Desempenho do Dólar
O dólar à vista (USDBRL) encerrou sua cotação em queda, em meio a conversas indiretas entre os Estados Unidos e o Irã, que contribuíram para a diminuição das tensões geopolíticas. A incerteza do mercado também se deve à divulgação do Payroll que está prevista para a próxima semana.
Nesta sexta-feira (6), a moeda norte-americana fechou com o valor de R$ 5,2204, apresentando uma queda de 0,63%.
Esse movimento acompanha a tendência observada no exterior. Às 17h (horário de Brasília), o DXY, que é um indicador que compara o dólar com uma cesta de seis divisas globais, incluindo euro e libra, apresentou uma queda de 0,19%, situando-se em 97,6330 pontos.
Conforme destacou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a desvalorização do dólar na data deve ser atribuída ao enfraquecimento da moeda americana no mercado internacional, junto à incerteza que precede a divulgação do Payroll. Além disso, a alta nas bolsas de Nova York está incentivando os investidores a buscar ativos de mercados emergentes.
Shahini complementa que “Paralelamente, o real continua sendo beneficiado pelo elevado diferencial de juros do Brasil — que se mantém atraente mesmo diante da expectativa de cortes em março — o que tem fomentado a entrada de capital estrangeiro na bolsa e na renda fixa, favorecendo assim a valorização da moeda brasileira”.
Na semana, a cotação do dólar apresentou um recuo total de 0,52% em relação ao real.
Fatores que Influenciaram o Dólar Hoje
No cenário externo, o índice de sentimento do consumidor nos Estados Unidos, que é elaborado pela Universidade de Michigan, teve um aumento, passando de 56,4% em janeiro para 57,3% em fevereiro, conforme leitura preliminar. Os analistas consultados pela FactSet previam uma queda do índice para 54,3%.
Federal Reserve de San Francisco, Mary Daly, comentou que, embora muitas empresas mantenham uma expectativa otimista cautelosa, as famílias estão mais cautelosas, cientes de que o atual cenário do mercado de trabalho — caracterizado por “baixa contratação e baixa demissão” — pode rapidamente se transformar em um contexto com “nenhuma contratação e mais demissões”.Daly ressaltou: “Com a inflação acima da meta de 2% do Fed, isso parece precário, e com razão”. Ela também indagou sobre as implicações dessa situação para a política monetária, afirmando que “devemos observar ambos os lados do nosso mandato. Os norte-americanos merecem estabilidade de preços e pleno emprego, e não podemos considerar garantido nenhum dos dois pontos.”
Além disso, após um período de crescente tensão, Estados Unidos e Irã empreenderam reuniões para negociações indiretas em Omã. O governo iraniano informou que essas conversas foram concluídas “por enquanto”, sem fornecer detalhes adicionais, conforme reportado pela Al Jazeera. As questões em pauta nas negociações não foram completamente esclarecidas, sendo que Teerã mantém a posição de que as discussões devem se concentrar na temática nuclear.
Cenário Econômico Doméstico
Do ponto de vista doméstico, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda fez uma revisão ligeiramente negativa em suas projeções para o crescimento econômico em 2026, ao mesmo tempo em que elevou a estimativa para a inflação ao consumidor para o período.
De acordo com o relatório da SPE, a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano foi ajustada para 2,3%, uma ligeira modificação em relação à previsão anterior de 2,4% em novembro. Para 2025, a pasta aumentou a previsão de crescimento da atividade econômica de 2,2% para 2,3%, uma estimativa que somente será oficializada pelo IBGE em março.
No que tange à inflação, a secretaria estima que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deverá finalizar 2026 com uma alta de 3,6%, em comparação com a estimativa anterior de 3,5%.
O relatório também projeta que os gastos governamentais com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) saltarão de R$ 127 bilhões em 2025 para R$ 300 bilhões em 2035. A SPE prevê que esses gastos superem os do Bolsa Família já em 2028.
No tocante à Previdência Social, a secretaria projeta um aumento nas despesas federais, que devem subir de R$ 1 trilhão em 2025 para R$ 3,4 trilhões em 2035. Essas estimativas levam em conta as projeções referentes à evolução demográfica do País.
Durante a coletiva, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, enfatizou que a estabilização da dívida pública no Brasil não será alcançada unicamente por meio da gestão fiscal conduzida pelo governo, sublinhando que a melhora nesse cenário depende da política monetária que está sendo implementada pelo Banco Central.
Mello, que atualmente está sendo avaliado dentro do governo para uma possível ocupação em uma diretoria do BC, afirmou que a atuação integrada das políticas econômica, fiscal e monetária resultou em efeitos positivos na inflação projetada para 2025.
Fonte: www.moneytimes.com.br