Câmbio: Dólar em Alta no Mercado Internacional
O dólar à vista (FX:USDBRL) fechou a segunda-feira, 2 de março, com uma valorização de 0,60%, sendo cotado a R$ 5,1651. Essa alta está em consonância com o fortalecimento global da moeda norte-americana que ocorreu após o aumento das tensões no conflito entre os Estados Unidos e o Irã, que se intensificou no final de semana. Apesar de um cenário de pressão compradora que predominou durante grande parte do pregão, a moeda perdeu força próximo ao fechamento do mercado, uma vez que exportadores aproveitaram os níveis elevados de cotação para realizar vendas. No acumulado do ano de 2026, a moeda norte-americana registra uma queda de 5,90%, resultado que reflete o fluxo de investimentos estrangeiros favorecido pelo diferencial de juros existente.
Fatores Internos e Externos Influenciando o Dólar
No âmbito doméstico, o câmbio reagiu, em grande parte, ao aumento significativo, em torno de 9%, nos preços do petróleo e ao temor de possíveis interrupções no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o comércio global de energia. Especialistas do Barclays destacaram que, historicamente, uma alta de 10% no preço do petróleo pode resultar em uma valorização do dólar variando entre 0,5% a 1%, evidenciando a sensibilidade da moeda a choques de natureza geopolítica.
Projeções e Expectativas do Mercado
O Boletim Focus, documento elaborado pelo Banco Central, trouxe uma revisão da projeção do dólar para o término de 2026, reduzindo-a de R$ 5,45 para R$ 5,42. Além disso, houve ajustes nas expectativas para a taxa Selic, que deve ser de 12% ao final deste ano, em comparação com a taxa atual, que está situada em 15%. O diferencial de taxas de juros entre Brasil e Estados Unidos — que atualmente está fixado entre 3,50% e 3,75% — continua sendo um fator atrativo para os investidores, mesmo com as notícias internacionais dominando o cenário do pregão.
Desempenho do Dólar no Mercado Futuro
No contexto externo, o índice DXY (CCOM:DXY) aumentou sua força, resultado da busca por ativos que são considerados mais seguros em razão da ofensiva aérea realizada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. O anúncio de possíveis retaliações por parte de autoridades iranianas, assim como o risco de prolongamento dos bombardeios, elevou o prêmio de risco de forma global. A percepção predominante sugere que economias que se dependem da importação de energia, como o Japão e os países da zona do euro, poderão ser mais afetadas por um aumento nos preços do petróleo. Em contraste, os Estados Unidos, que são exportadores líquidos de petróleo, estariam relativamente protegidos, um fator que acentua o apelo do dólar no cenário atual.
No mercado futuro da B3, o contrato com maior liquidez para abril (BMF:DOLFUT | BMF:WDOFUT) registrou uma alta de 0,68% às 17h03, com cotação a R$ 5,2050, mostrando um desempenho ligeiramente superior ao do mercado à vista. Esse movimento indica que algumas entidades do mercado incorporaram um prêmio adicional de risco nas operações de vencimentos futuros, refletindo as incertezas geopolíticas e a volatilidade esperada para as próximas semanas. O alongamento da curva cambial denota um ajuste tático nas posições e evidencia uma maior demanda por proteção em um ambiente externo que continua instável.
Fonte: br.-.com