Movimentações Recentes do Dólar em Meio a Dados Econômicos e Incertezas
O dólar registrou uma nova alta, impulsionado pelo enfraquecimento do real. A moeda brasileira apresentou desempenho correspondente ao de outras moedas de países emergentes em um dia caracterizado por dados econômicos, incertezas relacionadas à trajetória dos juros nos Estados Unidos e o término do ‘shutdown‘ no país.
Encerramento do Dólar à Vista
No dia 13 de outubro, o dólar à vista (USDBRL) fechou a sessão cotado a R$ 5,2983, apresentando uma alta de 0,10%.
Esses movimentos no mercado cambial se destacaram em contraste com a tendência externa. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, que serve como indicador para comparar o dólar com uma cesta de seis divisas globais, como o euro e a libra, operava em baixa de 0,32%, alcançando 99,174 pontos.
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Fatores que Influenciaram o Câmbio Hoje
O câmbio enfrenta mais um período agitado. A paralisação do governo dos Estados Unidos, conhecida como shutdown, chegou ao fim após 43 dias.
No dia anterior, o presidente Donald Trump sancionou a legislação que proporciona um espaço orçamentário temporário. Este acordo prorroga o financiamento até o dia 30 de janeiro, mantendo o governo federal em uma trajetória que pode aumentar sua dívida, que atualmente já atinge aproximadamente US$ 38 trilhões, em cerca de US$ 1,8 trilhão por ano.
Agora, a atenção dos investidores se volta para as repercussões econômicas da mais longa paralisação da administração norte-americana. Projeções do Congresso dos Estados Unidos sugerem que um shutdown de seis semanas pode reduzir a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre em até 1,5 ponto percentual.
Atrasos na divulgação de dados econômicos também deverão continuar a impactar as análises de mercado. A Casa Branca já sinalizou que tanto o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) quanto o relatório de empregos (payroll) provavelmente não serão contabilizados, o que pode comprometer de forma duradoura algumas séries históricas. Essa falta de dados pode prejudicar a avaliação do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA), que depende desses indicadores para ajustar sua política monetária.
Durante o período de incertezas, as fluctuações sobre a direção futura dos juros nos Estados Unidos também afetaram o câmbio. Em 13 de outubro, a presidente da unidade do Fed de San Francisco, Mary Daly, que anteriormente defendia vigorosamente cortas nas taxas, mencionou que qualquer decisão sobre o assunto, apenas quatro semanas antes da próxima reunião de política, é “prematura”.
Daly afirmou: “Estou com a mente aberta, mas ainda não tomei uma decisão final sobre o que penso e estou ansiosa para discutir com meus pares”, em um evento que ocorreu em Dublin, na Irlanda.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, as declarações recentes de membros do banco central dos Estados Unidos reforçam a ideia de que “são necessários mais dados antes de qualquer decisão, destacando que a inflação permanece acima da meta e que a política monetária ainda não está claramente restritiva — o que reduz as possibilidades de novos cortes sem o risco de tornar a abordagem excessivamente acomodatícia”.
A próxima reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed está programada para os dias 9 e 10 de dezembro. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, o mercado indica uma probabilidade de 50,4% de o banco central manter os juros na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. A chance de um corte de 0,25 ponto percentual é estimada em 49,6%.
Reação do Mercado Brasileiro a Dados Econômicos
No Brasil, o mercado reagiu a novos dados econômicos, em meio à expectativa de aumento nas remessas ao exterior nas próximas semanas.
As vendas no varejo registraram uma queda de 0,3% em setembro em relação a agosto, considerando dados com ajuste sazonal, e avançaram 0,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 13 de outubro.
A expectativa em uma pesquisa realizada pela Reuters era de um aumento de 0,3% na comparação mensal e uma elevação de 2,0% em comparação anual.
De acordo com a avaliação do Itaú BBA, os resultados mais fracos das vendas no varejo encerram o ciclo de dados do terceiro trimestre, indicando uma desaceleração da atividade econômica no Brasil.
Fonte: www.moneytimes.com.br