Dólar em alta: Tensão entre EUA e Irã, inflação acima da meta e pressão no câmbio brasileiro.

Fechamento do Dólar em Alta

O dólar à vista (FX:USDBRL) encerrou a quarta-feira, dia 27 de maio, em alta em relação ao real, reflexo de um pregão pautado por cautela no mercado global e uma maior aversão ao risco. A moeda norte-americana fechou o dia com uma valorização de 0,68%, sendo cotada a R$ 5,0616, após apresentar oscilações entre uma mínima de R$ 5,0311 e uma máxima de R$ 5,0716 durante a sessão. Apesar da pressão advinda do contexto externo, a divisa acumula uma queda de 7,79% em 2026 em comparação ao real. O movimento do câmbio coincide com a deterioração do ânimo dos investidores, desencadeada por sinais contraditórios nas negociações entre Estados Unidos e Irã, além de uma leitura mais intensa da inflação brasileira, conforme indicado pelo IPCA-15 de maio. Essa situação fortaleceu o debate acerca da possibilidade de manutenção de juros elevados por um período prolongado no país.

Fatores Locais e Externos Aumentam Volatilidade

No cenário brasileiro, os investidores observaram uma mescla de fatores locais e internacionais que intensificaram a volatilidade do mercado cambial. O IPCA-15 referente a maio apresentou um aumento de 0,62%, resultando em uma inflação acumulada nos últimos 12 meses de 4,64%, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central. Este dado reforçou a percepção de que a taxa Selic pode permanecer em níveis elevados por um período mais extenso, atualmente fixada em 14,50% ao ano. Embora, teoricamente, juros mais altos possam favorecer a entrada de capital estrangeiro e, consequentemente, aliviar a pressão sobre o dólar, o ambiente geopolítico tenso prevaleceu. Outro fator que pressionou a cotação do dólar foi a queda do preço do petróleo Brent (CCOM:OILBRENT), que se estabeleceu abaixo dos US$ 95 por barril, em consequência de notícias sobre um possível entendimento entre Estados Unidos e Irã. Segundo operadores, a diminuição no valor da commodity impactou negativamente as ações relacionadas ao petróleo, especialmente as da Petrobras (BOV:PETR4 | BOV:PETR3 | NYSE:PBR), resultando em uma redução do fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa de valores brasileira e fortalecendo o dólar no mercado local. Adicionalmente, o Banco Central reportou um fluxo cambial negativo de US$ 2,062 bilhões em maio até o dia 22, intensificando o viés defensivo entre investidores.

Contexto Internacional e Impacto nas Moedas

No cenário internacional, o mercado global de moedas operou em um estado de espera, em meio às informações desencontradas sobre uma possível negociação de paz entre Estados Unidos e Irã. Durante o dia, a televisão estatal iraniana informou que havia um esboço de acordo que preveria a normalização da navegação no Estreito de Ormuz em troca da retirada das tropas norte-americanas e da suspensão dos bloqueios. Entretanto, em uma resposta, a Casa Branca negou a existência desse entendimento, e o presidente Donald Trump declarou que ainda não estava satisfeito com os termos discutidos, descartando a possibilidade de uma flexibilização imediata das sanções ao Irã. Esse vaivém nas informações deixou os investidores em um estado defensivo, colaborando para que o índice DXY (CCOM:DXY), que mensura o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, fechasse em alta de 0,10%, aos 99,200 pontos.

Desempenho na B3

Na B3, o contrato futuro de dólar mais negociado, correspondente ao vencimento de junho do contrato futuro de dólar (BMF:DOLFUT | BMF:WDOFUT), finalizou a sessão com uma alta de 0,46%, cotado a R$ 5,0630. Este movimento ficou aquém da valorização observada no dólar à vista, que avançou 0,68%, sugerindo que parte do mercado futuro ainda opera sob a expectativa de uma eventual acomodação cambial mais adiante. Apesar disso, os investidores mantiveram uma postura defensiva ao longo do pregão, reflexo da combinação entre uma inflação persistente no Brasil, fluxo cambial negativo e incertezas no cenário internacional. A curva dos contratos futuros também permaneceu sob monitoramento por operadores, especialmente em função das discussões em torno da continuidade dos juros elevados no Brasil e dos impactos da crise geopolítica sobre o petróleo, moedas emergentes e fluxo de investimentos estrangeiros.

Fonte: br.-.com

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