Dólar sobe para R$ 5,52 após Banco Central do Japão elevar juros ao maior nível em 30 anos

Desempenho do Dólar no Mercado

Na última sessão da semana, o dólar encerrou em alta, impulsionado pelas recentes elevações de juros no Japão, que alcançaram o maior nível em 30 anos, além de incertezas em relação à política monetária dos Estados Unidos. Nesta sexta-feira, 19, o dólar à vista (USDBRL) foi cotado a R$ 5,5297, registrando uma alta de 0,11%. A valorização do dólar foi refletida no mercado externo, onde, por volta das 17h, o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de moedas, incluindo euro e libra, subiu 0,15%, atingindo 98,581 pontos.

Durante a semana, o dólar acumulou uma valorização de 2,20% em relação ao real.

Fatores que Influenciaram o Dólar Hoje

Nas primeiras horas do dia, o real apresentou um desempenho positivo, favorecido por leilões realizados pelo Banco Central, que fizeram com que a moeda americana operasse temporariamente abaixo de R$ 5,50. Na manhã de sexta-feira, o Banco Central anunciou a venda de US$ 2 bilhões em dois leilões de recompra simultânea.

No primeiro leilão, denominado linha A, a taxa de corte estabelecida foi de 4,919200%, com duas propostas aceitas, totalizando US$ 1 bilhão. A venda ocorrerá em 23 de dezembro, e a recompra está programada para 5 de maio de 2026.

No segundo leilão, linha B, a taxa de corte foi fixada em 4,856100% e uma proposta no valor total de US$ 1 bilhão foi aceita. A venda também está agendada para 23 de dezembro, enquanto a recompra ocorrerá em 2 de junho de 2026.

Esses leilões têm como objetivo atender à crescente demanda por dólares nesta época do ano, quando as empresas costumam realizar envios de recursos para o exterior, visando pagamentos de dividendos.

Além disso, neste ano, essa prática tem sido intensificada por multinacionais que buscam se antecipar ao fim da isenção do imposto de renda sobre remessas ao exterior, prevista para janeiro de 2026, quando essas transações começarão a ser taxadas em 10%. Também haverá uma nova taxação de 10% sobre valores recebidos acima de R$ 50 mil mensais em dividendos.

Desenvolvimentos Fiscais e Políticos

No âmbito fiscal, foi aprovado pelo Congresso Nacional o Orçamento de 2026, que estima um superávit primário de R$ 34,5 bilhões no próximo ano, ligeiramente superior à meta fiscal de R$ 34,3 bilhões, o que corresponde a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). O texto está agora aguardando a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em relação à cena política, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (PL), ressaltou que seu foco principal é o Estado de São Paulo. Ele afirmou: “É natural que se coloque um governador de São Paulo como presidenciável. […] Apesar da especulação, a gente nunca se colocou como candidato a presidente.”

Tarcísio é considerado um dos nomes favoritos do mercado para a candidatura à Presidência nas próximas eleições, mesmo diante do apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro ao seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), que anunciou sua pré-candidatura no início deste mês.

Impactos Externos no Dólar

No início da tarde, o fortalecimento do dólar no mercado internacional voltou a pressionar a moeda brasileira, em meio a incertezas sobre a política de juros dos Estados Unidos e o aumento da taxa de juros no Japão.

John Williams, presidente da unidade do Fed em Nova York, indicou que não vê necessidade imediata de relaxamento da política monetária. Em entrevista à CNBC, ele declarou que não senti uma “urgência” para reduzir os juros, afirmando que “acho que as reduções anteriores nos posicionaram muito bem” para auxiliar no controle da inflação, ao mesmo tempo em que oferecem suporte a um mercado de trabalho que apresenta sinais de arrefecimento.

Na semana anterior, o Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) do Federal Reserve cortou os juros em 0,25 ponto percentual, reduzindo a faixa para 3,50% a 3,75% ao ano. Essa foi a terceira redução consecutiva. Perto do fechamento do dia, o mercado indicava uma probabilidade de 88,9% de que o Fed mantivesse os juros inalterados no mês de janeiro, uma elevação em relação aos 73,4% da véspera.

A expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião caiu de 26,6% para 22,1%.

O Banco do Japão aumentou sua taxa de juros para 2% ao ano, o maior nível desde 1995, e sinalizou novas elevações futuras. O BoJ também removeu a referência ao impacto negativo do aumento das tarifas dos EUA sobre o crescimento e a inflação, reafirmando a crença de que o Japão está em um caminho estável em direção à meta de inflação de 2%, apoiado por aumentos nos salários, e preparado para uma normalização contínua de sua política monetária.

“Com base nos dados e pesquisas recentes, há uma grande probabilidade de que o mecanismo pelo qual salários e inflação aumentam moderadamente em conjunto se mantenha”, afirmou o BoJ em um comunicado explicativo sobre sua decisão. “Dado que as taxas de juros reais estão em níveis consideravelmente baixos, o Banco do Japão continuará aumentando as taxas caso suas previsões econômicas e de preços se concretizem”, completou.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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