Movimento do Dólar na Início da Semana
O dólar começou a semana em uma trajetória de valorização frente a moedas de países emergentes, impulsionado por ajustes técnicos no mercado. No cenário internacional, o movimento cambial foi afetado por fatores relacionados à política monetária, especialmente devido à expectativa de cortes nas taxas de juros nos Estados Unidos e indicações de aumento das taxas no Japão.
Fechamento da Sessão
Nesta segunda-feira (1º), o dólar à vista (USDBRL) finalizou o dia cotado a R$ 5,3593, representando uma alta de 0,46%.
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Esse movimento contradisse a tendência observada no mercado externo. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas internacionais, incluindo euro e libra, apresentava uma leve queda de 0,05%, situando-se em 99,402 pontos.
Acontecimentos que Influenciaram a Valorização do Dólar
A ascensão do dólar em relação ao real foi resultado de um processo de ajuste e realização de lucros envolvendo moedas emergentes. Esse fenômeno ocorreu em meio ao aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (os Treasuries) e à expectativa crescente de um aumento nas taxas de juros no Japão.
No Brasil, os investidores concentraram sua atenção nas declarações mais recentes do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Durante um evento organizado pela XP em São Paulo, Galípolo reafirmou sua posição de que a taxa Selic permanecerá em 15% ao ano até que sinais claros de uma melhora no cenário inflacionário se apresentem.
Ele sublinhou que não há novas informações que possam alterar a expectativa de manutenção da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para quarta-feira (10). “A política monetária deve continuar sendo restritiva pelo tempo que for necessário para controlar a inflação”, afirmou.
Expectativas do Mercado Internacional
No cenário internacional, o mercado aguardava o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell. Os investidores buscam indicações sobre a futura trajetória dos juros norte-americanos. Contudo, o período de silêncio do Fed teve início no sábado (29), e a reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) está agendada para os dias 9 e 10 de dezembro.
Recentemente, declarações divergentes de diretores do Fed aumentaram as expectativas de um novo corte nas taxas de juros na próxima reunião do Fomc em dezembro. Atualmente, a ferramenta FedWatch do CME Group indica uma probabilidade de 85,4% para a redução dos juros em 0,25 ponto percentual, levando a faixa para 3,50% a 3,75% ao ano.
Por outro lado, a probabilidade de manutenção da taxa de juros teve uma leve elevação, subindo de 13,6% na última sexta-feira para 14,6% nesta segunda-feira.
Impactos da Política Monetária Japonesa
A expectativa de um aumento nas taxas de juros no Japão exerceu pressão sobre o dólar durante a sessão. O iene apresentava uma valorização de 0,4%, atingindo a máxima de 155,49 por dólar, em resposta aos comentários de Kazuo Ueda, presidente do Banco do Japão. O DXY, que compara a moeda americana a uma cesta de seis divisas fortes, incluindo o iene, também apresentava uma baixa, tocando mínima de 99,009 pontos (-0,45%).
O contexto foi moldado pela política monetária. Mais cedo, Kazuo Ueda afirmou que considerará “os prós e contras” de aumentar a taxa de juros na próxima reunião, programada para dezembro. Ele declarou: “Examinaremos e discutiremos os acontecimentos econômicos e de preços no país e no exterior, assim como os movimentos do mercado, e avaliaremos os prós e contras de um aumento na taxa de juros”.
Ueda destacou que o Banco do Japão está em um estágio onde deve determinar se o comportamento ativo na definição de salários pelas empresas persistirá, o que é crucial para a decisão sobre o aumento da taxa de juros.
Após suas declarações, o mercado passou a precificar a possibilidade de cerca de 80% de chance de que o Banco do Japão eleve os juros na próxima reunião, um aumento em relação aos 60% observados na semana anterior.
Fonte: www.moneytimes.com.br