Dólar e Aversão a Risco
O dólar à vista apresentou leve valorização em relação ao real, respondendo ao clima de aversão ao risco observado nas bolsas de Wall Street e à alta dos preços do petróleo. Essa movimentação ocorreu mesmo após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando progresso nas negociações com o Irã.
Cotação do Dólar
Nesta segunda-feira, 30 de outubro, o dólar à vista (USDBRL) encerrou as operações cotado a R$ 5,2478, registrando uma alta de 0,12%. O desempenho da moeda brasileira também espelhou os mercados internacionais. Por volta das 17h, no horário de Brasília, o DXY — um indicador que mede o dólar frente a uma cesta de seis divisas globais, incluindo euro e libra — operava em alta de 0,38%, situando-se em 100,500 pontos.
Conflito no Oriente Médio
A contínua guerra no Oriente Médio, que já dura cinco semanas, permanece como um elemento central para as decisões dos investidores. O presidente Donald Trump publicou em sua rede social, Truth Social, que os Estados Unidos estão em tratativas com o regime iraniano para encerrar as operações militares na região.
Entretanto, Trump advertiu que, caso um acordo não seja alcançado em breve com Teerã, os Estados Unidos atacarão diversas infraestruturas do Irã, incluindo usinas de energia, poços de petróleo, a Ilha de Karg e usinas de dessalinização.
Alta do Petróleo
O petróleo Brent com vencimento em junho fechou a sessão em alta de 1,96%, cotado a US$ 107,39 por barril, o que reacendeu preocupações sobre a inflação, devido ao aumento nos preços da energia. O aumento nos preços foi influenciado pela intensificação do conflito, com a entrada da milícia Houthi nos combates durante o final de semana.
Negociações com o Irã
O jornal The New York Times reportou que o líder da Casa Branca confirmou que está em negociações com o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Em contraste, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, caracterizou as propostas dos Estados Unidos para um cessar-fogo como “irrealistas, ilógicas e excessivas”.
Expectativas de Inflação
Em um evento realizado na Universidade Harvard, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, declarou que as expectativas em relação à inflação de longo prazo permanecem ancoradas, mesmo diante dos recentes choques nos preços do petróleo e da energia gerados pela guerra no Oriente Médio. Ele ressaltou que ainda é prematuro mensurar os impactos econômicos do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, mas reconheceu que o aumento nos preços de energia já está refletindo nas tarifas.
Powell também alertou que o Federal Reserve deve ser cauteloso em sua reação a esses movimentos, considerando que se trata de um choque de oferta, o qual possui efeitos limitados da política monetária no curto prazo. No entanto, destacou que a instituição continuará monitorando de perto o risco de desancoragem das expectativas de inflação.
Cenário Doméstico em Segundo Plano
No âmbito interno, as informações e dados econômicos acabaram por ficar em segundo plano, com os economistas consultados pelo Banco Central (BC) revisando algumas projeções para a economia brasileira referentes ao ano de 2026, conforme divulgado no Boletim Focus na manhã desta segunda-feira. As previsões para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 foram ajustadas de 4,17% para 4,31%.
As estimativas para a taxa básica de juros (Selic) mantiveram-se em 12,50% para este ano, enquanto a projeção para o câmbio continua a indicar um dólar cotado a R$ 5,40 ao final de 2026, o mesmo valor da previsão anterior.
Resultado Fiscal
Em termos fiscais, o governo central registrou um déficit primário de R$ 30,046 bilhões no mês de fevereiro, conforme relatado pelo Tesouro Nacional. Esse resultado foi considerado melhor que o previsto pelo mercado, implicando uma queda real de 8,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Cenário Eleitoral
No que diz respeito ao cenário eleitoral previsto para outubro de 2026, a primeira pesquisa realizada pelo BTG Pactual em parceria com a Nexus revelou um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas simulações tanto para o primeiro quanto para o segundo turno.
Nas três simulações de primeiro turno apresentadas aos entrevistados, Lula aparece com intenções de voto variando entre 39% e 42%, enquanto Flávio Bolsonaro figura entre 38% e 39%. A margem de erro para este levantamento é de 2 pontos percentuais, tanto para mais quanto para menos.
Fonte: www.moneytimes.com.br