Dólar encerra em baixa com valorização do real, mesmo diante das tensões entre EUA e Irã

Movimentação do Dólar em 1º de Junho

O dólar à vista (FX:USDBRL) finalizou a sessão de segunda-feira, 1º de junho, apresentando uma queda de 0,47%, sendo cotado a R$ 5,0217. Essa desvalorização amplia para 8,51% a retração acumulada no ano de 2026 em relação ao real. Embora a moeda norte-americana tenha demonstrado força em algumas partes dos mercados internacionais, o câmbio brasileiro conseguiu encontrar suporte devido ao fluxo de entrada de recursos e ao interesse por ativos domésticos. Esse cenário permitiu que o real se valorize ao longo da sessão. O pregão foi caracterizado por uma atmosfera de cautela no mercado global, além de ajustes de posições após as intensas oscilações que ocorreram nos dias anteriores.

Influência Geopolítica no Mercado

Tensão Entre EUA e Irã

No Brasil, o mercado de câmbio foi fortemente impactado pelas crescentes tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã. Os investidores estavam atentos à falta de avanços nas negociações de paz no Oriente Médio e à intensificação dos conflitos durante o fim de semana, fatores que aumentaram a percepção de risco global. Apesar desse clima defensivo, o real conseguiu apreciar-se em relação ao dólar.

Além disso, os agentes do mercado começaram a revisar suas expectativas em relação à política monetária dos Estados Unidos, uma vez que a elevação dos preços da energia pode pressionar a inflação e diminuir a probabilidade de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed). No horizonte, destacam-se os dados de emprego dos Estados Unidos, que serão divulgados na próxima quinta-feira, 5 de junho, e que são considerados cruciais para calibrar novas expectativas sobre as taxas de juros da maior economia do mundo.

Reações do Federal Reserve

No âmbito internacional, o dólar encontrou suporte adicional após o Irã decidir suspender as comunicações com os Estados Unidos por meio de mediadores. Essa decisão aumentou as preocupações geopolíticas em realidade global. Os investidores começaram a considerar um cenário de juros mais altos por um período prolongado nos Estados Unidos, especialmente em decorrência dos riscos inflacionários associados ao encarecimento da energia. Durante um discurso realizado no domingo, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, enfatizou a importância da independência do banco central e destacou os desafios impostos pela elevada incerteza que envolve tanto a economia quanto a política ao redor do mundo. Esse contexto levou a um fortalecimento do dólar frente a uma variedade de moedas globais, resultando em uma postura mais defensiva nos mercados internacionais.

Mercado Futuro e Expectativas

No mercado futuro da B3, o contrato de dólar para o mês de julho, que é o mais negociado, encerraram o pregão com uma queda de 0,38%, sendo cotado a R$ 5,0560. Embora esse contrato tenha seguido a tendência de baixa do mercado à vista, a queda foi menos acentuada se comparada à desvalorização do dólar comercial, que foi de 0,47%. Essa diferença reflete o prêmio que está embutido na curva futura, que inclui expectativas vinculadas a juros, fluxo cambial, riscos geopolíticos e perspectivas para a política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Fonte: br.-.com

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