiro, apresentou uma queda de 0,32%, sendo negociado a 785,50 yuans (ou US$ 110,43) por tonelada na Bolsa de Dalian.
Simultaneamente, o contrato mais líquido do petróleo Brent, também para janeiro, caiu 1,75%, cotado a US$ 62,27 por barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, por volta das 13h15 (horário de Brasília).
A redução das tarifas sobre determinados produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos também causou um efeito moderado no mercado de câmbio. O presidente Donald Trump assinou um decreto na última quarta, 20 de novembro, suspendendo tarifas de 40% sobre produtos agrícolas específicos do Brasil, que incluem itens como café, carne bovina e frutas.
A medida é retroativa, aplicando-se a mercadorias que chegaram aos EUA a partir de 13 de novembro, data em que o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, se reuniram em Washington.
Segundo o Goldman Sachs, os produtos isentos representam cerca de 10% de todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos. Além disso, com as isenções já anunciadas no início do mês e a redução da taxa global de 10%, a alíquota tarifária efetiva dos EUA sobre produtos brasileiros diminuiu de 30,2% para 29,2%. Em consequência do novo alívio na tarifa de 40%, a referida alíquota caiu 3,7 pontos percentuais, situando-se em 25,5%, conforme os dados do Goldman Sachs.
Fonte: www.moneytimes.com.br