Os Movimentos do Dólar
O dólar apresentou variações ao longo do dia, com os investidores atualizando suas percepções sobre os riscos internos em meio ao foco nas eleições de 2026 e a expectativa de um possível relaxamento monetário. A inflação nos Estados Unidos, assim como as decisões de política monetária na Europa, continuaram a atrair a atenção dos participantes do mercado.
Nesta quinta-feira, dia 18, o dólar à vista (USDBRL) fechou o dia cotado a R$ 5,5237, com uma leve alta de 0,01%.
Análise do Mercado
O desempenho do dólar acompanhou a tendência global. Às 17h (horário de Brasília), o DXY, índice que mede o valor do dólar em relação a uma cesta de seis moedas estrangeiras, como o euro e a libra, subia 0,05%, alcançando 98.413 pontos.
Fatores que Influenciaram o Câmbio
A política monetária e o cenário eleitoral estiveram no centro das movimentações cambiais, com investidores reavaliando os riscos locais, além de considerarem as remessas de capital para o exterior.
No Brasil, o clima do mercado mudou no início da tarde, após a divulgação de informações políticas que traziam um leve alívio às expectativas eleitorais. A percepção de que a pré-candidatura presidencial ainda está indefinida auxiliou na melhora do humor dos investidores, conforme destacou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reiterou seu apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à presidência.
Por outro lado, pela manhã, os resultados da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg indicaram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá iniciar 2026 com uma aprovação inferior à desaprovação.
Apesar do predominante sentimento negativo, Lula ainda lidera nas simulações contra potenciais adversários nas eleições presidenciais de 2026.
Se a eleição fosse realizada hoje, com os mesmos candidatos de 2022, o petista teria 46,7% das intenções de voto, em comparação com 44% para Jair Bolsonaro. Ciro Gomes teria 3,2%, Simone Tebet, 1,8%, e outros candidatos somariam 2,2%. Os votos em branco ou nulos representariam 1,8%.
Além desses fatores, o Banco Central revisou para cima suas previsões sobre a economia nacional para os próximos anos, indicando que a inflação deve alinhar-se ao centro da meta de 3% apenas em 2028. As novas estimativas foram apresentadas no Relatório de Política Monetária divulgado nesta data.
O Produto Interno Bruto (PIB) é projetado para crescer 2,3% em 2025, superando a projeção anterior de 2,0%, realizada em setembro. Para 2026, a expectativa também foi ajustada para cima, de 1,5% para 1,6%.
Conforme o Banco Central, a nova estimativa para o PIB deste ano é reflexo de uma performance ligeiramente positiva observada no terceiro trimestre e da atualização nas expectativas para o quarto trimestre. Mesmo com o aumento nas previsões, a instituição ressaltou que a “projeção de crescimento moderado ao longo do ano” permanece inalterada.
Projeções para a Inflação
Quanto à inflação, o Banco Central estima uma taxa de 3,2% para o terceiro trimestre de 2027. “O compromisso do BC é com a meta permanente de inflação de 3,00%, e nossas decisões são orientadas para garantir que esse objetivo seja alcançado ao longo do horizonte relevante de política monetária”, foi afirmado.
Em uma coletiva sobre o relatório, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, juntamente com o diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, observaram que as projeções estão cercadas de incertezas e que existem limitações para elas ao longo de um horizonte de 18 meses.
“Os agentes estão tentando encontrar sinais em comunicações que não oferecem diretrizes claras”, comentou Galípolo, referindo-se às mensagens recentes do Banco Central. “Ainda não decidimos nossas ações para as reuniões de janeiro, março e as que estão por vir. A intenção não era comunicar nossas futuras ações, já que ainda não temos uma decisão”, adicionou.
Resumo da Inflação nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, os dados sobre a inflação tiveram impacto significativo nas movimentações do câmbio.
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos aumentou 0,2% nos dois meses de setembro a novembro, conforme informações do Departamento do Trabalho americano.
O núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, também avançou 0,2% na comparação mensal, situando-se em 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A inflação acumulada nos Estados Unidos chega a 2,7% em 12 meses. Projeções da Bloomberg indicam que essa alta acumulada deverá atingir 3,1%.
A taxa de inflação em 12 meses foi inferior ao esperado, mas o alívio é considerado técnico. Os cidadãos norte-americanos têm enfrentado desafios de acessibilidade, em parte devido às tarifas sobre importações.
“Os dados de inflação dos EUA reforçaram uma tendência de desinflação e mantiveram as expectativas de um corte nas taxas de juros já em janeiro”, avaliou Bruno Shahini, da Nomad.
Próximo ao fechamento da sessão, o mercado indicava uma probabilidade de 73,4% de que o Federal Reserve (Fed, equivalente ao Banco Central dos EUA) mantenha as taxas de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano em janeiro. A expectativa por um corte de 0,25 ponto percentual, por sua vez, cresceu, passando de 24,4% na véspera para 26,6% nesta data.
As medidas de política monetária na Europa também impactaram o desempenho do dólar. O Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter as taxas de juros em 2% ao ano e apresentou uma perspectiva otimista sobre a economia da zona do euro, que tem demonstrado resiliência frente aos choques provenientes do comércio global, solidificando as expectativas entre investidores de que não ocorrerão alterações nas taxas.
Fonte: www.moneytimes.com.br