Dólar à Vista e Reação do Mercado Cambial
O dólar à vista passou por um dia bastante movimentado, influenciado por decisões de política monetária, indicadores macroeconômicos tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos, além da intervenção cambial realizada no Japão.
Desempenho do Dólar
Nesta quinta-feira, 30 de março, o dólar à vista (USDBRL) finalizou as negociações cotado a R$ 4,9527, apresentando uma queda de 0,98%. Este movimento refletiu o comportamento da moeda norte-americana no mercado internacional. Por volta das 17h, no horário de Brasília, o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, apresentava uma perda de 0,91%, alcançando 98,042 pontos.
Na semana, o dólar à vista acumulou um recuo de 0,91% em relação ao real. No mês de abril, a desvalorização da moeda norte-americana em comparação ao real foi de 4,36%. É importante ressaltar que o mercado brasileiro não operará na sexta-feira, 1º de abril, devido ao feriado do Dia do Trabalho.
Dados Econômicos e Política Monetária
O mercado de câmbio reagiu a uma série de dados divulgados no Brasil e nos Estados Unidos, no dia subsequente às decisões de política monetária. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu continuar com os cortes na Selic, reduzindo a taxa básica de juros para 14,50% ao ano.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que a taxa de desemprego ficou em 6,1% nos três meses até março, conforme as expectativas de analistas consultados pela Reuters. Esta taxa é a mais elevada desde os três meses encerrados em maio de 2025. Claudia Moreno, economista do C6 Bank, avaliou que esses dados indicam um momento de estabilidade na taxa de desemprego em um nível considerado baixo para os padrões brasileiros. Apesar de uma possível desaceleração na criação de novos postos de trabalho em decorrência da diminuição do ritmo econômico, o mercado de trabalho deve permanecer aquecido neste ano.
Por outro lado, a dívida pública do Brasil subiu mais do que o esperado em março, segundo informações do Banco Central. A dívida pública bruta, em relação ao PIB, encerrou o mês em 80,1%, aumentando em comparação aos 79,2% do mês anterior. A dívida líquida do setor público foi de 66,8%, em relação aos 65,5% do mês anterior. As expectativas, conforme pesquisa da Reuters, eram de 79,6% para a dívida bruta e de 66,1% para a dívida líquida.
Nos Estados Unidos, o crescimento econômico apresentou uma aceleração no primeiro trimestre, com o Produto Interno Bruto (PIB) aumentando à taxa anualizada de 2,0% no último trimestre, conforme relatório do Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio. Economistas consultados pela Reuters esperavam uma alta do PIB a uma taxa anualizada de 2,3%, com estimativas que variavam entre uma contração de 0,2% e um crescimento de 3,9%.
De acordo com o ING, o crescimento da economia americana no primeiro trimestre foi impulsionado por investimentos em tecnologia. James Knightley, economista-chefe internacional do ING, observou que, mesmo com uma certa desaceleração nos gastos do consumidor, os investimentos em tecnologia e inteligência artificial se tornaram os principais motores de crescimento nos EUA. Ele advertiu que, embora essa tendência deva persistir durante boa parte do ano, existem preocupações sobre a falta de amplitude no crescimento geral da economia dos Estados Unidos.
Além disso, a inflação norte-americana viu um aumento em março. O índice de preços ao consumidor (PCE) subiu 0,7% no mês anterior, o maior avanço desde junho de 2022, após um aumento não revisado de 0,4% em fevereiro. Este aumento é compatível com as expectativas de economistas. Nos 12 meses até março, o PCE cresceu 3,5%, a maior elevação desde maio de 2023, em comparação com o aumento de 2,8% em fevereiro. O PCE é a principal referência de inflação para o Federal Reserve (Fed), que decidiu manter os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano na véspera.
Intervenção no Iene
O Japão realizou uma intervenção para sustentar o iene nesta quinta-feira, marcando a primeira atuação cambial oficial em quase dois anos, conforme relataram fontes à Reuters. O Nikkei mencionou, citando uma fonte do governo, que as autoridades intervieram comprando a moeda, que estava em seu nível mais fraco desde julho de 2024. O dólar caiu 3% em relação ao iene, sendo cotado a 155,5 ienes, o que representa sua maior queda em um dia desde o final de dezembro de 2024. Por volta das 16h30, horário de Brasília, o dólar estava sendo cotado a 156,49 ienes, com uma queda de 3,85%.
Tensão Geopolítica
As tensões geopolíticas continuaram a ser monitoradas, ainda que ofuscadas pelas decisões de política monetária e pelos indicadores econômicos. Na quinta-feira, o Irã declarou que, caso Washington retome os ataques, responderá de forma contundente com "ataques longos e dolorosos" a posições dos Estados Unidos, o que complica os planos americanos para estabelecer uma coalizão internacional com o objetivo de garantir a segurança no Estreito de Ormuz.
Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está considerando um novo plano para reabrir o Estreito de Ormuz, em meio às crescentes tensões no Oriente Médio. A proposta inclui a manutenção do bloqueio a portos iranianos, enquanto os EUA coordenariam com aliados medidas para aumentar os custos das tentativas de Teerã de interromper o fluxo global de energia, conforme informações de um alto funcionário do governo ouvido pela Associated Press.
Em razão dessas tensões, os preços do petróleo encerraram o dia em leve queda. O contrato mais negociado do Brent, referência para o mercado internacional, terminou a sessão cotado a US$ 110,40 o barril na Intercontinental Exchange (ICE) em Londres.
Fonte: www.moneytimes.com.br