Dólar apresenta flutuação nas negociações
O dólar teve um início de sessão em alta, mas logo alterou sua trajetória após a divulgação de dados de emprego do setor privado dos Estados Unidos, que vieram mais fracos do que o esperado. Essa situação gerou um aumento nas expectativas de cortes nas taxas de juros da maior economia do mundo. O relatório payroll, considerado um dos mais significativos indicadores do mercado de trabalho norte-americano, será divulgado amanhã, dia 5.
Fechamento do dólar nesta quinta-feira
Nesta quinta-feira, dia 4, o dólar à vista (USDBRL) finalizou as negociações cotado a R$ 5,4468, apresentando uma leve queda de 0,11% em relação ao dia anterior.
Tendência internacional do mercado de câmbio
Esse movimento de valorização da moeda brasileira destoou da tendência observada no exterior. Por volta das 17h, horário de Brasília, o DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas globais, incluindo o euro e a libra, mostrava uma alta de 0,14%, alcançando 98.283 pontos.
Impactos das notícias de emprego nos Estados Unidos
Os movimentos do mercado de câmbio hoje foram influenciados, em parte, pelos novos dados de empregos divulgados nos Estados Unidos.
De acordo com o Relatório Nacional de Emprego da ADP, divulgado na manhã desta quinta-feira, foram criados 54.000 postos de trabalho no setor privado no mês anterior, após uma revisão que indicou a abertura de 106.000 vagas em julho. Este resultado ficou abaixo das expectativas dos economistas, que previam a criação de 65.000 empregos, conforme levantamento realizado pela Reuters.
Além disso, um relatório anterior, conhecido como Jolts, produzido pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, revelou que o número de vagas de emprego disponíveis no país caiu para 7,18 milhões em julho, em contraste com as 7,37 milhões estimadas por analistas consultados pela Reuters.
O dado mais aguardado atualmente, no entanto, é o payroll. Esse relatório oficial, que será divulgado amanhã, deve indicar a criação de 76.000 novos postos de trabalho em agosto, segundo a mediana das Projeções Broadcast.
Essas informações sobre o emprego são fundamentais para auxiliar os analistas a ajustarem suas expectativas em relação a possíveis cortes nas taxas de juros por parte do Federal Reserve (Fed), que é o banco central dos Estados Unidos).
Expectativas para a política monetária norte-americana
Com o fechamento do mercado, os investidores avaliavam uma probabilidade de 97,4% de que o Banco Central dos EUA implementasse um corte na taxa de juros de 0,25 ponto percentual, conforme indicado pela ferramenta FedWatch do CME Group. No dia anterior, a expectativa era de 96,6%. Atualmente, a taxa está posicionada na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano.
Dados econômicos no Brasil
No cenário brasileiro, os investidores acompanharam atentamente os dados macroeconômicos recém-divulgados.
A balança comercial do Brasil registrou um superávit de US$ 6,133 bilhões em agosto, um valor que representa um aumento de 35,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando o saldo positivo foi de US$ 4,5 bilhões. Essas informações foram divulgadas na tarde do dia 4 pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O resultado de agosto já refletiu os efeitos da tarifa de 50% que foi imposta sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, medida que entrou em vigor em 6 de agosto.
Impacto político nas relações Brasil-EUA
Outro fator que permanece no radar dos investidores é o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) referente à tentativa de golpe de Estado, que tem como um dos réus o ex-presidente Jair Bolsonaro. O processo já se desenrolou por dois dias de audiências e será retomado na próxima semana.
O inquérito tem causado tensões nas relações diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos, e tem sido utilizado pelo presidente norte-americano Donald Trump como justificativa para a imposição da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, além da aplicação de sanções individuais a autoridades do Brasil.