Queda do Dólar à Vista
O dólar à vista começou a semana com uma acentuada redução, influenciado pela intervenção do Tesouro no mercado de títulos públicos e as expectativas em relação à chamada ‘Super Quarta’.
Na segunda-feira, dia 16, o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações cotado a R$ 5,2298, apresentando uma queda de 1,63%.
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Esse movimento acompanhou o desempenho da moeda norte-americana em relação aos demais países. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas internacionais, incluindo o euro e a libra, apresentava uma queda de 0,58%, situando-se aos 99,782 pontos.
Fatores que Influenciaram o Dólar
Os dados econômicos locais foram determinantes para as movimentações no mercado de câmbio, embora as atenções continuem voltadas para os desenvolvimentos recentes do conflito no Irã.
Em território brasileiro, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgou um crescimento de 0,80% em janeiro, índice que ficou abaixo do que era esperado pelo mercado. A pesquisa realizada pela Reuters, por exemplo, previa uma melhora de 0,85%.
A prévia do Produto Interno Bruto (PIB) teve um aumento de 1,0% em relação ao mesmo período do ano anterior, acumulando um crescimento de 2,3% em um período de 12 meses.
Na análise do UBS BB, mesmo com a ‘surpresa negativa’ apresentada, o cenário foi considerado “construtivo”. “A média móvel trimestral subiu para 0,41% ao mês, indicando uma melhora gradual se comparada ao final de 2025, quando a atividade econômica se mostrou bastante estável”, afirmaram os economistas Fábio Ramos, Alexandre de Azara e Rodrigo Martins em um relatório.
Além disso, a equipe destacou que os dados de janeiro não alteraram de forma significativa a perspectiva futura, mantendo a expectativa de crescimento de 0,3% para o primeiro trimestre deste ano e um aumento de 1,5% em 2026.
“Embora um ciclo de afrouxamento monetário apresente uma probabilidade considerável neste ano, seus efeitos sobre a atividade econômica devem se dar de forma gradual e com uma defasagem”, completaram os analistas.
Os economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) também ajustaram suas previsões para a taxa Selic e para a inflação, em resposta ao receio de possíveis impactos inflacionários devido ao conflito no Irã. As expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentaram de 3,91% para 4,10% até dezembro deste ano, e a taxa de juros passou de 12,13% para 12,25% ao ano.
Adicionalmente, o Tesouro Nacional optou por cancelar os leilões tradicionais de papéis prefixados e aqueles indexados à inflação que estavam programados para esta semana, e anunciou a intenção de realizar uma operação direta no mercado através de leilões de recompra.
No período da tarde, o Tesouro procedeu com uma segunda intervenção no mercado de títulos.
Expectativa pela ‘Super Quarta’
A expectativa em relação à ‘Super Quarta’ permaneceu em destaque. Tanto as Opções do Comitê de Política Monetária (Copom) da B3 quanto a curva a termo estão precificando um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, que passaria de 15% para 14,75% ao ano, na próxima quarta-feira, dia 18. Antes da eclosão da guerra no Irã, a principal aposta era por uma redução inicial de 0,50 ponto percentual.
Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Federal Reserve (Fed), que é o Banco Central dos Estados Unidos, mantenha a taxa de juros inalterada, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Próximo ao fechamento das negociações, os traders acreditavam ter 99,1% de probabilidade de manutenção das taxas de juros, conforme apontava a ferramenta FedWatch, do CME Group. O mês de setembro se destaca como o período mais provável para o reinício do ciclo de cortes nas taxas de juros nos Estados Unidos.
No cenário internacional, o conflito no Irã atingiu o seu 17º dia, com as atenções voltadas para o Estreito de Ormuz.
No último final de semana, o Irã anunciou a liberação do tráfego no Estreito para navios, à exceção das embarcações norte-americanas e de países aliados aos Estados Unidos. Em contrapartida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que “muitos países” estariam enviando navios de guerra para garantir a segurança do tráfego no Estreito.
Ele também afirmou, em entrevista concedida ao Financial Times, que espera receber ajuda da China para desbloquear o Estreito antes de seu encontro agendado com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim no final deste mês, podendo adiar sua viagem caso a China não preste a assistência desejada.
Fonte: www.moneytimes.com.br