Dólares e pratas enfrentam queda após trajetória recorde. É o momento certo para investir?

Dólares e pratas enfrentam queda após trajetória recorde. É o momento certo para investir?

by Patrícia Moreira
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Queda nos Preços do Ouro e Prata

Os preços do ouro e da prata apresentaram uma queda acentuada na última sexta-feira, interrompendo uma forte alta que resultou na quebra de vários recordes durante este ano. O preço do ouro à vista caiu mais de 4%, atingindo US$ 5.156,64 por onça, enquanto o preço da prata à vista caiu mais de 5%, para US$ 110,26, após uma rápida valorização.

Fatores que Influenciam a Queda

A recente alta nos preços do ouro foi impulsionada por incertezas geopolíticas, econômicas e comerciais, além de um dólar em fraqueza. Esses fatores têm sido extremamente relevantes, levando os investidores a buscar refúgio em ativos considerados "seguros". A prata, por sua vez, também se beneficiou da demanda industrial.

Análise do Mercado

Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, afirmou que a queda recente pode ter sido parcialmente provocada pela redução das preocupações em torno da crise fiscal nos Estados Unidos, após um acordo provisório alcançado entre democratas e republicanos que evitou uma paralisação do governo. Yardeni observou que "o surpreendente é que o preço subiu de US$ 3.000 para US$ 5.500 sem uma correção significativa". Ele comentou que uma correção para US$ 5.000, com alguma consolidação em torno desse preço, seria uma sequência normal em um mercado em alta. Até o momento, essa movimentação tem se comportado mais como um "aquecimento" do que um mercado em alta tradicional de metais preciosos.

Estrutura da Queda

Outros especialistas apontaram a rapidez e a estrutura da própria queda. Gregor Gregersen, fundador da Silver Bullion, um comerciante de metais preciosos, destacou que a abrupta natureza da queda sugere que algo diferente da simples realização de lucros estava em jogo. "Se entidades estivessem tentando realizar lucros e liquidar grandes estoques de ouro ou prata, o fariam gradualmente para obter o preço mais alto possível", explicou Gregersen. "O que observamos foi uma queda massiva em um período muito curto de tempo, sem drivers públicos óbvios por trás de tal pressão vendedora." Isso, segundo ele, levanta a possibilidade de que a movimentação tenha sido "intencional" para desencadear novas quedas.

Oportunidade de Entrada para Investidores

Para os investidores que perderam a mais recente alta, a queda oferece um bom ponto de entrada? Apesar da queda na sexta-feira, os preços ainda permanecem elevados, com o ouro cerca de 20% acima em relação ao início do ano, enquanto os preços da prata estão mais de 50% em alta. Analistas consultados pela CNBC concordam amplamente que a alta deixou os preços esticados no curto prazo.

Análise Técnica

Manpreet Gill, responsável pela área de investimento da Standard Chartered para Europa, África e Oriente Médio, afirmou que os sinais proprietários do banco indicam que ambos os metais estão em território sobrecomprado. "O cenário técnico de curto prazo está esticado", disse Gill. Ele ainda ressaltou que a relação ouro-prata está próxima de um fundo extremo, em torno de 31, o que foi visto pela última vez em 2011, e um sinal que historicamente precede um período de consolidação. "Nessa situação, o ouro pode passar por uma leve consolidação, enquanto a prata, dada sua maior volatilidade, pode experimentar oscilações maiores", avaliou.

O que Significa Consolidação?

Em termos práticos, consolidação significa que os preços podem fazer uma pausa, mover-se lateralmente ou recuar moderadamente após uma forte alta, ao invés de continuar em uma ascensão linear. No entanto, Gill destacou que a consolidação não significa, necessariamente, uma reversão acentuada. Apesar da volatilidade, muitos observadores de mercado argumentam que o maior risco pode ser permanecer completamente fora do mercado.

Perspectivas Futuras

O ouro, particularmente, tem se beneficiado de uma combinação de tensões geopolíticas, incertezas fiscais e preocupações com a desvalorização da moeda, forças que muitos acreditam permanecer firmemente em vigor. Afdhal Rahman, diretor executivo de consultoria de patrimônio da OCBC, ponderou que "não acreditamos que os investidores estejam atrasados para essa operação", observando que, embora o recente aumento tenha sido muito rápido, o que naturalmente eleva o risco de recuos de curto prazo, os fatores estruturais por trás dessa alta continuam intactos.

Margem para Erro

Entretanto, preços elevados têm reduzido a margem para erro. Rahman alertou: "Dada a situação dos preços, este pode não ser um mercado para ir completamente com tudo de uma vez." Ele recomendou que uma abordagem incremental ou faseada pode fazer mais sentido. Zavier Wong, analista de mercado da eToro, complementou que "o erro não é perder a alta, mas presumir que não haverá volatilidade ao longo do caminho". Contudo, ele notou que os preços ainda elevados deixam margens mais estreitas para erro, tornando o momento de entrada mais importante.

Observações Técnicas

Do ponto de vista técnico, o ouro parece estar sobrecomprado, com indicadores de momentum sugerindo que uma leve correção pode ser possível. Wong apontou para o índice de força relativa do ouro, que está acima de 90. O índice de força relativa (RSI) é um indicador técnico que mede a rapidez e a magnitude dos movimentos recentes de preços. Leituras acima de 70 geralmente sinalizam condições sobrecompradas, enquanto níveis acima de 90 indicam que os preços podem estar esticados e vulneráveis a uma correção.

Estratégias de Investimento

No longo prazo, Manpreet Gill, da Standard Chartered, afirmou que o banco continua otimista em relação ao ouro e mantém uma posição acima da média em relação à alocação de um portfólio neutro. No portfólio equilibrado do banco, a alocação de longo prazo em ouro é de 6%. "Investidores que estão com alocação abaixo do ouro devem gradualmente construir até esse alvo enquanto aqueles que já atingiram essa alocação podem manter suas posições", sugeriu, acrescentando que fundos negociados em bolsa oferecem liquidez e facilidade de acesso, enquanto o ouro físico pode ser mais adequado para investidores de longo prazo com foco na preservação de riqueza. Gill concluiu que "a posição favorece a acumulação incremental para investidores de longo prazo, enquanto negociações táticas de curto prazo devem estar atentas a possíveis recuos". Além disso, Heidi Sum, líder global de especialistas em produtos para ativos reais líquidos da DWS, afirmou que investidores poderiam considerar ETFs de ouro ou prata respaldados fisicamente para exposição central, uma vez que esses produtos oferecem transparência e acesso diário à liquidez.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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